sexta-feira, 14 de agosto de 2015

CANTINHO DA SAUDADE - Por Thiago Alves - thiagoalvesobral@hotmail.com (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-Ce - 15.08.15)

JOAQUIM REGINO LOURINHO (FOGUINHO)
Por conta da pele e, principalmente, do rosto muito avermelhados, Foguinho foi o nome pelo qual ficou conhecido Joaquim Regino Lourinho, que nasceu em Santana do Acaraú (CE), no dia 05 de setembro de 1910. Era filho de Izaura Cysne Lourinho e José Afonso Regino Lourinho. Por conta das dificuldades da época, os pais só conseguiram proporcionar ao filho o aprendizado suficiente para apenas ler e escrever.


Em fevereiro de 1935, em Santana do Acaraú (CE), casou-se com sua conterrânea Cyra Cavalcante Lourinho, nascida em 27 de agosto de 1918, e filha de Ana Alice Cavalcante e Raimundo Enéas Cavalcante. No mês seguinte, o casal mudou-se para Sobral, onde Foguinho começou a trabalhar como chofer de praça (hoje taxista). Durante quarenta anos fez ponto no Posto 7, que ficava em frente à Igreja do Rosário, no centro de Sobral.

Muito trabalhador, de fina educação e honestidade ímpar, Foguinho transitava com muita facilidade em todas as classes social. Com a mesma simplicidade e respeito mantinha relações de amizade com integrantes de todos os níveis sociais. Assim como era amigo dos carreteiros (estivadores), também o era de Dom José Tupinambá da Frota, primeiro bispo da Diocese de Sobral. Apesar de simpatizante e eleitor da antiga UDN, mantinha excelente relacionamento com integrantes de outros partidos.

Merece destaque o respeito que Foguinho gozava não somente da população, mas também das empresas de Sobral. Prova disso é que, como naquele tempo não havia empresas de transporte de numerário, em seu veículo Foguinho fez o transporte de valores do Banco do Brasil por muitos anos, acompanhado apenas de um funcionário da Instituição e de um segurança, na maioria das vezes o saudoso Cabo Lira. Detalhe: nunca houve um contratempo.

Foguinho e Cyra geraram os seguintes filhos: José Marley Lourinho, aposentado, casado com Maria Lenira Vasconcelos Lourinho; Maria Marta Inês Lourinho Frota, aposentada do Ministério do Trabalho, casada com Antônio Wilson Coelho Frota e Raimundo Marciley Lourinho, o único filho vivo, aposentado do Banco do Brasil, casado com Rita de Cássia Araújo Lourinho. 

Dedicado à família e muito zelo no correto encaminhamento dos filhos, Foguinho sempre se empolgava quando falava do sucesso de qualquer um deles. Seu orgulho de pai foi às alturas quando Eduardo Rodrigues Duarte, Inspetor do Banco Brasil, indicou e foi aprovado pela Direção Geral o nome de seu filho caçula Raimundo Marciley Lourinho para assumir o posto de Auxiliar de Portaria. E não ficou por aí: com dois anos de Banco seu herdeiro tornou-se Escriturário, através de concurso interno realizado em Sobral.  Foguinho sentia-se indisfarçavelmente realizado com a ascensão dos filhos.

Além de seus méritos como homem trabalhador, honesto, amigo respeitador e pronto para servir a toda hora, Foguinho também era mestre em cativar e ampliar seu circulo de amizade, principalmente através dos momentos de lazer. Era presença certa nas rodas de finais de semana no Bar Cascatinha, onde os participantes devoravam um bom tira-gosto e umas cervejinhas (Brahma Chopp). Apenas frias, se dependesse da preferência de Foguinho. 

Mas muitas vezes a corriola tinha de se render ao gosto estranho do amigo falastrão, já que não podia abrir mão da sua presença, o que, para todos, Foguinho era o maior contador de piadas do pedaço, era um humorista de primeira linha. E assim entrou para a história o mar de gargalhadas que se ouvia daquele famoso bar de Edson Barreto, que funcionava na Praça 5 de Julho, hoje Mons. Linhares, centro de Sobral.

Ainda em idade produtiva, com muito a oferecer à família, aos amigos e à sociedade, aquele trabalhador respeitável, cativante e que alegrava a todos foi bruscamente tirado de cena. Joaquim Regino Lourinho (Foguinho) faleceu em Sobral de infarto do miocárdio, aos 61 anos, no dia 26 de novembro de 1972, no Hospital do Dr. Estevam. Acha-se sepultado em Santana do Acaraú (CE), sua terra natal.  Já a esposa Cyra faleceu aos 75 anos, em 21 de julho de 1994, em Fortaleza (CE), no Hospital São Raimundo, sendo sepultada no mesmo local onde repousa o esposo.

“UMA PRECE PELA ALMA DE JOAQUIM REGINO LOURINHO (FOGUINHO)”

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