“Ocupamos a casa do povo, o Incra, para dizer que
não estamos satisfeitos com o descaso que está sendo feito com a reforma
agrária. É impossível produzir dentro dos acampamentos e assentamentos sem ter
apoio, sem ter o crédito. Estamos aqui para defender a reforma agrária com
crédito, com educação, com as condições possíveis para produzir no campo”,
ressalta Kelha Lima, da direção nacional do MST no Ceará.
Sem citar diretamente, ele se referiu à taxação de 50% aos produtos brasileiros nos Estados
Unidos anunciada por Trump em carta que diz que o ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) está sendo perseguido pela justiça brasileira por ser réu da ação de
tentativa de golpe de Estado, dizendo que a reforma agrária é uma “medida de
defesa da soberania nacional”.
“Não podemos admitir que este Congresso antipovo
continue definindo sobre nossas vidas. E nem permitir que o império venha
interferir em território brasileiro”, pontua a dirigente do MST, de dentro da
superintendência do Incra cearense.
“A agricultura familiar é fundamental para produzir
alimentos de forma sustentável, preservar o meio ambiente e manter a população
no campo”, afirma Gene Santos, também da direção nacional do MST no Ceará.
O Brasil de Fato entrou
em contato com o Incra Ceará, mas não obteve retorno até o fechamento desta
matéria. Caso haja resposta, o texto será atualizado.
‘Cadê a reforma agrária?’
A ação acontece um dia depois de o MST lançar
uma “carta à sociedade brasileira” em que denuncia a
lentidão de órgãos do governo federal na execução de políticas públicas pela
reforma agrária. Entre eles, o Incra e o Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA), comandado pelo ministro Paulo Teixeira.
Para o MST, além da falta de recursos para
iniciativas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa
Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), o governo federal precisa
avançar na estruturação de novos assentamentos. De acordo com o movimento,
cerca de 122 mil famílias vivem em 1.250 acampamentos no país, à espera de
regularização fundiária.
Na carta, os sem-terra também denunciam o
conservadorismo e a força do agronegócio no Congresso Nacional. Em especial,
citam a aprovação dos projetos de lei 2.169/2021, apelidado de “PL da devastação” e PL 8262/2017, que permite a ação
policial sem ordem judicial em ocupações no campo e na cidade.
(Brasil de Fato)

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