
Inspirada na líder sindical paraibana Margarida
Maria Alves, assassinada em 1983 por defender direitos sociais de
trabalhadores rurais, a Marcha das Margaridas chega à 5ª edição em uma
trajetória de 15 anos marcada por conquistas para as mulheres do campo e
algumas frustrações no caminho.
Desde 2000, campesinas, quilombolas, indígenas,
cirandeiras, quebradeiras de coco, pescadoras, ribeirinhas e extrativistas do
Brasil todo vêm a Brasília em agosto com suas camisetas lilás e chapéu de palha
para marchar por igualdade, autonomia e melhores condições de vida e trabalho
para as mulheres no campo e na floresta. A marcha, organizada pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), com o apoio de outras
entidades sindicais, é considerada a maior mobilização de trabalhadoras rurais
do país. As margaridas marcharam em 2000, 2003, 2007 e 2011. Elas voltam a
ocupar a Esplanada dos Ministérios hoje (12), exatamente 32 anos após a morte
de Margarida Maria Alves.
“Há 15 anos, construir uma marcha em Brasília no
momento neoliberal que o país vivia foi um ato de profunda ousadia dessas
mulheres. Estamos falando de mulheres que moram em lugares distantes, no meio
da floresta, nos rincões do Semiárido. Entre essas mulheres estava o maior
número de pessoas que passavam fome, o acesso a políticas públicas era muito
complicado”, lembrou. “De lá pra cá, algo muito importante aconteceu, colocamos
na agenda do Estado brasileiro a necessidade de políticas que estivessem ao alcance
das mulheres e homens do campo”, lembra a vice-presidenta da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Carmem Foro, que esteve à frente da organização de duas
marchas quando era secretária de mulheres da Contag.
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