terça-feira, 1 de agosto de 2017

POUCAS E BOAS - artemisiodacosta@hotmail.com - SOBRAL-CE - QUARTA-FEIRA - 02.08.2017

Tinha de ser Rei
Já famoso, certa vez este homem se condoeu com a precária situação de um dono de circo e garantiu: “Irei me apresentar hoje aqui”. Quase não acreditando, o pobre empresário espalhou a notícia e não deu outra: casa cheia e a maior bilheteria que já viu. Ao tentar repartir o apurado ouviu do artista: ‘Aproveite bem e compre uma empanada hoje mesmo’. Assim era Luiz Gonzaga do Nascimento, que nasceu em Exu (PE), em 13 de dezembro de 1912, e morreu no Recife (PE), em 02 de agosto de 1989.


Em se tratando de Luiz Gonzaga ouvem-se muitas dessas ações de bondade por ele praticadas. Muitas outras denotam generosidade, humildade, aspereza ou sinceridade pra dizer o que pensava, bem como ações que demonstravam também seu lado brincalhão. Conheça apenas alguns desses gestos do Rei do Baião:

- Numa de suas excursões pelo Brasil, enquanto consertavam seu carro foi tomar café numa tendinha de beira de estrada. A cazefeira o reconheceu, perguntou se podia lhe dar um abraço e disse:”Agora posso morrer satisfeita, pois vi Luiz Gonzaga de pertinho”. Quando o sanfoneiro perguntou quanto pagaria pelo café a mulher respondeu que o pagamento era tê-lo conhecido. Do seu jeitão, Gonzaga arrastou um bolo de dinheiro e deu àquela cafezeira. Essa quantia foi suficiente deu para comprar várias sacas do produto e para ela ganhar um bom de dinheiro.

- Noutra ocasião, ele ouviu de um pedinte: ‘Dê-me uma ajudinha pelo amor de Deus. É melhor eu pedir que roubar, não é?’. Sem titubear, deu a esmola, mas, de sobra, também a lição de moral: ‘Oxente, cabra! Tu só sabe fazer essas duas coisas mesmo?

- Numa época em que o forró estava meio em baixa, Gonzagão se apresentava num show na Paraíba. Pouca gente, o povo não se empolgava, ele tocou, cantou, cantou e o público começou a gritar: “Tá bom, seu Luiz. Chame o Pinto, Chame o Pinto (Pinto do Acordeom)!”. Gonzagão falou para o grupo: “Para, para, para... Oi, moçada, um galo véi como eu não tá dando conta do recado, carcule um pinto!”.

- Vendo Gonzagão com os calçados sujos, o cantor Alcymar Monteiro convidou seu genial colega para engraxar os sapatos numa praça. O mestre sentou-se na cadeira do engraxate, que, cabisbaixo, fazia seu serviço sem notar o artista. Quando levantou a cabeça, olhou meio desconfiado e disse: “Muito parecido com Luiz Gonzaga”. E, com seu vozeirão, Gonzagão retrucou: “Tá bom... Antigamente, quando eu era mais novo, eu era Luiz Gonzaga. Agora, eu sou só parecido com ele”.

- Certo dia, ao chegar de madrugada em sua casa cansado, depois de um dos muitos shows, Gonzagão arriou no sofá, colocou a sanfona de lado e chamou a esposa. Ô, Helena! Traga aí minha chinela antes que comece. Minutos depois falou: Ô, Helena! Traga aí uma cervejinha gelada antes que comece. Passado pouco tempo, pediu: Ô, Helena! Faça aí um tira-gostozinho antes que comece. Já irritada, dona Helena disparou: Ô, Gonzaga! Tu chega numa hora dessas em casa e em tudo que só fala diz também “antes que comece, antes que comece”. Me diz, homem: Antes que comece o quê? E ele respondeu: Pronto, começou! (Gonzagão se referia à zanga da mulher)

- Numa de suas vindas a Sobral, ao passar de carro pela ponte Oto de Alencar em companhia de José Maria Soares, Ribamar Coelho e outras pessoas, teve pena das lavadeiras que trabalhavam nas areias quentes do rio Acaraú. Um dos colegas de viagem tentou amenizar: ‘Seu Luiz, daqui a pouco elas irão comer do bom e do melhor na casa do patrão’. Ele bradou: ‘Qual nada! Lá elas só entram pela porta dos fundos e saem ligeirinho, ligeirinho’.

- Também em Sobral, na hora do almoço Luiz Gonzaga foi tomar um aperitivo numa bodega que ficava próximo de onde estava hospedado na Rua Oriano Mendes e ouviu de uma das  muitas pessoas que estavam no recinto: “Ô, veio macho!" Depois do gole, o velho sanfoneiro respondeu: “Sou velho, sim, mas educado”.

E como essas existem outras centenas de histórias pitorescas que gerariam vários livros sobre esse homem que fez fama no Brasil, e até no exterior. Em todas elas ensinando, do seu modo, a se viver melhor. Era sua receita: ser sempre humilde, fiel a seus pais e às suas raízes e agir em todas as ocasiões com simplicidade e autenticidade.

Esse homem do povo, que venceu através do talento e da obstinação, viveu seus 76 anos, cantando alegrias e tristezas, ajudando a amenizar o sofrimento dos menos favorecidos, lutando pela paz entre os irmãos e sempre consciente do seu dever de cidadão e de ser humano privilegiado. Dessa forma, transformou-se num belíssimo exemplo  de vida.

Seguir suas pegadas é o suficiente para quem deseja viver de tal modo que até lembrar a data da morte - 02 de agosto de 1989 - se reverte em momento especial.

Obrigatoriamente essa data torna-se ocasião de louvar a existência profícua de quem fez muito o bem, deixando o caminho traçado para quem deseja fazer o mesmo.

Foi exatamente isso o que fez Luiz Gonzaga do Nascimento, o eterno Rei do Baião, que num dia como hoje, 2 de agosto, deve ser muito lembrado no Brasil por ocasião dos 28 anos da sua morte.

Obrigado, Gonzagão!

E viva o rei!
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Nossa Senhora
A imagem de Nossa Senhora localizada entre as duas torres da Catedral foi colocada solenemente às 12h do dia 09 de janeiro de 2000, dia chuvoso e festivo para Sobral.

Responda, se souber
Quando o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, esteve em Sobral pela última vez? Resposta na Coluna de amanhã.

É mesmo, né?
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém... Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim... E ter paciência para que a vida faça o resto...” (William Shakespeare)


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