VAQUEIRO
VELHO
Eu
sou o filho primeiro
Com
orgulho de um vaqueiro
Da
fazenda Cajueiro
No sertão do Pernambuco
No sertão do Pernambuco
Cresci
vendo a conduta
De
meu pai na sua luta
E
foi grande esta labuta
Até
que ficou caduco
O
meu pai envelheceu
Com
a velhice, adoeceu
Na
doença, faleceu
Me
ferindo o coração
Minha
mãe já bem idosa
Amargurada
e chorosa
Foi
ter dois dedos de prosa
Com
nosso gentil patrão
Meu
marido é falecido
Logo
mais já terei ido
Me
atenda este pedido
Que
lhe faço em esperança
Em
nome desta Amizade
Esperando
sua bondade
Me
conceda a caridade
De
empregar minha criança
O
patrão já comovido
De
bondade bem munido
Ouvindo
este pedido
Firmou
com mãe este trato
Me
tornei o seu vaqueiro
Campeando
o tabuleiro
Entre
espinho e lajeiro
Fui
o rei daquele mato
Mas
o tempo foi passando
A
velhice foi chegando
Minha
força se esgotando
E
eu deixei de pegar gado
A
tristeza me abateu
Pergunto
que Rei sou eu
O
meu corpo esmoreceu
Estou
jogado de lado
Já
me fere o coração
Ser
idoso no sertão
Sem
forças para a missão
Neste
enorme tabuleiro
Fiquei
velho e bem cansado
Pelo
Mato fui rasgado
Só
me resta assim o enfado
Desta
vida de vaqueiro
Em
meu lombo pesa a idade
Lá
se foi minha mocidade
Perdi
a capacidade
De
enfrentar um barbatão
Meu
destino é o descanso
Buscarei
o meu remanso
Me
tornei um homem manso
Pela
força deste chão
Minha
vida dedicada
A
cuidar da vacarada
E
de sua bezerrada
Eu
tratei com grande amor
E
foi esta a minha vida
Cheia
de marca e ferida
Dela
fiz minha comida
Fiel
sempre a Deus Senhor
Pendurando
meu gibão
E
chorando ao meu patrão
Me
aposento neste chão
E
que foi a minha escola
Vou
sentar e descansar
Não
quero mais campear
Vou
agora dedicar


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