Nos meus tempos de Colégio Sobralense, 1956 a
1960, eu tive um professor que, por suas qualidades morais, seus cabelos
brancos e rosto de bom avô, dele eu jamais esquecerei. Chamava-se Antônio
Ferreira Porto (Granja-CE – 1893 // Sobral-CE – 1982). Para minha turma, o
Prof. Porto, e para os alunos que o tratavam com respeito, carinho e admiração,
como eu, era o Portinho.
Lecionava Desenho e Trabalhos Manuais. Além
de pessoa humana por excelência, era ainda um bom escritor e poeta, que
costumava escrever artigos para o Jornal da Diocese, Correio da Semana. Eu sei
disso, porque os lia, e certa vez me pediu ele para eu ir correndo entregar um
artigo que acabara de escrever ao seu Adonias Carneiro, do Correio da Semana.
Segundo Adonias, o jornal, na época, fazia concorrência com o The New York
Times. Fui lá para lhe pedir, em nome do professor, que publicasse na edição já
quase pronta para ir para o prelo.
O Portinho era um homem de Fé, a ponto de não
acreditar nos feitos da ciência. Lembro-me que, uma vez na classe, tentou nos
explicar, a não existência da bomba atômica, considerava tudo invenção dos
jornais e revistas americanos.
- Como pode uma bomba só, acabar com uma
cidade inteira?
- Dizia ele, referindo-se às bombas atômicas da II Guerra Mundial, que
destruíram, instantaneamente, Hiroshima e Nagasaqui.
- Se elas existirem, tragam-me uma, que eu a soltarei na minha mão, como fazem
vocês com os foguetes do Luis Fogueteiro.
- Foguetes esses que se destinavam a alegrar as festas juninas.
Nesse tempo o Portinho escreveu um acróstico, homenageando uma neta, filha da Teresinha Porto. Estando eu com ele, certa vez, leu esse acróstico para mim, e, ao terminar a leitura, estava chorando. Eu achei o acróstico muito bonito, o memorizei, recitei muitas e muitas vezes para outros e para mim mesmo. Hoje o transcrevo, passados sessenta anos, para ser lido por todos, no Face, principalmente pelos que amam poesia.
- Foguetes esses que se destinavam a alegrar as festas juninas.
Nesse tempo o Portinho escreveu um acróstico, homenageando uma neta, filha da Teresinha Porto. Estando eu com ele, certa vez, leu esse acróstico para mim, e, ao terminar a leitura, estava chorando. Eu achei o acróstico muito bonito, o memorizei, recitei muitas e muitas vezes para outros e para mim mesmo. Hoje o transcrevo, passados sessenta anos, para ser lido por todos, no Face, principalmente pelos que amam poesia.
Eu não conhecia a Maria Teresa, mas tentei
encontrá-la e consegui, com a ajuda dos amigos Aldemir Arruda, Firmino Dias
Lopes, Isabel Cristina Fontenele e, finalmente, de uma sua prima chamada Alice
Porto. Tão logo a encontrei, mostrei-lhe o acróstico, ela ficou emocionada e
feliz. E eu, ainda mais do que ela. Vejamos:
MARIA TERESA - ACRÓSTICO
Prof. Antônio Ferreira Porto
Mimosa flor e de uma beleza rara,
Acorda cedo e alerta a casa inteira
Remexe nos papeis que o pai deixara,
Irrefletidamente na cadeira,
Acorda cedo e alerta a casa inteira
Remexe nos papeis que o pai deixara,
Irrefletidamente na cadeira,
Arranca as flores todas da floreira.
Tem apenas um ano de nascida,
Essa pequena criança que na vida,
Retrata a mãe quando era pequenina.
Eesses versos insulsos, sem beleza,
São pedaços de mim Maria Teresa,
Asuspirar por ti loira menina...
Essa pequena criança que na vida,
Retrata a mãe quando era pequenina.
Eesses versos insulsos, sem beleza,
São pedaços de mim Maria Teresa,
Asuspirar por ti loira menina...
Como se não bastasse, quando buscava Maria
Teresa, tive a honra de conhecer outra neta do Prof. Porto, chamada Alice
Porto, que me confessou ser filha do Dodois, e ter o avô também escrito para
ela um poema, por ocasião do seu nascimento. Passou-o para mim, e estou também
postando no Face.
ALICE PORTO
Prof. Antônio Ferreira Porto
Professor Porto ao lado do filho Dodois
e da neta Alice (filha de Neuma E Dodois)
Mal ouvi teu soluço de criança,
comigo mesmo satisfeito disse:
eu tenho comigo a esperança,
essa menina vai chamar-se Alice.
comigo mesmo satisfeito disse:
eu tenho comigo a esperança,
essa menina vai chamar-se Alice.
Dito e feito teus pais sem
discrepância,
o mesmo nome logo em ti puseram,
o bom gosto e o prazer às mãos se deram
desde a tua ditosa e calma infância.
o mesmo nome logo em ti puseram,
o bom gosto e o prazer às mãos se deram
desde a tua ditosa e calma infância.




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