HOJE É (OU SÃO) VINTE E SEIS DE MAIO?
Alguns gramáticos defendem a concordância do verbo “ser” com o numeral: Hoje é primeiro de maio; Hoje são vinte e seis de maio. Outros afirmam que a concordância deveria ser sempre no singular, pois está subentendida (su-ben-ten-di-da) a palavra “dia”: Hoje é (dia) vinte e seis de maio. Para não correr riscos, use sempre a palavra “dia”. Quando ela está expressa na frase, o verbo “ser” concorda obrigatoriamente no singular: Hoje é dia vinte e seis de maio.
VAI FAZER OU VÃO FAZER DOIS MESES QUE ELE VIAJOU?
O correto é:
Vai fazer dois meses que ele viajou. Já vimos e repetimos que o verbo fazer,
quando se refere a tempo decorrido, deve ser usado sempre no singular: Faz
dez anos que não nos vemos; Fazia alguns minutos que o jogador não tocava na bola. A regra continua valendo
para as locuções verbais em que o verbo fazer for o principal: Já deve fazer
nove meses que ele viajou.
NÃO NOS VEMOS HÁ (OU HAVIA ) DOIS ANOS ?
O correto é: “ Não nos vermos há (faz) dois anos”. Isso significa que:
Faz dois anos que não nos vemos. Se a frase estivesse no passado (não nos víamos)
aí o correto seria dizer que “havia dois anos”, ou seja, “não nos víamos havia (= fazia) dois anos. Isso
significa dizer que “fazia dois anos que não nos víamos”, mas que acabamos de
nos ver.
Observe outro exemplo: Há cinco anos que o Internacional não é campeão
(= O Internacional continua sem ser campeão); Havia cinco anos que o
Internacional não era campeão gaúcho (= O Internacional ganhou o campeonato.
CATACRESE (Catá = Contra;
Chrestái = Usar)
Todo emprego impróprio, de uma palavra ou expressão, por esquecimento
ou ignorância de seu étimo ou da sua origem, constitui uma catacrese. Exs.: Embarcar
num avião (embarcar = tomar barca); marmelada de chuchu (marmelada = doce de
marmelo); ferradura de prata (ferradura = peça de ferro); ganhar mesada semanal
(mesada = pagamento por mês); erro de ortografia (ortrografia = escrita correta); estar no fundo do abismo (abismo =
que não tem fundo); caligrafia horrível (caligrafia = escrita bela).
Modernamente ainda se consideram como catacrese as metáforas que, pelo
uso constante, perderam o valor estilístico e formaram, graças à semelhança
de forma existente entre os seres. Estão
nesse caso: pé de serra, braço do rio,pena de metal, botão de camisa, boca do
estômago, cabeça de alfinete, dente de pente, pé de goiaba, pé de abacate,
costa brasileira, coração da cidade, pé de meia, boca de forno, folha de papel,
boca do poço, mão de direção, barriga da perna, cabelo de milho, dente de alho,
boca do túnel, braço da cadeira, batata da perna, etc.
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