O Secretário da Segurança do Ceará, André Costa,
afirmou nesta terça-feira (8) que os presídios do Ceará terão celas sem
tomadas, uma forma de evitar o uso de carregadores e celulares por presos. O
Ceará vive o sétimo dia de uma onde de violência com mais de 150 ataques, ordenados por chefes de facções de dentro de presídios.
Em entrevista à Globo News, André Costa disse ainda que não vai "recuar um
milímetro" do combate ao crime organizado.
"Alguns presídios, desde o ano passado, já têm
sido entregues sem tomadas nas celas, todos os projetos novos não têm tomada em
cela, inclusive alguns presídios reformados foram reformados e retirados essas
tomadas", afirmou o secretário.
A sequência de ataques no estado começou após o
secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, prometer
maior rigor na fiscalização dos presídios e acabar com as divisões de presos por facções nas
unidades do estado. A secretaria foi criada no segundo mandato do governador
reeleito do Ceará, Camilo Santana, em 1º de janeiro deste ano.
André Costa afirmou que as medidas prometidas por
Mauro Albuquerque serão mantidas e que a onda de violência é uma represália das
facções à "forma como o governo está agindo".
"A quantidade de ataques é proporcional à
forma como o governo está agindo, incomodando o crime organizado. A gente
realmente está agindo. Não vamos recuar um milímetro sequer nessas ações que o
estado tem implementado. A gente já viu um recuo desses crimes."
Ataques, prisões e prejuízo da população - Desde quarta-feira (2), o Ceará registra 160 ações
criminosas, com ataques incendiários a ônibus, prédios públicos e comércio. As
forças de segurança prenderam 170 suspeitos, de acordo com André Costa. Um dos
presos vendia combustível para criminosos cometerem os ataques e outro imprimia
"salve" e "toque de recolher" para criminosos, com ordens
para o fechamento do comércio.
Nesta segunda (7), parte das lojas na
periferia de Fortaleza e Região Metropolitana foi fechada. Três homens foram presos por
ameaçar comerciantes, caso eles abrissem as lojas.
A frota de ônibus também foi
suspensa em alguns momentos na Grande Fortaleza desde
quarta-feira. Vinte e dois veículos do transporte públicos forma incendiados
nos ataques.
Nesta terça, os veículos circulam com a frota
integral, mas com mudança na rota para evitar locais onde os crimes
são mais frequentes.
Motivação dos ataques - De acordo com o secretário da Segurança Pública do
Ceará, André Costa, a nomeação do novo secretário de Administração
Penitenciária do estado, Luís Mauro Albuquerque, provocou a onda de ataques.
Costa disse que "a criminalidade já conhecia o trabalho" do novo
gestor da pasta que administra os presídios do Ceará.
A sequência de ações criminosas ocorreu após uma
fala de Mauro Albuquerque, que prometeu fiscalizar com mais rigor a entrada de
celulares nos presídios. Desde o início da onda de crimes, agentes
penitenciários apreenderam 407 aparelhos em presídios.
Após os ataques, um dos chefes de uma facção
criminosa foi transferido para um presídio federal. Dezenove detentos também
devem ser levados para outras unidades prisionais nos próximos dias.
De acordo com uma fonte do Serviço de Inteligência
da Secretaria da Segurança ouvida pelo G1, membros de duas
facções rivais fizeram um "pacto de união", com o objetivo de
"concentrar as forças contra o Estado". Em pichações em prédios
públicos de Fortaleza, criminosos escreveram que "não vão parar até o
secretário sair". "Fora Mauro Albuquerque", diz a mensagem. (G1)


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