O presidente da
República, Jair Bolsonaro, anunciou nesta segunda-feira (11) a extinção do seguro obrigatório DPVAT a partir de 2020. A medida
provisória nº 904 foi publicada nesta terça-feira (12) no Diário Oficial da
União. Veja perguntas e respostas sobre a medida.
O que é o Seguro
DPVAT?
Também conhecido como "seguro
obrigatório", o Seguro
DPVAT (Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de
Via Terrestre) cobre casos de morte, invalidez permanente ou despesas com
assistências médica e suplementares por lesões de menor gravidade causadas por
acidentes de trânsito em todo o país.
Ele foi instituído por lei em 1974.
Até agora, o pagamento era anual e obrigatório para todos os proprietários de
veículos e era feito junto com o IPVA. O seguro era um requisito para o
motorista conseguir renovar o licenciamento do veículo.
Em 2007, com a proposta de
centralização de gestão envolvendo o atendimento ao usuário, além de
representações nas esferas administrativa e jurídica, foi criada a Seguradora
Líder, que administra o DPVAT até então.
Assim como as demais seguradoras
particulares, a Líder é fiscalizada pela Superintendência de Seguros Privados
(Susep), uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Economia.
Quem pode pedir o
DPVAT e quanto recebe?
Qualquer pessoa que sofreu um
acidente de trânsito, seja pedestre, motorista ou passageiro. O seguro cobre
despesas médico-hospitalares e dá indenização por morte ou invalidez permanente
(veja os valores abaixo). A vítima ou familiares dela podem pedir o seguro até
três anos depois da data do acidente ou da ciência da invalidez ou da morte.
Quem recebe e quanto
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Cobertura
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Quem tem direito (beneficiários)
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Valores de indenização
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Morte
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Familiares ou herdeiros legais
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R$ 13.500 por acidentado (1)
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Invalidez permanente
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Somente o próprio acidentado
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até R$ 13.500 por acidentado (2)
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Despesas médico-hospitalares
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Somente o próprio acidentado
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até R$ 2.700 por acidentado (3)
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Fonte: Seguradora Líder
(1) Estes valores não são divididos entre as vítimas do mesmo acidente.
São pagos individualmente.
(2) O valor da indenização de invalidez permanente varia conforme a
gravidade da lesão.
(3) O valor do reembolso médico-hospitalar varia conforme o total de
despesas comprovadas.
Mais informações de como receber o
DPVAT podem ser obtidas pelos telefones 4020-1596 (regiões metropolitanas) ou
0800-0221204 (outras regiões).
Quantos benefícios
já foram pagos?
De 2009 a 2018, o DPVAT pagou mais
de 4,5
milhões de sinistros, segundo a Seguradora Líder. Nesse período, foram mais de 485 mil indenizações por morte, 3,2 milhões por
invalidez e 818 mil pagamentos de despesas médicas.
Só em 2018, o segurou pagou 328.142
indenizações para vítimas de acidentes de trânsito e seus beneficiários. Foram
38 mil por morte, 228 mil por invalidez permanente e 61 mil por despesas médicas.
Quando o Seguro
DPVAT vai acabar?
A partir de 2020, de acordo com a
medida provisória editada nesta segunda-feira. Porém, a MP precisa ser aprovada
pelo Congresso em até 6 meses, a partir da publicação no "Diário Oficial
da União", ou então perderá a validade.
Por que ele vai
acabar?
A Superintendência de Seguros
Privados (Susep), órgão federal que fiscaliza o mercado de seguros, disse ter
sido questionada pelo Ministério da Economia sobre fraudes, problemas com
órgãos de controle e alto índice de reclamações em relação ao seguro, e apresentou
dados que apontam a baixa eficiência do DPVAT. O órgão não divulgou esses dados.
O G1 procurou a Segura
Líder, gestora do DPVAT, mas não obteve retorno até a última atualização desta
reportagem.
Em setembro último, ela afirmou que,
em 2018, 11.898 fraudes ao DPVAT foram descobertas. E que, nos 7 primeiros
meses de 2019, conseguiu identificar mais de 4 mil, evitando um prejuízo de R$
29,6 milhões.
De acordo com a Susep, o volume de
reclamações do DPVAT é um dos maiores do mercado, "sendo a Seguradora Líder,
a 2ª colocada no ranking de reclamações da Susep". E, ainda conforme a
superintendência, atualmente, o DPVAT é alvo de processos movidos pelo Tribunal
de Contas da União (TCU) e de milhares de ações judiciais.
A Susep também destacou que o DPVAT
consome 19% dos recursos de fiscalização da superintendência, enquanto a
operação representa apenas 1,9% do volume de receitas. Ainda segundo a Susep, "espera-se que o próprio mercado ofereça coberturas adequadas para proteção dos proprietários de veículos, passageiros e pedestres".
Hoje, de acordo com o órgão, cerca
de 30% da frota circulante de veículos no Brasil já contam com essas e
outras coberturas.
De acordo com o governo, a extinção
do DPVAT não vai desamparar os cidadãos em caso de acidentes, já que o Sistema
Único de Saúde (SUS) presta atendimento gratuito e universal na rede pública.
Até quando serão
pagas indenizações por acidentes pelo DPVAT?
Sinistros ocorridos até 31 de dezembro de 2019 serão
cobertos pelo seguro. Assim, a atual gestora, Seguradora Líder, continuará
responsável pelos procedimentos de cobertura até 31 de dezembro de 2025.
Depois disso, a União sucederá a
Seguradora Líder nos direitos e obrigações envolvendo o DPVAT.
"Para os segurados do INSS,
também há a cobertura do auxílio-doença, aposentadoria por invalidez,
auxílio-acidente e de pensão por morte. E, mesmo para aqueles que não são
segurados do INSS, o Governo Federal também já oferece o Benefício de Prestação
Continuada – BPC, que garante o pagamento de um salário mínimo mensal para
pessoas que não possuam meios de prover sua subsistência ou de tê-la provida
por sua família, nos termos da legislação respectiva", afirma o governo.
Qual o valor do
Seguro DPVAT?
Ele era reavaliado a cada ano e era
mais caro para motos, que são o tipo de veículo que mais demanda indenizações
por acidentes.
O valor do seguro vinha caindo nos
últimos anos. Em 2019, essa queda chegou a 71% para automóveis, que pagaram R$
12, e a 56% para motos, para as quais foram cobrados R$ 180,65 (veja
os valores para todos os tipos veículos).
Segundo o Conselho Nacional de
Seguros Privados (CNSP), que definiu os preços em 2019, o valor do seguro baixou porque o volume de recursos acumulado em reservas era
maior do que as necessidades de atuação do Seguro DPVAT, como o pagamento de
indenizações.
De acordo com o governo, o Consórcio
do DPVAT contabiliza atualmente um total de R$ 8,9 milhões; sendo que o valor
estimado para cobrir as obrigações efetivas do seguro até o fim de 2025 é de
aproximadamente R$ 4,2 bilhões.
Quanto o governo
arrecada com o Seguro DPVAT? Para onde vai o dinheiro?
No ano passado, foram R$ 4,669
bilhões, distribuídos da seguinte forma:
· - 45% (R$ 2,101 bilhões) foram usados
para o financiamento do SUS;
· - 5% (R$ 233,5 milhões) foram
destinados ao Denatran para financiamento de programas de educação no trânsito;
· - 50% (R$ 2,334 bilhões) foram usados
para pagamentos de indenizações do DPVAT.
Com a extinção,
quem fica com o valor acumulado pelo DPVAT?
De acordo com o governo, o Consórcio
do DPVAT contabiliza atualmente um total de R$ 8,9 bilhões; sendo que o valor
estimado para cobrir as obrigações efetivas do seguro até o fim de 2025 é de
aproximadamente R$ 4,2 bilhões.
O valor restante, cerca de R$ 4,7
bilhões, será destinado, em um primeiro momento, à Conta Única do Tesouro
Nacional, sob a supervisão da Superintendência de Seguros Privados (Susep), em
3 parcelas anuais de 2020 a 2022.
Essas parcelas, segundo o governo,
são suficientes para compensar
as estimativas de repasse ao SUS e ao Denatran.
O que é DPEM, que
também será extinto?
O Seguro Obrigatório de Danos
Pessoais Causados por Embarcações ou por suas Cargas (DPEM) é para vítimas de
danos causados por embarcações. De acordo com o governo, ele está inoperante
desde 2016 porque não há seguradora que o oferte.
E o IPVA?
O Imposto sobre Propriedades de
Veículos Automotores (IPVA)
é estadual e não
está incluído na medida provisória que extingue o DPVAT. Seu
pagamento continua sendo obrigatório para a maioria dos veículos.
(Fonte: G1)

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