O
deputado federal Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), relator do processo sobre Michel
Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, se posicionou
nesta segunda-feira a favor do prosseguimento da ação contra o presidente.
Zveiter
avaliou que o pedido da Procuradoria Geral da República para que Temer seja
julgado no STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção é válido - decisão que
amplia a pressão sobre o presidente, mas ainda pode ser revertida.
Em
seu relatório, Zveiter afirma que a delação da JBS apresentou "indícios
suficientes" que justificam que a ação avance. "Não
é fantasiosa a acusação; é o que temos e deve ser apurada", afirmou.
Segundo
Zveiter, o encontro entre Temer e o empresário Joesley Batista, em março,
trouxe à tona "sólidos indícios" de que o presidente tenha cometido
delitos. A gravação do encontro foi entregue pelo dono da JBS à Procuradoria
como parte de seu acordo de delação premiada.
O
deputado afirmou, porém, que sua decisão não implica a condenação do
presidente, mas sim o prosseguimento da ação para que a verdade seja conhecida
e que ele possa se defender.
Concluída a leitura do relatório,
deputados da CCJ debaterão seu conteúdo a partir da quarta-feira.
Cada um dos 66 membros da comissão
poderá falar por até 15 minutos. Mas o governo tenta acelerar a análise, para
que a Câmara vote antes do recesso parlamentar, que vai de 18 a 31 de julho.
O Palácio do Planalto avalia que a
demora para concluir a votação desgasta ainda mais Temer e reduz suas chances
de êxito.
Por enquanto, segundo um levantamento
do jornal O Globo, 21 deputados da CCJ disseram que votarão pela aceitação da
ação contra Temer, e dez afirmaram que se manifestarão contra. Outros 35
deputados se disseram indecisos ou não responderam. O resultado da votação na CCJ será
definido por maioria simples.
Partido
dividido - O relatório de Zveiter representa uma importante derrota para o
governo - vários deputados avaliam que o texto influenciará a decisão final da
Casa. O
parecer dificulta ainda a tarefa de Temer ao demonstrar que nem mesmo seu
partido, o PMDB, está unido em torno de sua permanência.
Muitos
parlamentares peemedebistas têm sinalizado que podem abandonar Temer à medida
que surjam novas denúncias contra o alto escalão do governo. O
baixo índice de aprovação do presidente - 7%, segundo a última pesquisa do
Datafolha - também estimula as deserções.
Nas últimas semanas, um dos mais
influentes congressistas da legenda do presidente, o senador Renan Calheiros
(PMDB-AL), passou a defender abertamente a saída de Temer. A postura fez com que o PMDB o
retirasse da liderança do partido no Senado, mas pode encorajar outros
congressistas da sigla a seguir o mesmo caminho.
Trocas
na comissão - O relatório contrário a Temer também deve reforçar a movimentação
entre partidos da base para substituir membros da comissão que possam votar
contra o presidente.
Embora
a votação na CCJ não seja definitiva, muitos deputados acreditam que seu
resultado será referendado pelo plenário. Por isso, o governo tem redobrado os
esforços na comissão.
Em entrevista à BBC Brasil em junho, o
vice-líder do PMDB na Câmara Darcísio Perondi disse que o Planalto usaria
"todas as armas" para vencer a votação, o que incluía substituir
membros na CCJ.
As substituições foram criticadas
nesta segunda por alguns deputados removidos da comissão por seus partidos. Perondi afirmou que o governo também
poderia demitir indicados políticos de deputados rebeldes e direcionar recursos
para Estados cujas bancadas apoiassem o presidente.
A própria escolha de Zveiter como
relator foi um mau sinal para o governo. Auxiliares do presidente tentavam
emplacar algum deputado mais próximo do governo - caso do deputado ruralista
Alceu Moreira (PMDB-RJ) -, mas o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG),
optou por um nome mais neutro.
Próximos
passos - Após o debate na CCJ, os deputados votarão o relatório. Se o governo
obtiver a maioria dos votos, será elaborado um novo parecer que represente a
posição vitoriosa. Este
documento será então levado ao plenário da Câmara.
Para que a denúncia contra o
presidente avance, são necessários os votos de 342 deputados (dois terços da
Casa). Temer barra a iniciativa se a soma de
abstenções e votos a seu favor alcançar 172.
Se a Câmara votar pela aceitação da
denúncia e o STF resolver julgar Temer, ele será afastado por até seis meses,
prazo para a conclusão do julgamento. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(PMDB-RJ), assumiria nesse período e teria de convocar eleições indiretas caso
o STF condene o presidente. (BBC)

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