O presidente Jair
Bolsonaro afirmou, em entrevista à TV Record no domingo, que "o pior ainda
está por vir" e que pode ocorrer uma "catástrofe muito maior" no
derramamento de óleo que chegou à costa brasileira, já que o material recolhido
até agora seria apenas uma parte do que teria sido derramado.
De acordo com as
últimas informações da Marinha, cerca de 4 mil toneladas de óleo foram
retiradas das praias e do mar no Nordeste, mas o governo não sabe o quanto mais
ainda pode chegar. No última final de semana, o óleo começou a se aproximar do
arquipélago de Abrolhos, área considerada de maior diversidade marinha no
Atlântico Sul.
"A notícia
ruim: o que chegou até agora e foi recolhido é uma pequena quantidade do que
foi derramado, então o pior ainda está por vir, não sei se na costa do
Brasil", disse Bolsonaro.
O presidente
ressaltou que parte do óleo pode ter ido para outro lugar, mas as correntes
marinhas indicam que o caminho natural seria a costa brasileira.
"Então nós
temos um anúncio ainda de uma catástrofe muito maior que está por ocorrer por
causa desse vazamento que, pelo que tudo parece, foi criminoso", disse.
Na semana passada,
uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apontou o navio
grego Bouboulina como o mais provável responsável pelo derramamento. O navio
teria sido abastecido no Porto de José, na Venezuela e zarpado no dia 18 de julho
com destino à Malásia. A empresa Delta Tankers, proprietária do navio, nega
responsabilidade.
NOVO
PARTIDO - Em outro tema
tratado na entrevista, a crise com o PSL, seu partido, Bolsonaro disse que tem
hoje 80% de chances de deixar a sigla e 90% de criar um novo partido.
O presidente
reclamou que hoje é responsabilizado por quaisquer notícias de desvios de
recursos no partido e por isso a única maneira de ficar no PSL seria ter o
comando da sigla.
"Ou passo a ter
o comando das ações do partido, para a gente acabar com isso, abrir se tiver
alguma caixa-preta, e começar a fazer com o que fundo partidário vá para onde
tem que ir", disse. "O que pode acontecer? Eu posso sair do partido.
Quero apenas que seja cumprida uma determinação: transparência".
Inicialmente,
Bolsonaro foi desaconselhado por seus advogados a criar um novo partido, dadas
das dificuldades para recolhimento de assinaturas e, segundo o ex-ministro do
Tribunal Superior Eleitoral Admar Gonzaga --hoje um dos conselheiros do
presidente nesta questão-- a má vontade da população com a criação de novas
siglas.
No entanto, o
presidente agora acredita que é muito difícil assumir o controle do PSL, e
disse que seu sonho seria a criação de um novo partido.
"Meu sonho,
acho muito difícil eu assumir o comando do partido (PSL), é criar um partido
agora, que a gente pode colher assinatura eletrônica junto ao eleitorado. Até
março teria um partido, e eu teria ali, dos quase 6.000 municípios, talvez umas
200 candidaturas pelo Brasil. Estaria feliz com isso porque poderia escolher de
fato quem poderia concorrer", defendeu.
Para o registro de
um novo partido ser aceito pelo TSE são necessárias hoje 491.967 assinaturas, o
que representa os 0,5% do total de votos dados na eleição de 2018 para a Câmara
dos Deputados, como exige a legislação. Essas assinaturas ainda precisam ser
coletadas em no mínimo 9 estados.
O presidente
confirmou ainda que o novo pacote de medidas econômicas será entregue
pessoalmente por ele e o ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta terça-feira ao
Congresso.
Segundo a Reuters
apurou, a expectativa é que as medidas do pacto federativo sejam apresentadas
ao Senado, por onde começarão a tramitar, às 11h. Uma coletiva à imprensa
deverá ser realizada no mesmo dia. (Reuters)

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