sexta-feira, 4 de setembro de 2015

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antonio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-Ce - 05.09.15)

ESTOU DE FÉRIAS OU ESTOU EM FÉRIAS

Ambas corretas: Entraremos de (ou em) férias amanhã; Sairemos de (ou em) férias na próxima semana; As crianças já estão de (ou em) férias.

Quem entra em férias, entra em gozo ou regime de férias. Ao usarmos a preposição “em”, estaremos usando a preposição pedida pelo verbo. Ao optarmos por “de”, estaremos empregando a preposição que acompanha o substantivo, que com ela forma uma locução. Quem entra em aula, contudo, só entra “em”, jamais entra “de”, porque não se entra em regime (e muito menos em gozo) de aula.

Resta dizer resta dizer apenas que, se férias aparecer com adjunto só se usa “em”: Os empregados da Fiat entrarão em férias coletivas amanhã; Os funcionários das Indústrias automobilísticas sairão amanhã em férias compulsórias.

OBS.: Usa-se, também, indiferentemente: “Estou de serviço” ou “Estou em serviço”, mas apenas “Estou de plantão”.

SALVADOR OU SÃO SALVADOR?
Sem dúvida, Salvador. Hoje não tanto, mas antigamente se dizia muito “São Salvador”. A capital da Bahia, que já possuía uma letra a mais por deferência toda especial, chama-se apenas Salvador. Aliás, a Bahia parece abrigar, em termos de língua, fatos exóticos por excelência. Já houve tempo em que alguns exigiam que se dissesse soteropolitano à pessoa que nascesse em Salvador. 

Explica-se: Soterópolis é o nome erudito de Salvador, já que em grego “soter” significa salvador e “polis”, cidade. Soterópolis = Cidade do Salvador. Hoje, poucos conhecem os soteropolitanos; muitos, contudo, já experimentaram a simpatia dos (ou das) salvadorenses.

É PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS AO SERVIÇO
É também correta a construção: É proibido entrada de pessoas estranhas ao serviço; É necessário paciência; Mas  - é necessária a paciência.

AS OUTRAS FALAM QUE VENDEM MAIS
Falamos de, sobre, a respeito. Jamais falamos que... O enunciado somente ficará correto com a necessária substituição do verbo “ficar” por “dizer”. CORRIGINDO: As outras dizem que vendem mais.

A MAIORIA DOS FILHOS, INDEPENDENTE DA VONTADE DE SEUS PAIS, ESTUDA BEM MENOS DO QUE DEVIA
Embora possa não ser percebida com a desejada rapidez, a frase apresentou uma incorreção bastante significativa. Confundiu-se aí O advérbio “independentemente”, que, no caso, é o que exige o enunciado, com o adjetivo “independente”. 

CORRIGINDO: A maioria dos filhos, independentemente da vontade de seus pais, estuda bem menos do que devia.

EM TEMPO: Seriam também aceitas pela concordância verbal as formas “estudam” e “deviam”.

DESEJAR VOTOS (REDUNDÂNCIA?)
Redundância. Na palavra “voto” já existe a ideia de desejo. Assim, "desejar votos” é rigorosamente o mesmo que escrever “um escrito”, faltar “uma falta” ou pescar “um peixe”. Votos se formulam, se expressam. Portanto, “formulo-lhe votos de muitas felicidades” ou “desejo-lhe muitas felicidades”. E a felicidade se fará...




(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Escreve esta Coluna toda terça-feira. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.



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