A dúvida do
governo hoje é em torno do que caminhará primeiro: se as propostas de Emenda
Constitucional que estão na comissão especial ou projeto de lei que
o governo encaminhou ao Congresso em regime de urgência. O presidente da
Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e a maioria das líderes prefere uma PEC,
porque, assim, o texto seria promulgado sem o poder de veto do presidente da
República. Se for um projeto de lei, haverá encaminhamento à sanção e Lula pode
rejeitar os trechos dos quais discordar.
A corrida
está posta. A comissão especial para analisar as PECs foi instalada na véspera
do feriado de 1º de Maio. Esta semana, começam a contar as sessões plenárias
para apresentação de emendas ao texto. Até aqui, já se sabe haverá um movimento
dos parlamentares mais afinados com a indústria e o setor de serviços para
tentar, mais uma vez, emplacar a desoneração da folha de salários. O projeto do
governo fala em não redução salarial e a ideia de muitos deputados é propor uma
troca: aprova-se e não se mexe nos salários da escala atual, mas
compensa-se isso com uma desoneração da folha, ainda que não seja total.
Negociação
O governo
resiste a misturar a questão da jornada de trabalho e com a desoneração, mas
seus interlocutores aceitam discutir esse tema, de forma a não comprometer a
tramitação. Afinal, qualquer acordo que permita a Lula sair com o discurso de
que ajudou o trabalhador é considerado ponto positivo. Mas, se houver jeito de
evitar a mistura, o governo optará por esse caminho.
Na
conjuntura atual, os governistas pretendem seguir o ditado "devagar com o
andor porque o santo é de barro". Primeiro, será preciso avaliar a
correção de forças e como se processará o jogo político na comissão especial.
E, a partir dali, ir ajustando os votos para a chegada das PECs ao plenário, o
que deve ocorrer no fim do mês.
Em conversas
reservadas, muitos líderes afirmam que o PL da Dosimetria não serve de parâmetro para a agenda que
vem pela frente, porque o tema votado na semana passada era algo que o
Congresso já havia debatido e aprovado. Por isso, o placar de 318 votos pela
derrubada do veto. Agora, quanto à jornada 6 x 1, o assunto é visto como
suprapartidário. Embora Lula esteja defendendo a proposta e promovendo uma
campanha publicitária para explicar do que se trata, há partidos de direita que
também consideram importante essa revisão do período de trabalho. Ou seja, não
é só Lula e o PT que têm pressa.
Para permitir a análise da PEC ainda em maio, Hugo Motta convocou sessões de segunda a sexta-feira. Ele e os líderes abraçaram a ideia. "Nossa meta é entregar esse texto aprovado ainda no mês de maio, sempre com equilíbrio que o Brasil precisa", frisou o presidente da Câmara. As propostas de Emenda Constitucional começam a ser debatidas na comissão especial amanhã e a expectativa é de que, terminado o prazo de 10 sessões plenárias da Casa (faltam nove), o texto possa ser votado. Agora, qual a proposta que sairá desses debates, só o tempo dirá.
(Correio Braziliense)

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