quinta-feira, 16 de novembro de 2017

COLUNA WILSON BELCHIOR: Professor Soares

Um dos melhores sentimentos que o ser humano experimenta é o da saudade. A saudade é na verdade, uma tristeza misturada de prazer. 
Quem com saudade não se lembra, dos seus tempos de colégio, dos professores, escadas melhores e seguras, para nossas evoluções? Acredito que ninguém.

Relatarei um fato ingênuo, porém engraçado, que ocorreu com o nosso estimado Professor Soares, Francisco das Chagas Soares, professor de inglês e de espanhol.

Certa feita, numa aula de inglês, nosso colega José Artur Sanford, não sei por quais razões, talvez por ser ainda muito jovem, resolveu implicar com o Prof. Soares, e assim para ele se dirigiu:

- Soares, você teria coragem de falar com um americano, por exemplo, com meu avô John Sanford que é americano?

- Antes de tudo, meu prezado Zé Artur, lembre-se que você é descendente de uma educada família, portanto, deveria respeitá-la tratando-me corretamente como Professor Soares, e não por Soares, como você a mim se dirigiu, como se fora eu um “Zé Mané”. Portanto, repita, por favor, a pergunta com o correto tratamento.

- Tá bem, Professor Soares! O senhor teria coragem de falar com uma americano, como, por exemplo, meu avô, John Sanford?

- Prezado Zé Artur, para falar com um americano não é preciso ter coragem, basta falar bem inglês, e eu falo com a mais absoluta perfeição. Na verdade, com americano eu já muito falei, visto ser meu professor de inglês, um americano, mas teria sido prazero para mim ter falado com seu avô. Entretanto, posso lhe afirmar que, se preciso fosse, eu saberia falar não só com uma americano comum, mas até com o Presidente Dwight Eisenhower.

- Todos caímos na gargalhada pela forma do professor se expressar, e nosso amigo Zé Artur avermelhou, por apresentar a reação de certas pessoas, cujo rostos avermelham diante de situações emocionais embaraçosas.

Naquele tempo de Sobralense, nós, meninos danados, influenciados pelo Padre Gonçalo, intitulamos esse efeito com o nome de: Abajur de Puta.

Desde a última vez que vi meu amigo Zé Artur já se passaram muitos anos, mais de meio século, imaginem. Se, porventura, ele lesse esse escrito, gostaria que se relembrasse dos nossos tempos de Sobralense, e também do nosso insígne Prof. Soares, bem como dos filmes a que assistimos no Cine Alvorada, em Sobral, para depois, chupando Piper, ir ver na Praça 5 de Júlio, frente ao cinema, desfilarem as belas meninas sobralenses.







(*) Wilson Belchior é engenheiro civil, articulista, poeta e memorialista.  

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