O pesquisador do IBGE Gustavo Fontes disse que a pandemia pode ter influenciado o aumento, mas sem os dados de 2020 e 2021, é difícil fazer uma correlação entre a pandemia de covid-19 e a piora do dado em 2022.
Em
2023, o dado voltou a melhorar devido a fatores como a melhora da renda
domiciliar.
"O
ano 2023 foi bastante favorável para o mercado de trabalho. Teve um ganho
importante na renda domiciliar per capita. Também houve um aumento importante
do rendimento médio e do total de domicílios cobertos pelo Bolsa Família.
Também pode ter efeitos de políticas públicas voltadas para essa meta de
eliminação do trabalho infantil", afirmou Fontes.
Recortes
O
percentual de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho
infantil representa 4,2% do total de pessoas nessa faixa etária. Em 2022, a
parcela chegou a 4,9%.
O
total de crianças de 5 a 13 anos submetidas a trabalho infantil era 346 mil em
2023, enquanto aqueles com 14 e 15 anos chegou a 366 mil. O maior contingente
era de adolescentes de 16 e 17 anos (895 mil).
De
acordo com o IBGE, a incidência do trabalho infantil cresce com a idade: em
2023 1,3% das crianças de 5 a 13 anos de idade estavam em situação de trabalho;
6,2% enfrentavam essa situação no grupo de 14 e 15 anos; e 14,6% entre os
adolescentes de 16 e 17 anos.
Do
total de crianças e adolescentes envolvidos em trabalho infantil, 1,182 milhão
estavam envolvidas em atividades econômicas, ou seja, para geração de renda. As
outras 425 mil trabalhavam apenas para o autoconsumo, ou seja, a produção de
bens para uso dos moradores do domicílio ou de parentes não moradores, como
criação de animais, pesca e agricultura.
A
região Norte concentrava a maior proporção de crianças e adolescentes em
trabalho infantil (6,9%), seguida pelo Centro-Oeste (4,6%) e Nordeste (4,5%).
Sudeste (3,3%) e Sul (3,7%) tinham as menores proporções.
Em
números absolutos, o Nordeste tinha o maior contingente em trabalho infantil
(506 mil). O Sul tinha o menor número (193 mil) e também apresentou a maior
queda em relação a 2022 (-28,8%).
Trabalho
perigoso
A
pesquisa do IBGE também constatou que, dos 1,607 milhão de crianças e
adolescentes em situação de trabalho infantil, 586 mil desempenhavam atividades
com riscos para a saúde ou para a segurança. O dado revela queda de 22,5% em
relação a 2022 (756 mil)
Esse
indicador também atingiu o menor patamar da série iniciada em 2016. Foram
consideradas de risco aquelas atividades elencadas na Lista de Piores Formas de
Trabalho Infantil, conhecida como Lista TIP, segundo o Decreto 6.481/2008.
Entre
as vítimas nesta situação no ano passado, 84 mil tinham de 5 a 13 anos e 153
mil tinha 14 e 15 anos. Os outros 349 mil tinham 16 e 17 anos. De acordo com o
IBGE, a maioria era homens (76,4%) e pessoas de cor preta ou parda (67,5%).
Em
2023, o trabalho perigoso era exercido por 65,7% das crianças de 5 a 13 anos de
idade que realizavam atividades econômicas e por 55,7% dos adolescentes de 14 e
15 anos que faziam esse tipo de atividade. Entre aqueles de 16 e 17 anos, o
percentual chegou a 34,1%.
Tempo
gasto
Segundo
a Pnad, 20,6% das crianças e adolescentes envolvidas no trabalho infantil
estavam submetidas a essa situação por 40 horas ou mais por semana. O maior
percentual foi encontrado na faixa etária mais velha (16 e 17 anos): 31,1%.
Entre
os jovens com 14 e 15 anos, essa parcela chegava a 14,1% e, entre os mais novos
(5 a 13 anos) o índice era de 0,4%.
Entre
as crianças de 5 a 13 anos, o IBGE constatou que o trabalho infantil não
chegava a comprometer a frequência escolar, uma vez que aquelas sujeitas a esse
tipo de atividade tinha taxa de frequência de 99,6%, superior à média dessa
população (99%).
"Só
que a gente observa que, à medida que a idade avança, há um maior
comprometimento da frequência escolar", destaca Fontes.
A
pesquisa verificou que a taxa de frequência escolar entre os adolescentes de 14
e 15 anos em situação de trabalho infantil era de 94% (ante 98,3% da população
geral nessa faixa), e entre aqueles de 16 e 17 anos caía para 81,8% (ante 90%
da média da faixa etária).
Sexo
e raça
Os
dados da Pnad mostram ainda que em 2023 o trabalho infantil afetava crianças e
adolescentes de forma diferente, dependendo do sexo e da cor ou raça.
Pretos
ou pardos respondiam por 65,2% daqueles em situação de trabalho infantil,
percentual que supera a parcela deste grupo de cor ou raça na população total
de 5 a 17 anos no país (59,3%).
Os
meninos eram 63,8% dos trabalhadores infantis, enquanto sua proporção na
população total desta faixa etária é de apenas 51,2%.
Rendimento
Parte
das crianças e adolescentes em trabalho infantil atuavam no comércio e
reparação de veículos (26,7%) ou na agricultura, pecuária, produção florestal,
pesca e aquicultura (21,6%).
A
média de rendimento mensal de crianças e adolescentes envolvidos no trabalho
infantil era de R$ 771, abaixo da média de trabalhadores dessa faixa etária que
não estavam nessa situação (R$ 1.074). Para aqueles submetidos ao trabalho
infantil perigoso, a média de rendimento era ainda menor (R$ 735).
Foram
encontradas também diferenças de sexo e cor ou raça mesmo entre aqueles em
situação de trabalho infantil. Enquanto a renda para brancos era de R$ 875,
para os pretos e pardos, era de R$ 707. Para os meninos, a média era de R$ 815,
acima dos R$ 695 recebidos pelas meninas.
Do
total de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, 3,7% realizavam atividades
econômicas (1,427 milhão). Entre crianças e adolescentes residindo em
domicílios beneficiados pelo programa de transferência de renda Bolsa Família,
a prevalência era um pouco menor: 3,4% delas (ou 466 mil) realizavam atividades
econômicas.
Em
relação aos afazeres domésticos, as crianças e adolescentes que trabalhavam em
atividades econômicas estavam mais envolvidos nessas tarefas (75,5%) do que
aqueles que não trabalhavam (51,7%).
O
trabalho em atividades econômicas não eximia crianças e adolescentes dos
afazeres domésticos. Na verdade, a proporção dos envolvidos em afazeres
domésticos era maior entre os que trabalhavam (75,5%) do que entre os que não
realizavam nenhuma atividade econômica (51,7%). (JB/Ag. Brasil)

Nenhum comentário:
Postar um comentário