sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Dilma promete revisar Orçamento e prepara tributo para cobrir rombo
O
Orçamento enviado ao Legislativo prevê um inédito déficit de R$ 30,5 bilhões.
"Nós não fugiremos às nossas responsabilidades de propor a solução ao
problema. O que nós queremos, porque vivemos num país democrático, é construir
essa alternativa, não transferindo a responsabilidade a ninguém, porque ela
sempre será nossa", afirmou Dilma.
A solução
deverá vir numa forma de taxas ou impostos destinados a custear
prioritariamente a área da saúde. Dois dias após desistir de incluir na
proposta do Orçamento uma nova CPMF, o governo estuda nos bastidores uma forma
de recriar o imposto do cheque com novo formato. A estratégia é que um deputado
ou senador governista apresente mais adiante um projeto de lei para ressuscitar
a CPMF, mas associe alguma "bondade" ao novo tributo
No
Palácio do Planalto, Dilma disse que, apesar de "não gostar" da CPMF,
não descartava a possibilidade de criar uma nova fonte de receita. "Eu não
gosto da CPMF. Acho que a CPMF tem suas complicações. Mas não estou afastando a
necessidade de criar nenhuma fonte de receita. Quero deixar isso claro, para
depois, se houver a hipótese de a gente enviar essa fonte, nós
enviaremos", disse.
O plano
do governo é repartir o novo tributo entre União, Estados e municípios. Para
tornar o remédio menos amargo, porém, a ideia é aumentar a fatia para Estados e
municípios. Além disso, o Planalto quer propor um imposto
"temporário", por no máximo dois anos. Com uma alíquota de 0,38%, a
CPMF daria ao governo uma receita líquida aproximada de R$ 70 bilhões por ano
A
tentativa de recriar a CPMF foi rechaçada por aliados do governo e pela
oposição na semana passada, o que levou o governo a recuar da proposta na noite
de sábado.
Agora, na
lista das ideias avaliadas por deputados e senadores aliados está uma que prevê
um tipo de "abatimento" no Imposto de Renda para quem tiver
descontada a CPMF. O governo quer deixar claro, ainda, que, se a CPMF for
reeditada, será em novo modelo. Conforme um auxiliar da presidente, o Planalto
não quer que a CPMF seja encarada como um imposto para resolver um problema
fiscal. "O projeto é que seja utilizado para financiar a saúde e a
Previdência".
Embora o
ministro da Saúde, Arthur Chioro, tenha afirmado que não tratou do assunto nas
reuniões mantidas ontem com deputados, todos relataram que ele agia como
emissário do governo para emplacar, por meio do Legislativo, a proposta de
retomada da CPMF.
Adendo - Em busca de apoio político no Congresso, o
ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, também admitiu ontem que haverá
mudanças no projeto da lei orçamentária, por meio de revisões feitas pelo
governo na tramitação da proposta.
"Alguém
falar que déficit é bom, não é bom. Nós não achamos ele bom. Se a gente achasse
o déficit bom, nós iríamos abraçá-lo, mas nós queremos resolver o problema do
déficit", afirmou a presidente.
Na terça-feira, Dilma conversou com Cunha e Renan. Mesmo a
Cunha, que está rompido com o governo, a presidente pediu ajuda. Na prática,
Dilma quer que o Congresso Nacional vote medidas capazes de cobrir o déficit do
governo e não crie novos gastos. (Correio
Braziliense)
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