A onda de ataques no Ceará que
incendiou dezenas de veículos e prédios públicos no estado é motivada pelo
corte de "regalias" no sistema prisional, de acordo com o secretário
da Segurança Pública, André Costa. Desde janeiro deste ano, foram cortadas as
visitas íntimas e foram retiradas as tomadas elétricas nas celas, que eram
usadas pelos internos para carregar celulares que entravam de forma clandestina
nas unidades prisionais.
"Tem um pequeno grupo de detentos trabalhando pra um grupo
criminoso especificamente e eles estão revoltados, querem o retorno das
regalias, querem que volte a ter visita íntima, querem que volte a ter tomada
em cela. Por conta disso, eles estão incomodados, estão fazendo essas ações nas
ruas, pessoas ligadas a eles. Essa é a motivação."
Ainda conforme o secretário, o governo não vai recuar e vai manter o
corte das "regalias". A Secretaria da Administração Penitenciária
acrescenta que apreendeu 5,9 mil celulares nos presídios cearenses de janeiro a
agosto deste ano.
"O já determinado pelo governador Camilo Santana é que tudo que foi
determinado dentro e fora dos presídios, não vamos recuar um milímetro sequer,
não vamos voltar atrás, eles [criminosos que realizam os ataques] estão
perdendo tempo, não adianta nada o que eles estão fazendo, não vai servir de
nada no momento", concluiu André Costa.
O secretário acrescentou ainda que solicitou o empréstimo de 200
radiocomunicadores da Força Nacional.
Pelo menos 35 veículos foram parcial ou totalmente destruídos com
chamas e material explosivo. Os ataques também atingiram prédios
públicos e uma torre de comunicação.
Quatro pessoas se feriram nos crimes, incluindo um homem preso suspeito
de atear fogo a veículos. Até a noite de segunda-feira (23), o Governo do
Estado divulgou nesta terça que 15 suspeitos foram detidos, incluindo cinco
adolescentes.
Transporte público reduzido - Devido aos ataque que ocorrem no estado, que têm como alvos também os
ônibus do transporte público, a frota está reduzida em Fortaleza. Nesta
terça-feira, 70% dos veículos estão nas ruas e saem dos terminais escoltados
por policiais.
Pela manhã, as paradas de ônibus estiveram mais cheias que o habitual
devido à redução da oferta de veículos. Conforme o Sindicato das Empresas de
Ônibus do Ceará (Sindiônibus), todas as linhas estão operando, mas com o número
de veículos reduzido e algumas delas com desvio de itinerário para evitar áreas
onde os crimes são mais frequentes.
Ainda segundo o Sindicato, a frota deve se manter reduzida até o fim
desta terça, mas deve ser normalizada na quarta-feira (25).
Entre as vans do transporte público, que complementam o serviços de
ônibus, 102 veículos circulam em Fortaleza nesta terça, 45% da frota habitual.
As linhas mais afetadas são as que trafegam pelos bairros Conjunto Alvorada e
Conjunto Palmeira, de acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e
Cobradores de Vans no Ceará, Célio Rodrigues. (G1)
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