sexta-feira, 20 de março de 2026
MEC pune mais de 50 cursos de medicina por desempenho insuficiente
Um milhão de tetos solares: programa visa autonomia energética de agricultores do semiárido
A ameaça de greve dos caminhoneiros que atormenta Lula em ano eleitoral: 'Estamos muito mais organizados do que em 2018'
Caminhoneiros de diferentes regiões do país ameaçam paralisar atividades nos próximos dias, em meio à alta do diesel, provocada pela guerra no Irã.
quarta-feira, 18 de março de 2026
Mais de 7,7 mil jovens atendidos no projeto Primeiro Passo no Ceará
Em 2025, o projeto Primeiro Passo atendeu 7.795 jovens, consolidando a iniciativa como uma das principais portas de entrada para o mercado de trabalho. Para 2026, a meta é qualificar pelo menos 7.110 novos participantes em todo Ceará.
Brasil tem menor taxa de mortalidade infantil em 34 anos, diz Unicef
‘A internet era uma terra sem lei’: advogado analisa os pilares do ECA Digital para proteger crianças e adolescentes no ambiente online
Castro
Alves contextualiza a necessidade da lei diante do crescimento de problemas
como cyberbullying, crimes de ódio, exploração sexual infantojuvenil e os
impactos na saúde mental de crianças e adolescentes.
“A internet se tornou um cenário muito propício para essas violências, gerando
automutilações, suicídios, depressão e ansiedade. Precisávamos de uma
regulamentação desde o Marco Civil da Internet, em 2014.”
Ele
lembra que projetos anteriores foram engavetados. “A extrema direita sempre foi
contrária à regulamentação porque vive da propagação de fake news e crimes de
ódio. Mas o STF já havia decidido no ano passado pela responsabilização das big
techs. Não podemos mais aceitar que essas empresas lucrem com a violência
contra a infância.”
A
lei estabelece medidas concretas, mas Castro Alves defende que é apenas o
primeiro passo. “A verificação de idade é fundamental. Aliás, eu entendo que
deveria ir além, com a identificação real dos usuários. Ninguém deveria entrar
na internet por meio de perfis falsos — são eles que promovem a maioria dos
crimes”.
Sobre
a verificação documental e por reconhecimento facial, ele admite que podem ser
burladas, mas ressalta que o aprimoramento das metodologias é contínuo. O
controle parental é outro pilar essencial. “Menores de 16 anos terão que ter
pais ou mães vinculados às suas contas em redes sociais, aplicativos e jogos,
dependendo de autorização e supervisão.”
A
lei também restringe a publicidade
voltada a crianças e adolescentes, os direcionamentos e as
monetizações. “São medidas importantes, mas precisamos de muito mais: educação
para navegação segura nas escolas, centros de apoio psicossocial para
dependentes digitais e uma classificação indicativa clara, como já temos para
TV e cinema.”
O
prazo inicial para adaptação das plataformas era 13 de fevereiro, e algumas já
promoveram mudanças. “O Roblox, por exemplo, proibiu interações entre crianças
e adultos e restringiu o acesso para menores de 9 anos. Instagram, Facebook e
TikTok também vêm tomando providências.”
Castro
Alves destaca que
a lei também combate o trabalho infantil digital. “Influencers
mirins precisam de autorizações, assim como artistas que atuam em TV e teatro.
Muitas vezes, são os próprios pais explorando os filhos. O Ministério do
Trabalho e o Ministério Público do Trabalho precisam atuar.”
Para
garantir a efetividade da lei, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD)
passará por uma reestruturação e será responsável pela fiscalização. “Teremos
uma central de proteção da criança e do adolescente vinculada à Polícia Federal
para apurar crimes cibernéticos.”
As
plataformas terão a obrigação de informar sobre crimes que ocorram em seus
espaços, especialmente quando envolvam crianças e adolescentes. “Elas deverão
proteger esse público de conteúdos inadequados, pornográficos ou violentos, e
terão que prestar contas por meio de relatórios periódicos à ANPD.”
Castro
Alves ressalta que todos os órgãos estarão envolvidos. “Conselhos tutelares,
promotorias da infância e juventude e entidades da sociedade civil terão papel
ativo na fiscalização.”
O
advogado conclui com uma mensagem de otimismo cauteloso. “O ECA Digital é um
primeiro passo fundamental, mas toda lei depende da sua efetividade. Precisamos
que todos participem desse processo — governo, plataformas, famílias e
sociedade civil. A internet não pode mais ser uma terra sem lei para nossas
crianças e adolescentes.”
(Brasil
de Fato)






