Vândalos,
vandalismo, são palavras bastante usuais, especialmente por parte da imprensa
nada responsável, nas referências a possíveis excessos de manifestações
populares de rua. São empresas de comunicação raivosas, as quais têm no
quietismo social o trunfo na manutenção do poder autoritário. Discorrem
matérias denunciativas, na sua óptica chamam, ainda, de baderneiros e malfeitores
a quem, por motivo de pura extravasão de sentimentos, danifique bens públicos
ou privados. Presos, de início, dependendo da intensidade do ato, respondem a
processos.
José Ingenieros
sentencia: “O espírito quietista impõe à juventude três jugos: rotina nas
ideias, hipocrisia na moral, domesticidade na ação. A sociedade é inimiga dos
que perturbam as suas “mentiras vitais”. Estão aí dois conceitos básicos, que
bem qualificam o falso moralismo, de preservação da ordem, do respeito às leis
e aos bons costumes. São partículas de frases de que se utiliza a mídia marrom
a fim de arrefecerem a rebeldia dos povos, naqueles instantes em que seus
direitos são subtraídos, quando não aniquilados. A lei, se justa, não deve ser
superada pois implica na imoralidade, na insana busca de atropelar os nobres
anseios da humanidade. É aí que entra a Justiça, a qual não deve ser imanente
nem de resultados absolutos.
Os detentores de
toga, mantenedores da civilização, porém escravos, como todos nós, da Constituição,
não podem sobrepor suas convicções pessoais, ainda que jurisprudenciais, diante
de preceitos, quanto mais se erigidos pelo povo, legitimados pelos seus representantes. A
Assembleia Constituinte, a qual culminou com a Carta Magna de 1988, ofereceu
aos segmentos da população brasileira, sem restrições, oportunidade de
encaminhar suas propostas. Eu, quando líder classista, junto a outros companheiros,
demos nossas sugestões no que tange à estrutura sindical. Debatida, assim como
as demais, na devida Subcomissão, transformaram-se no Art. 8º e seus
parágrafos.
Essa a linha adotada
na elaboração de cada ponto constitucional, estudados à exaustão. O tempo de se
insurgir contra ele, por não lhe agradar,já passou, por especial quando se
tratar de cláusula pétrea. Quem assim procede ou incita a seu desrespeito, se
equipara a vândalo, a diferença está no colarinho branco. Má lição para a
juventude, que neste mundo tecnológico assiste às suas manobras quietistas. Fui
instruído no sentido de que devemos sempre nos perfilar ante um símbolo nacional.
A Constituição é um desses emblemas, intangível. Danificá-la, traí-la é um
desserviço à ordem democrática e ao País; imperdoável vandalismo, se
considerarmos que parta de seus guardiães, que um dia juraram defendê-la.
(*) Inocêncio Nóbrega Filho é economista, jornalista, escritor Membro do
Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, residente em Maceió (AL).
Contato: inocnf@gmail.com


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