terça-feira, 19 de maio de 2026

18 de Maio: É preciso dar visibilidade à violência sexual contra crianças e adolescentes, diz especialista

Esta segunda-feira (18) marca o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data instituída em referência ao caso Araceli, menina de oito anos sequestrada, violentada e morta em 1973, em um crime nunca solucionado.

Em entrevista ao jornal É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, a secretária executiva da Rede de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes de Pernambuco, Marcella Tavares, afirmou que o principal desafio é fazer com que a sociedade reconheça o abuso e a exploração sexual como formas de violência.

“O importante, primeiro, é a gente dar visibilidade à violência. Eu acho que o maior desafio no Brasil é olhar o abuso e a exploração sexual como uma violência. A gente traz essa pauta o ano todo porque às vezes a escola percebe, a família percebe, mas as pessoas têm essa questão do tabu, de silenciar a vítima”, diz.

Segundo Tavares, abuso sexual acontece quando há violência física, psicológica ou verbal sem troca material. Já a exploração sexual envolve o uso do corpo de crianças e adolescentes em troca de dinheiro, alimentação ou promessas de trabalho. “A exploração sexual é quando se usa o corpo alheio, sendo uma das piores formas de trabalho infantil”, afirma.

Dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco apontam que, entre janeiro e março de 2026, 589 crianças e adolescentes foram vítimas desse tipo de crime no estado. Na faixa de zero a 11 anos, 121 vítimas eram meninas e 47 eram meninos. Entre adolescentes de 12 a 17 anos, foram registrados 217 casos envolvendo meninas e 59 envolvendo meninos.

Marcella afirmou que os números revelam um cenário de violência de gênero grave. A representante da rede também alertou para sinais que podem indicar situações de violência e destacou a importância de famílias, escolas e profissionais acolherem crianças e adolescentes sem revitimização.

“Se chegar uma denúncia voluntária, quando uma criança ou um adolescente chega e fala sobre essa violência, o adulto precisa acolher. Não pode ficar perguntando, porque isso acaba revitimizando a vítima”, afirma.

A especialista explica que muitos casos acontecem dentro de casa e envolvem pessoas conhecidas da vítima, o que dificulta a identificação e a denúncia. Segundo Marcella, por isso o trabalho de orientação em escolas e territórios é considerado essencial. “Quando se fala sobre essa pauta dentro da escola é que a criança começa a entender o que está acontecendo”, diz.

A campanha da rede neste ano tem como tema “Não à violência sexual contra crianças e adolescentes: prevenir, enfrentar e proteger”. A orientação é que casos suspeitos sejam denunciados ao Disque 100, canal de direitos humanos que funciona 24 horas por dia. Conselhos tutelares, Polícia Federal e outros órgãos de proteção também podem ser acionados.

“Qualquer pessoa que veja ou que identifique que essa criança ou esse adolescente está sendo vítima de violência deve denunciar”, afirma.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

(Brasil de Fato)

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário