“O
importante, primeiro, é a gente dar visibilidade à violência. Eu acho que o
maior desafio no Brasil é olhar o abuso e a exploração sexual como uma
violência. A gente traz essa pauta o ano todo porque às vezes a escola percebe,
a família percebe, mas as pessoas têm essa questão do tabu, de silenciar a
vítima”, diz.
Segundo
Tavares, abuso sexual acontece quando há violência física, psicológica ou
verbal sem troca material. Já a exploração
sexual envolve o uso do corpo de crianças e adolescentes em
troca de dinheiro, alimentação ou promessas de trabalho. “A exploração sexual é
quando se usa o corpo alheio, sendo uma das piores formas de trabalho
infantil”, afirma.
Dados
da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco apontam que, entre janeiro e março
de 2026, 589 crianças e adolescentes foram vítimas desse tipo de crime no
estado. Na faixa de zero a 11 anos, 121 vítimas eram meninas e 47 eram meninos.
Entre adolescentes de 12 a 17 anos, foram registrados 217 casos envolvendo
meninas e 59 envolvendo meninos.
Marcella
afirmou que os números revelam um cenário de violência
de gênero grave. A representante da rede também alertou para
sinais que podem indicar situações de violência e destacou a importância de
famílias, escolas e profissionais acolherem crianças e adolescentes sem
revitimização.
“Se
chegar uma denúncia voluntária, quando uma criança ou um adolescente chega e
fala sobre essa violência, o adulto precisa acolher. Não pode ficar perguntando,
porque isso acaba revitimizando a vítima”, afirma.
A
especialista explica que muitos casos acontecem dentro de casa e envolvem
pessoas conhecidas da vítima, o que dificulta a identificação e a denúncia.
Segundo Marcella, por isso o trabalho de orientação em escolas e territórios é
considerado essencial. “Quando se fala sobre essa pauta dentro da escola é que
a criança começa a entender o que está acontecendo”, diz.
A
campanha da rede neste ano tem como tema “Não à violência sexual contra
crianças e adolescentes: prevenir, enfrentar e proteger”. A orientação é que
casos suspeitos sejam denunciados ao Disque 100, canal de direitos humanos que
funciona 24 horas por dia. Conselhos tutelares, Polícia Federal e outros órgãos
de proteção também podem ser acionados.
“Qualquer
pessoa que veja ou que identifique que essa criança ou esse adolescente está
sendo vítima de violência deve denunciar”, afirma.
Para
ouvir e assistir
O É de Manhã vai
ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio
Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão
simultânea também pelo YouTube
do Brasil de Fato.
(Brasil
de Fato)

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