sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-CE - Sábado - 05.01.19)

Trabalho (Etimologia)
Do Latim “tripalium”, instrumento de tortura composto de três paus ou estacas, ao qual era submetido o condenado, quando não empalado num deles e ali deixado até morrer. Empalar é espetar pelo anos, suplício comum na Antiguidade, para o qual a crucifixão romana foi um avanço.

O étimo serviu de base à vinculação de trabalho e sofrimento, num vínculo com a condenação dos três personagens envolvidos no pecado original, que tiveram penas diferenciadas: a serpente, a de rastejar sobre a terra durante toda a sua existência; a mulher, a de se sentir atraída pelo marido, ele dominá-la e ela sofrer no parto; o homem, ganhar o pão com o suor do rosto até que voltasse à terra de onde foi tirado.

Hoje é ou são 29 de dezembro?
Alguns defendem a concordância do verbo “ser” com o numeral: É primeiro de outubro; São 29 de dezembro. Outros afirmam que a concordância deveria ser sempre no singular, pois estaria subentendida a palavra “dia”: Hoje é (dia)B 29 de dezembro.
Para não correr riscos, use sempre a palavra “dia”. Quando ela está expressa na frase, o verbo “ser” concorda obrigatoriamente no singular: Hoje é dia 29 de dezembro.

Um terço dos alunos já saiu ou saíram?
Segundo a tradição gramatical, quando o núcleo do sujeito é formado por uma fração, o verbo deve concordar com o numerador: Um terço dos alunos já saiu. Assim sendo: Um terço compareceu; Dois terços compareceram. É aceitável, entretanto, a concordância atrativa com o especificador: Um terço dos alunos já saíram. Temos aqui, portanto, um caso de concordância facultativa: Um quarto das empresas pesquisadas perdeu (ou perderam) meio milhão de reais.

Quando o verbo é de ligação (ser, estar, tornar-se...) é flagrante a nossa preferência pela concordância atrativa: Um terço das mulheres ficaram insatisfeitas; Um quinto das crianças já foram vacinadas.

Meio ou meia?
Como numeral (= metade) deve concordar: Tomou meio litro de uísque; Tomou meia garrafa de vodca; Leu um capítulo e meio do livro; São duas e meia da tarde; É meio-dia e meia.

OBS.: Como advérbio (= mais ou menos) é invariável: A aluna ficou meio nervosa; A diretoria estava meio insatisfeita; Os clientes andavam meio aborrecidos.

O musse ou a musse?
Segundo o Dicionário Aurélio e o Houaiss é substantivo feminino: “a musse”, e esta palavra está devidamente aportuguesada. E qual o significado de a musse? Musse (s. f.) - 1) sobremesa de consistência cremosa, feita de um ingrediente básico a que acrescentamos c 2) iguaria de consistência cremosa que contém carne, peixe ou frutos do mar e gelatina; 3) aerossol espumoso usado para amaciar e realçar os cabelos.

O omelete ou a omelete?
O Dicionário Aurélio registra “a omelete”. O Houaiss e o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras (ABL) consideram omelete um substantivo de dois gêneros: o omelete e a omelete.



(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos: (88) 99762-2542 e (88) 98141-2183.





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