Sobral, 253 anos
Seria injustiça com benfeitores sobralenses e com a própria história negar que Sobral tem crescido a passos largos nos últimos anos em todas as áreas, especialmente na educação. Conforme IBGE/2025, a população atingiu 216.519 habitantes distribuídos numa área territorial de 2.122 km2.. Todos merecemos mais que festa. Exigimos mais atenção e respeito!
Lamentavelmente Sobral não vive clima propício para festa, mas, sim, para reflexão e tomada de atitudes enérgicas, dada a onda de violência e outros desmandos que já ganharam até repercussão nacional. Segundo as autoridades, as providências estão sendo adotadas. Só que a população ainda não confirma resultado positivo e permanece sob ameaças de malfeitores ou deles sendo vítimas. Além disso, com as devidas exceções, é flagrante a insensibilidade e o desdém dos que compõem os poderes constituídos.
A lentidão de ações, que deveriam ser proativas, demonstra caráter apenas corretivo, quando não se convertem simples paliativos. Sem dúvida, isso deixa transparecer que tais autoridades consideram que o povo que aqui vive, ou que apenas aqui trabalha, flutua feliz e despreocupado num mar de paz e tranquilidade. Mesmo assim, amanhã (05/07), debaixo de festa, serão comemorados os 253 anos de emancipação política do município.
Nota-se, também, enorme lentidão no processo de conscientização da população e das autoridades, no intuito de estimular o povo a inteirar-se mais da sua própria história. Esse é o caminho através do qual se pode tomar conhecimento do passado para entender melhor o presente, a fim de projetar melhor ainda o futuro. E mais: é a melhor forma de fazer-se respeitar, já que municia o cidadão de subsídios para rebater críticas; é a melhor maneira de divulgar mais a verdade, desmistificar inverdades, enfim, é a única forma de se adquirir embasamento para argumentar ou contra-argumentar em qualquer situação.
O lamentável é se observar ainda persistir por parte da maioria de pais e educadores uma grande dívida para com as crianças e jovens, quanto ao ensino da história do seu torrão natal. É falha nacional, pois o mesmo ocorre em quase todos os municípios brasileiros. Por isso, insisto em dizer que ainda adormece o interesse pela implantação de disciplina específica sobre a história de cada município. Senão vejamos: A garotada de hoje desvenda os países e até as galáxias (Isso é bom!), mas pouco ou nada sabe sobre a cidade em que vive (Isso é mau, muito mau!).
Diante disso, como culpar as crianças e os jovens se o desinteresse ou a ignorância parte exatamente de quem poderia e deveria mudar essa triste realidade?
Sugiro então, que cada adultos faça seu mea-culpa e
tente fazer algo para inverter o quadro. Não só nós sobralenses, mas você que
mora noutra cidade também tente mudar essa realidade, fazendo com que essa nova
geração conheça mais a história do seu município.
Além
disso, torço para que a data também se reverta em ocasião para seu povo
inteirar-se mais, questionar mais e exigir mais as providências cabíveis e
necessárias, o que culminará em ações que tornem Sobral uma cidade melhor e
seus moradores mais felizes. Para tanto, faz-se urgente exigir mais educação
mais segurança, mais saúde e mais oportunidade de trabalho, a fim de que todos
possam trilhar os caminhos do bem.
Como pai e também educador,
levando-se em conta que comunicador também tem como função informar e educar,
tento aqui solver parte dessa dívida. Portanto, conheça um pouco mais da
história da Fazenda Caiçara, passando pela Vila Distinta e Real até a atual
cidade de Sobral. Parabéns, Sobral!
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POR QUE CAIÇARA?
Nome dado à porção de terra
herdada por Quitéria Maria de Jesus, como dote de seu casamento com Antônio
Rodrigues de Magalhães. Quitéria havia herdado de sua mãe, Apolônia da Costa,
casada com o sargento-mor Antônio Marques de Leitão. E Apolônia, por sua vez, teve
sua parte herdada de seu pai Antônio da Costa Peixoto, português, vereador em
Aquiraz. A 14 de outubro de 1702, este edil conseguiu uma sesmaria às margens
do rio Acaraú, medindo uma légua e meia de comprimento com meia légua de
largura, indo da margem esquerda do rio Acaraú ao sopé da serra da
Meruoca. De suas terras, Antônio e Quitéria fundaram a fazenda à qual
deram o nome de Caiçara pelo fato de ter sido no início protegida com uma cerca
de varas. Isso é corroborado pela etimologia: a palavra Caiçara vem do tupi e
significa “cerca feita de mato”.
Protesto - Muitos que levam
adiante a história de Sobral em seus escritos ou pronunciamentos têm pecado por
omitir a grande importância do padre visitador Lino Correia Gomes. Para mim,
ele foi o verdadeiro fundador de Sobral e não o fazendeiro Antônio Rodrigues de
Magalhães. E explico: Pe. Lino foi o pai da ideia de instalar a sede de um
curato por aqui. Com o curato, veio o desenvolvimento. Antônio simplesmente
doou terras e não tinha a mínima intenção de fundar uma cidade, inclusive pouco
permanecia nesta região.
POR QUE VILA DISTINTA E
REAL DE SOBRAL?
A 14 de novembro de 1772, por
ordem do Governador e Comandante Geral de Pernambuco, Manuel da Cunha de
Menezes, foi criada a Vila Distinta e Real de Sobral. Sua instalação oficial,
bem como a eleição e posse da primeira Câmara de Vereadores só aconteceu no dia
5 de julho de 1773. O nome Vila Distinta e Real de Sobral traz consigo certo ar
de nobreza. Senão vejamos:
DISTINTA - Porque não tivera
origem indígena ou bárbara, nem fora sede de missões jesuíticas ou de outras
congregações religiosas. Sobral fora colonizada por portugueses ou descendentes
destes e catequizada por padres seculares. Todas as vilas surgidas dessa
forma, de colonização totalmente branca, eram consideradas com ares de nobreza
e, portanto, distintas.
REAL - Pelo fato de ter sido
criada por ordem direta do Rei e, por isso, recebia dele proteção e simpatia.
Existiam vilas criadas de aldeias indígenas, mas não recebiam os adjetivos
“Distinta e Real”. Eram chamadas apenas Vila ou Vila Nova, acrescido do
nome do local. Vila formada de habitantes estritamente de origem portuguesas
era Distinta e Real, como foi o caso de Sobral, exemplo único no Ceará. Quando
foi baixado o decreto pelo Rei para criação das Vilas era uma ordem retirar
todos os nomes indígenas e alterar para nomes de locais já existentes em
Portugal.
No caso deste município, a
denominação vem do nome da terra dos ancestrais de Quitéria Maria de
Jesus, esposa de Antônio Rodrigues de Magalhães. Em Portugal pode-se
encontrar mais de uma dezena de localidades que recebem o nome Sobral acrescido
de mais algum designativo.
SOBRAL - Sobral (ou
sobreiral) é o coletivo da palavra sobro, sovro ou sobreiro (fotos). Trata-se
da denominação popular de Quercus Súber, uma das árvores florestais
mais abundantes em Portugal. É a única quercínea produtora de cortiça da
região mediterrânea.
POR QUE FIDELÍSSIMA
CIDADE JANUÁRIA DO ACARAÚ?
Vale lembrar que o município já
recebeu o nome de Januária. Quando da elevação de Vila à categoria de cidade, o
presidente da Província do Ceará (hoje equivalente a governador do Estado),
José Martiniano de Alencar, que era padre e pai do famoso romancista cearense
José de Alencar, através da Lei nº 229, de 12 de janeiro de 1841, deu o nome a
esta terra de Fidelíssima Cidade Januária do Acaraú.
FIDELÍSSIMA - Pela fidelidade
dos sobralenses ao Pe. Alencar, quando da revolta contra o seu governo ocorrida
na então Vila Distinta e Real de Sobral em 1840. Houve sérios conflitos com
várias mortes, saindo vitorioso o Pe. Alencar.
JANUÁRIA - Homenagem que o
presidente da Província queria prestar à jovem irmã do imperador D. Pedro II, a
Princesa Januária, de 19 anos (Daí, “Princesa do Norte”). A
população não gostou nem pouco da mudança de Sobral para Januária. No ano
seguinte, o novo presidente, José Joaquim Coelho, através da Lei nº 244, de 25
de outubro de 1842, atender aos reclamos da população retornando o nome do
lugar para Sobral. Como Januária, Sobral ainda permaneceu durante um ano, nove
meses e treze dias.
DOMINGO NA EDUCADORA FM 107,5 - SOBRAL-CE
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Neste domingo (5), das 10h30 às 12h30, PROGRAMA ARTEMÍSIO DA
COSTA com notícias, reportagens, curiosidades, música de boa qualidade.
DESTAQUE: “SOBRAL - 253 ANOS DE PROGRESSO”.
Participe 3611-1550 // 3611-2496 // Face book: Artemísio da Costa.
UM DOMINGO ABENÇOADO E DIVERTIDO!

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