Para a Sociedade Brasileira de
Nefrologia (SBN), o reconhecimento amplia a visibilidade da DRC no cenário
internacional e reforça a necessidade de investimentos em educação, prevenção,
diagnóstico precoce e tratamento. No Dia Mundial do Rim, lembrado nesta
quinta-feira (12), a entidade alerta ainda para o impacto de fatores ambientais
sobre o risco de doença renal ao longo da vida.
“Esse tema amplia o olhar para além
do tratamento, estimulando ações que promovam práticas sustentáveis no cuidado
renal e reduzam impactos ecológicos, especialmente em serviços de saúde.
Sustentabilidade, nesse contexto, significa também prevenção qualificada e
redução de exposições evitáveis desde os primeiros estágios da vida”, destacou
a instituição.
Em entrevista à Agência Brasil,
o médico nefrologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB), administrado
pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Geraldo Freitas,
destacou que os rins são órgãos considerados essenciais para o funcionamento do
organismo, mantendo o metabolismo equilibrado, realizando a filtragem do sangue
e eliminando toxinas por meio da urina.
“Além disso, eles controlam nosso
equilíbrio de eletrólitos ou sais do corpo, portanto, eles mantêm sódio,
potássio, cálcio, tudo equilibrado pra que a gente mantenha todo o
funcionamento dos outros sintomas”, disse. “Eles também produzem alguns
hormônios relacionados ao controle de pressão”, completou.
O especialista alerta, entretanto,
que algumas condições podem afetar o bom funcionamento dos rins ou mesmo
paralisar a função renal por completo. Segundo Freitas, há fatores de risco
específicos que acabam colaborando para o desenvolvimento desse tipo de quadro.
Entre eles estão:
- diabetes mellitus;
- hipertensão arterial sistêmica;
- histórico familiar de doença renal;
- obesidade;
- sedentarismo;
- tabagismo;
- uso crônico ou inadequado de
anti-inflamatórios não esteroidais e outros nefrotóxicos;
- doenças cardiovasculares;
- infecções do trato urinário recorrentes ou
obstrução urinária;
- desidratação frequente;
- consumo inadequado de água.
“Alguns medicamentos também podem ser
nefrotóxicos e causarem a perda da função renal ao longo do tempo. Os mais
relacionados com isso são os anti-inflamatórios não hormonais, que devem ser
evitados de maneira geral. No caso de pacientes com doenças em que o uso é
obrigatório, isso deve ser monitorado.”
Ainda de acordo com o médico, muitas
vezes, doenças renais acabam surgindo e avançando de forma silenciosa. “É
frequente nos consultórios de nefrologia que os pacientes apareçam, já na
primeira consulta, com perdas importantes da função renal”. Por esse motivo,
identificar os sinais de alerta é considerado fundamental.
“É importante fazer os exames para
rastreio das funções renais, que são basicamente a creatinina e um exame de
urina, incluindo a pesquisa de albuminúria. Com esses exames básicos, já é
possível fazer o rastreio de alguma lesão ainda no início. Também é relevante
fazer a aferição da pressão e exames de glicemia e hemoglobina glicada para
avaliação de uma possível diabetes.”
Dentre os principais sintomas que, de
acordo com o nefrologista, indicam a necessidade de procurar ajuda médica estão:
- inchaço nas pernas, nos tornozelos e no rosto;
- urina muito escura e/ou espumosa;
- mudança súbita no padrão urinário, incluindo
frequência e urgência;
- inversão do ritmo urinário, com maior volume
urinário no período noturno;
- dor intensa no flanco ou cólicas renais;
- fadiga excessiva;
- perda de apetite acompanhada de náuseas e
vômitos persistentes;
- aumento persistente da pressão arterial;
- glicemias de difícil controle;
- alterações neurológicas agudas, com presença
de confusão mental ou falta de ar súbita.

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