terça-feira, 21 de novembro de 2017

COLUNA WILSON BELCHIOR: Saudoso professor Antônio Ferreira Porto

Nos meus tempos de Colégio Sobralense, 1956 a 1960, eu tive um professor que, por suas qualidades morais, seus cabelos brancos e rosto de bom avô, dele eu jamais esquecerei. Chamava-se Antônio Ferreira Porto (Granja-CE – 1893 // Sobral-CE – 1982). Para minha turma, o Prof. Porto, e para os alunos que o tratavam com respeito, carinho e admiração, como eu, era o Portinho.

Lecionava Desenho e Trabalhos Manuais. Além de pessoa humana por excelência, era ainda um bom escritor e poeta, que costumava escrever artigos para o Jornal da Diocese, Correio da Semana. Eu sei disso, porque os lia, e certa vez me pediu ele para eu ir correndo entregar um artigo que acabara de escrever ao seu Adonias Carneiro, do Correio da Semana. Segundo Adonias, o jornal, na época, fazia concorrência com o The New York Times. Fui lá para lhe pedir, em nome do professor, que publicasse na edição já quase pronta para ir para o prelo.

O Portinho era um homem de Fé, a ponto de não acreditar nos feitos da ciência. Lembro-me que, uma vez na classe, tentou nos explicar, a não existência da bomba atômica, considerava tudo invenção dos jornais e revistas americanos.

- Como pode uma bomba só, acabar com uma cidade inteira? 


- Dizia ele, referindo-se às bombas atômicas da II Guerra Mundial, que destruíram, instantaneamente, Hiroshima e Nagasaqui.



- Se elas existirem, tragam-me uma, que eu a soltarei na minha mão, como fazem vocês com os foguetes do Luis Fogueteiro. 

- Foguetes esses que se destinavam a alegrar as festas juninas.


Nesse tempo o Portinho escreveu um acróstico, homenageando uma neta, filha da Teresinha Porto. Estando eu com ele, certa vez, leu esse acróstico para mim, e, ao terminar a leitura, estava chorando. Eu achei o acróstico muito bonito, o memorizei, recitei muitas e muitas vezes para outros e para mim mesmo. Hoje o transcrevo, passados sessenta anos, para ser lido por todos, no Face, principalmente pelos que amam poesia.


Eu não conhecia a Maria Teresa, mas tentei encontrá-la e consegui, com a ajuda dos amigos Aldemir Arruda, Firmino Dias Lopes, Isabel Cristina Fontenele e, finalmente, de uma sua prima chamada Alice Porto. Tão logo a encontrei, mostrei-lhe o acróstico, ela ficou emocionada e feliz. E eu, ainda mais do que ela. Vejamos:

MARIA TERESA - ACRÓSTICO
Prof. Antônio Ferreira Porto


Mimosa flor e de uma beleza rara,
Acorda cedo e alerta a casa inteira
Remexe nos papeis que o pai deixara,
Irrefletidamente na cadeira,
Arranca as flores todas da floreira.

Tem apenas um ano de nascida,
Essa pequena criança que na vida,
Retrata a mãe quando era pequenina.
Eesses versos insulsos, sem beleza,
São pedaços de mim Maria Teresa,
Asuspirar por ti loira menina...

Como se não bastasse, quando buscava Maria Teresa, tive a honra de conhecer outra neta do Prof. Porto, chamada Alice Porto, que me confessou ser filha do Dodois, e ter o avô também escrito para ela um poema, por ocasião do seu nascimento. Passou-o para mim, e estou também postando no Face.

ALICE PORTO
Prof. Antônio Ferreira Porto

Professor Porto ao lado  do filho Dodois 
e da neta Alice (filha de Neuma E Dodois)

Mal ouvi teu soluço de criança,
comigo mesmo satisfeito disse:
eu tenho comigo a esperança,
essa menina vai chamar-se Alice.

Dito e feito teus pais sem discrepância,
o mesmo nome logo em ti puseram,
o bom gosto e o prazer às mãos se deram
desde a tua ditosa e calma infância.

Achei-o também muito bonito, dei-lhe parabéns, dizendo-lhe que, esse poema a enriqueceu, e com certeza tornará imorredoiras, suas lembranças para com seu saudoso avô, de quem tive a ventura de ser seu admirador e seu aluno. 





(*) Wilson Belchior é engenheiro civil, articulista, poeta e memorialista.  

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