sábado, 22 de agosto de 2015

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com (Do Jornal Correio da Semana - 22.08.15)

NOS AGRADECIMENTOS, DIZ-SE: OBRIGADO OU OBRIGADA?
É a pergunta do distinto leitor José Evandro Diniz, servidor da Cúria Diocesana de Sobral. Vamos lá! Quando dizemos "obrigada” ou “obrigado" estamos reduzindo a frase: “Estou ‘obrigado/obrigada’ a retribuir o favor que você me fez”. Por isso, deve concordar em gênero com quem está falando (masculino ou feminino). Se for homem deve dizer: “Obrigado”; se mulher, “Obrigada”.  Ex.: A jovem falou OBRIGADA pela gentileza; O idoso disse OBRIGADO pela ajuda. Portanto, ao amigo Evandro digo: “OBRIGADO” pela leitura da Coluna.


“DE” NADA
Quem responde a um “obrigado” deve fazê-lo portuguesmente, ou seja: Por nada. Afinal, não dizemos a alguém que nos presta grandes favores: Obrigado por tudo!
Se não quiser usar “por nada”, opte, então, por qualquer destas expressões: Não há de que; Não seja por isso; Obrigado você, etc. Quem responde “de nada” são os espanhóis, mas os espanhóis nem dizem obrigado, dizem “gracias”.

ESTOU DE FÉRIAS OU ESTOU EM FÉRIAS?

Ambas as expressões estão corretas. Não dúvidas de que a primeira é mais usada, mas a segunda é perfeitamente castiça: Estou em férias (= Estou em gozo de férias); As crianças já estão de (ou em) férias.
Uma curiosidade: Está claro que todos temos o direito tanto de sair de férias quanto de entrar em férias. Notou? Trocamos o verbo justamente por seu antônimo, e o significado não mudou.

DEFESO (Ê) / DEFESSO (É)
Convém não confundir. Defeso (ê), como adjetivo, significa: é proibido, impedido; como substantivo, é período do ano em que é proibido caçar ou pescar: É defeso aos pescadores pescar lagostas no defeso. Defesso (é) é cansado, exausto; Não é com tropas defesas que se vencem guerras.

ELEGANTÉRRIMO
Evite usar esta extravagância, próprias de pessoas pedantes ou não completamente escolarizadas. Use: Muito elegante ou elegantíssimo.

EM ABERTO
Os jornalistas usam e abusam desta expressão, como equivalente de “por resolver”: Dom Mauro diz que Programa Fome Zero está em aberto; PT deixa em aberto apoio à taxação de inativos . Até a usam simplesmente por “aberto”: Vagas em aberto.
A verdade é que a língua rejeita locuções adjetivas formadas de “em + adjetivo”. O mesmo se diz com as expressões: em anexo, em separado.

RELAMPEJAR
Sempre com “e” fechado: relampeja, relampeje, etc. Existem, ainda, as formas: relampear, relampadar, relampadejar, relampagar e relampaguear, algumas delas só usadas em Portugal. São as chamadas formas variantes ou formas sincréticas.

OBSOLETO (COMO SE PRONUNCIA?)
O “e” soa fechado no Brasil, mas aberto em Portugal. A propósito, pronunciamos no Brasil com “e” aberto: completo, correto, dileto, discreto, quieto, repleto, reto, secreto, seleto, teto, etc. Porém, obsoleto (ê). Não deixa de ser uma incoerência.

 (*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Escreve esta Coluna toda terça-feira. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.



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