quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lula aumenta em 290% a verba de apoio do MEC para rede de cursinhos populares

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciaram nesta terça-feira (31) a expansão do edital da Rede de Cursinhos Populares (CPOP), que prevê o atendimento a 800 unidades de cursinhos em território nacional no ano de 2026, com a aplicação de R$ 290 milhões para bolsas, material escolar e contratação de professores.

Os anúncios foram feitos durante o evento Universidade com a Cara do Povo Brasileiro, no Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo (SP). O planejamento anterior estabelecia o suporte a 384 unidades com a utilização de R$ 74,4 milhões. O aumento de recursos representa um crescimento de aproximadamente 290%.

“É só querer, é só teimar, é só persistir, porque não há fronteira, não há muro, não há cerca quando a gente tem um governo que abre as portas e abre os passos para que vocês coloquem para fora aquilo que vocês querem ser. O que nós fizemos foi apenas dar oportunidade”, disse Lula.

“A educação tem que entrar na rubrica de investimento, porque o investimento mais extraordinário que você faz no país é quando você prepara o povo daquele país para se formar e para ter conhecimento”, prosseguiu o presidente.

Simultaneamente, o Ministério da Educação (MEC) instituiu a Escola Nacional de Hip-Hop (H2E) por meio de portaria, destinando R$ 50 milhões para o biênio 2026-2027. O projeto visa inserir elementos da cultura hip-hop nos currículos das redes públicas e na formação de profissionais da educação, em conformidade com a Lei nº 10.639/2003, que determina o ensino de história e cultura afro-brasileira.

A iniciativa estrutura-se em eixos de coordenação federativa, materiais de apoio, formação e reconhecimento de saberes, incluindo a organização de encontros de slam escolar e a publicação de referenciais pedagógicas.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacou que as cotas proporcionam oportunidades ao povo preto. “O povo preto deste país está pronto para dar uma oportunidade. Onde quer que a gente vá, nós vamos defender a cidadania deste país com ferramentas. Onde quer que a gente vá, defenderemos o povo preto e pobre dentro do país, pois o que a gente precisa é de oportunidade.”

O ministro Camilo Santana afirmou que as medidas buscam consolidar os mecanismos de ingresso de estudantes de baixa renda no ambiente acadêmico, ele destacou o aumento na inclusão de estudantes por conta dos programas educacionais.

“De 2000 e 2006 em diante, 307 mil cotistas se inscreveram no Sisu [Sistema de Seleção Unificada]. Houve um aumento de 40% quando a lei de cotas foi criada. Portanto, o aumento foi de 177% dos cotistas do setor. Os cursos populares já existiam. Eu andava por este Brasil e via a dificuldade do filho que tem vontade, mas que teve dificuldade para manter os alunos. A luta pela democracia e pela autarquia particular para sonhar e ter a sua universidade. E aí o presidente Lula decidiu: ‘Camilo, vamos apoiar os cursinhos populares que já existem no Brasil’. E este é um decreto criando uma rede de cursinhos populares em todo o Brasil”, afirmou Santana.

O ministro também ressaltou a importância do programa Escola Nacional de Hip-Hop (H2E) “Uma inovação cultural, uma inovação das escolas em que, por meio da cultura, nós vamos fortalecer o engajamento juvenil contribuindo inclusive para a lei 10.639.”

A cerimônia reuniu os ministros Fernando Haddad, Anielle Franco e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, além de parlamentares, estudantes beneficiários de cotas, alunos de cursinhos populares e representantes de movimentos sociais para a divulgação de ações voltadas à educação superior.

A programação marcou o período de vigência de políticas públicas de inclusão, como o Programa Universidade para Todos (Prouni), que completa 21 anos de oferta de bolsas integrais e parciais em instituições privadas.

O evento também registrou os 14 anos da implementação das cotas raciais e os 10 anos da graduação da primeira turma de estudantes cotistas no país. Durante o encontro, foi assinado também ato normativo que altera o funcionamento do Prouni.

De acordo com o portal do governo federal, a proposta também contribui para fortalecer a implementação da Lei nº 10.639/2003, que estabelece o ensino da história e da cultura afro-brasileira. “Além de promover maior representatividade e valorização da cultura negra nos ambientes educacionais. Na educação básica, o programa buscará contribuir para melhoria do desenvolvimento de habilidades em leitura, ciências e matemática, além de apoiar ações substitutivas ao uso de celulares nos intervalos das aulas.”

Também foi assinado um decreto que altera o funcionamento das cotas no Prouni, ele permite que candidatos se inscrevam nas vagas de ampla concorrência (o estudante não precisará selecionar se irá concorrer por cotas, ou ampla concorrência) e caso não sejam selecionados passam a concorrer automaticamente pelo programa de cotas raciais. Também foi anunciada a entrega de 800 institutos federais.

Expansão do Prouni, Sisu, cotas e Fies

De acordo com dados do MEC, em 2026 o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) teve 136 instituições participantes, um recorde em todo o período desde a criação do sistema, e 271 mil aprovados.

O Prouni também teve recorde com 594,5 mil bolsas ofertadas no primeiro semestre, com mais de 65% dos bolsistas autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Em 2024, a implementação de cotas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ampliou as vagas para o público cotista e 29,6 mil contratos foram firmados de 2024 a 2026.

De acordo com dados do MEC anunciados no evento, quase 95 mil estudantes cotistas ingressaram na educação superior de 2024 a 2026. O número de cotistas aprovados por ampla concorrência no Sisu cresceu 124% em relação a 2024.

O número de bolsistas do Prouni autodeclarados pretos, pardos ou indígenas aumentou 65%; 307,5 mil cotistas se matricularam em instituições públicas entre 2023 e 2026 (39% dos ingressantes desde o início da Lei de Cotas).

Houve também um crescimento de 177% de cotistas matriculados pelo Sisu de 2023 a 2025 (de 45 mil para 105 mil). Em 14 anos, foram quase 2 milhões de cotistas matriculados em universidades públicas e privadas (790,1 mil cotistas pelo Sisu, 1,1 milhão pelo Prouni e 29,6 mil pelo Fies).

(Brasil de Fato)

 

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