Posso desejar feliz férias a alguém?
Só aos inimigos se deseja feliz férias. Com os amigos convém ser mais elegante, desejando-lhes felizes férias. Férias (descanso) é palavra que só se usa no plural, e todos os adjetivos que a modificam devem ir com ela: felizes férias; férias coletivas; alegres férias; boas férias; merecidas férias... Alguém, por acaso, já gozou “boa ferias”
Neste sábado vou ao Interior
Diga
simplesmente: Sábado vou ao interior. Quem ouve já conclui que se trata do
próximo sábado; não há necessidade de usar “neste”. Se estiver numa
quinta-feira, use depois de amanhã (e não, neste sábado); se estiver numa
sexta-feira, use amanhã (e não, neste sábado); se estiver no sábado, use hoje.
Os locutores de rádio e televisão têm a mania de usar neste sábado, neste
domingo, esquecendo-se de que existe hoje, amanhã e depois de amanhã.
Existe ou existem hoje, amanhã e depois
de amanhã?
Tanto
faz. O verbo quando aparece antes do sujeito composto, pode (e, muitas vezes,
deve) concordar com o elemento mais próximo. Observe que há uma passagem
bíblica assim: “Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão”. Não
quererá o caro leitor censurar tal frase, mesmo porque seria pecado mortal!
Por falar no verbo existir: Trata-se de
um verbo normal que concorda com o sujeito normalmente?
Sim.
Veja: Existem muitos jornalistas formidáveis neste país. Nunca existiram nem
existem corruptos no Brasil. Como se vê, eis aí duas verdades universais.
Declara, então, um governador de São Paulo, nascido em Pedregulho, interior
paulista: “Acho normal que exista reclamações do presidente, pois isso faz
parte da democracia”. Em tempo: Pedregulho é aumentativo de pedra.
Posso dizer, então, de que maracutaia
não existe?
Não.
Só mesmo os “artistas” do mundo contemporâneo é que usam “de” com todos os
tipos de verbo: Eu já disse de que não sou comunista; Nós acreditamos de que
deve haver mais justiça social; Eu já falei aqui deque o nosso modelo político
é Cuba; Nós já afirmamos várias vezes de que Fidel é o nosso grande líder.
Todas essas frases saem de bocas que não têm a mínima noção do que falam nem do
que balbuciam. O “dequeísmo” atual já tem história. Retire a preposição “de”
para que a frase fique correta: Eu já disse que não sou comunista; Nós
acreditamos que deve haver mais justiça social; Eu já falei aqui que o nosso
modelo político é Cuba; Nós já afirmamos várias vezes que Fidel é o nosso
grande líder. (Basta fazer a pergunta ao verbo: o que eu já disse? O
complemento é objeto direto: que não sou comunista).
Há impropriedade em dizermos, hoje,
“posto de gasolina”?
Impropriedade
total não há, porque os postos são também de gasolina melhor. Todavia, é
preferível referir-se a eles dessa forma: postos de combustível. Afinal, nesses
locais já não se vende só gasolina, mas também óleo diesel, álcool e outros
produtos (nas lojas de conveniências).


Nenhum comentário:
Postar um comentário