As vestimentas de biossegurança
utilizadas pelos profissionais de saúde são de uso exclusivo nos locais de
trabalho. Esse é o entendimento do Conselho Regional de Medicina do Estado do
Ceará (Cremec) em parecer emitido em agosto de 2014, respaldado em recomendação
da Organização Mundial de Saúde (OMS) e em norma da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa).
”O uso do jaleco deve ser restrito ao ambiente
de trabalho do profissional de saúde”, diz o parecer sobre essa vestimenta de
trabalho. O jaleco é um Equipamento de Proteção Individual (EPI) usado para
resguardar profissionais e pacientes dos microrganismos presentes no ambiente
hospitalar. Assim sendo, a exposição dos jalecos em locais públicos ou de
circulação de pessoas representa riscos para a saúde pública.
“É
essencial que os profissionais utilizem os jalecos de forma correta”. A
afirmação é da integrante da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do
Hospital Geral de Fortaleza (CCIH/HGF), Waldélia Monteiro. De acordo com ela,
as vestimentas de proteção individual podem transportar germes, bactérias,
vírus e fungos. Além dos jalecos, existem outros tipos de EPI's que são
utilizados dentro de ambientes privativos como máscaras, luvas, gorros,
aventais e roupas específicas para o centro cirúrgico.
O uso dessas vestimentas
deve ser controlado de forma eficaz. “É necessário zelar pelo uso adequado das
vestimentas de biossegurança, pois elas podem se tornar um risco biológico”,
diz a especialista da CCIH. “Não se deve permitir que os profissionais saiam da
unidade utilizando-as”, acrescenta.
Em
alguns estados e cidades do Brasil há leis que proíbem uso dos jalecos fora do
ambiente de trabalho. É o que ocorre no Maranhão, Espírito Santo, Paraná, Rio
de Janeiro e nas cidades de Belo Horizonte, Goiânia e Recife. Em São Paulo e no
Paraná, o profissional da área de saúde que desrespeita a proibição de
equipamentos de proteção individual, como o jaleco, fora do ambiente de
trabalho fica sujeito a multa.
A Norma Regulamentadora 32, da Anvisa, que trata
da segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, estabelece que “os
trabalhadores não devem deixar o local de trabalho com os equipamentos de
proteção individual e as vestimentas utilizadas em suas atividades laborais”. O
manual de biossegurança laboratorial da OMS sustenta que o uso do jaleco
somente no espaço de trabalho dificulta a contaminação por microrganismos
infectantes dentro e fora do local de trabalho.
Estudos
realizados inclusive no Brasil respaldam essa preocupação e confirmam que o
vestuário utilizado no cotidiano do profissional de saúde pode ser considerado
um potencial reservatório para a transmissão de microrganismos envolvidos na
ocorrência das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). Pesquisa da
Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) detectou a presença de bactérias em
95,8% dos jalecos médicos analisados.
Dentre elas estava a Staphilococcus
aureus, principal responsável pelas infecções hospitalares. Estudo realizado
pelo Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) revelou que alguns tipos de bactérias se mantêm por até dois meses no
jaleco e pelos menos 90% delas resistem no tecido durante 12 horas. Os próprios
estudos confirmam que os jalecos são transmissores potenciais de organismos
multirresistentes.
A
recomendação para os profissionais de saúde e nunca sair de um local privativo
como, por exemplo, centro cirúrgico, unidades de terapia intensiva e áreas de
isolamento utilizando vestimentas de proteção individual. O profissional deve
acomodar esses EPI's em locais apropriados que são disponibilizadas na saída de
cada unidade. Conforme a OMS, os jalecos são usados para formar uma barreira de
proteção e reduzir o risco de transmissão de microrganismos. Previnem a
contaminação das roupas, protegendo a pele da exposição a sangue e fluidos
corpóreos, salpicos e derramamentos de material infectado. Para o uso correto
dessa vestimenta, faz as seguintes observações:
-
Uso de jaleco é permitido somente nas áreas de trabalho;
- Os jalecos
nunca devem ser colocados no armário onde são guardados objetos pessoais;
- Devem ser
descontaminados antes de serem lavados.
(Fonte: Assessoria
de Comunicação da Sesa)
Lamentavelmente, na maioria das cidades brasileiras, inclua-se Sobral, o jaleco tem sido visto pelas ruas, usado como cartão de apresentação, ou melhor, de exibição, para acadêmicos ainda em formação (universitária e psicológica), bem como mal usado por profissionais da saúde já formados há anos.
E em meus escritos já mencionei esse tema mais de uma vez. Releia-os, clicando abaixo:
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