A presidente Dilma Rousseff participou nesta
terça-feira (4) de evento comemorativo aos dois anos do Mais Médicos e, em
discurso, agradeceu a participação dos profissionais cubanos no programa. O
evento ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília.
"Os médicos que vêm de fora dos outros países participam de forma
solidária conosco. Tenho obrigação de me referir a um país. Tenho obrigação de
me referir à participação de médicos cubanos, que deram mostra, junto com o
governo cubano, de solidariedade, profissionalismo, atendimento absolutamente
humanizado. E quero agradecê-los e dizer que vocês [médicos cubanos]
estreitaram as relações entre o Brasil e Cuba. Vocês são responsáveis por uma
relação que hoje não está concentrada, está distribuída por todo o território
nacional", disse Dilma.
No evento, a presidente afirmou ainda que recebeu muitos conselhos para
interromper o programa. Segundo ela, esses conselhos diziam que o governo
"ficaria mal" com os médicos. Para a presidente, essa afirmação lhe
soava "estranha".
"Como poderíamos ficar mal com os médicos se estávamos lançando um
programa chamado Mais Médicos? Acredito que havia um desconhecimento básico do
sentido do programa. Ao mesmo tempo em que críticas eram um tanto quanto
extremadas, eu tenho de destacar que por parte dos prefeitos, dos setores,
houve também elogios com muita intensidade", afirmou a presidente.
Em julho de 2013, o governo federal lançou o programa Mais Médicos, com
a intenção de levar profissionais a regiões mais carentes do país. Na ocasião, o governo anunciou que a prioridade seria preencher as vagas
do programa com profissionais brasileiros. Os postos de trabalho remanescentes
seriam ocupados por profissionais estrangeiros ou brasileiros formados no
exterior.
A vinda de médicos estrangeiros gerou polêmica e foi criticada pelas
entidades de médicos porque permitiu que profissionais que se formaram no
exterior atuassem no Brasil sem a necessidade de fazer o exame de revalidação
do diploma, o Revalida, que permitiria ao médico atuar tanto no setor público
quanto no setor privado.
Na comemoração dos dois anos do programa o governo ainda anunciou a
criação de mais 3 mil bolsas de residência médica no país. Segundo o Ministério
da Saúde, 75% dessas vagas são para ampliar a formação de médicos especialistas
em medicina geral de família e comunidade.
Além disso, de acordo com a pasta, as regiões Norte, Nordeste e
Centro-Oeste terão prioridade na oferta dessas bolsas “para corrigir o déficit
histórico de profissionais nessas regiões”, segundo o Ministério da Saúde. A
oferta de vagas faz parte do programa Mais Médicos, que também é voltado para o
aumento e melhoria da formação médica.
Em seu discurso, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que houve
aumento do número de consultas e redução da necessidade de internações, desde
que o programa Mais Médicos foi implementado. “O programa não foi criado só
para aumentar o número de médicos, mas para garantir qualidade e humanização do
atendimento”, afirmou.
O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, também destacou a
importância da humanização do atendimento. “O médico precisa se transformar em
um especialista em gente”, afirmou Janine, citando o cardiologista e
ex-ministro da Saúde Adib Jatene.
Janine lembrou, ainda, que as áreas mais desenvolvidas do país estão nas
capitais e no litoral e destacou a importância de levar médicos e educação ao
interior do Brasil. “Raros são os estados que têm o interior desenvolvido.
Raros são os estados afastados do Oceano Atlântico que têm desenvolvimento avançado”,
disse.
Balanço - O governo federal divulgou que, em dois anos de funcionamento, o programa levou
18.240 médicos a 4.058 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas
(DSEI), beneficiando cerca de 63 milhões de pessoas. Até 2017, a intenção do governo é criar 11,5 mil novas vagas de
graduação em medicina e 12,4 mil vagas de residência médica para formação de
especialistas com foco em áreas prioritárias para o SUS. (G1)

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