Em campo!
Neste domingo será celebrado o Dia Nacional do Futebol, data escolhida em 1976 pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Homenageia o Sport Club Rio Grande, do RS, fundado em 19 de julho de 1900, sendo, por isso, o time mais antigo do país ainda em atividade.
Football (ou Foot-ball)
Futebol é o aportuguesamento do inglês britânico “football. É o
esporte mais popular do Brasil. O introdutor do futebol no Brasil foi inglês
Charles Muller em 1894. A palavra foot-ball é formada de dois termos “foot (pé)
e “ball” (bola). Football (futebol) significa jogo de bola com os pés. Já Ludopédio nada mais é do que o nome que o
médico e filólogo, Dr. Antônio de Castro Lopes (1827-1901), cunhou para
substituir o estrangeirismo “football”, termo esse que não teve êxito.
Goal X Gol
Do inglês “goal”, aportuguesamos para gol, cujo plural é gols.
Esse plural é anômalo, esdrúxula, pois, na Língua Portuguesa, as palavras
terminadas em “l”, o plural é feito com acréscimo de “eis/is”. Vejamos:
sol (sóis), sal (sais), mel (méis ou meles), papel (papéis). Portanto, o plural
de gol deveria ser “gois” ou como fazem os portugueses, que escrevem “golo” –
plural golos (ô). Mas a forma plural esdrúxula “gols” já está consagrada e
devemos usá-la sem medo.
Goleada
Goleada é uma vitória por diferença igual ou superior a três
gols. Por exemplo, quando o Santos vence o São Paulo por 4 a 1. Outro exemplo,
quando o Palmeiras vence o Corinthians por 4 a 1; quando o Palmeiras é
derrotado pelo Vitória por 2 a 7. Mas uma vitória por 4 a 3 do Corinthians não
é goleada, nem uma de 5 a 4. Muitos jornalistas esportivos pensam que goleada é
a feitura de muitos gois numa partida, independentemente da diferença no
placar. Está certo que pensar não ofende, mas que aborrece, ah!, isso aborrece!
A goleada, senhores jornalistas esportivos, está na diferença, e não na
quantidade.
Jogar de goleiro (Vale?)
É construção da língua italiana, mas profundamente arraigada no
Português do Brasil. Entre nós, de fato, ninguém joga como goleiro, como
centroavante, como zagueiro, como fazem os portugueses. Todo mundo joga por
aqui mesmo é de goleiro, de centroavante, de zagueiro.
Lateral-direita X Lateral-esquerda (São as palavras corretas?)
A bem da lógica, da coerência e, consequentemente, da correção são
essas as palavras corretas existentes do mundo do futebol, mas os jornalistas
esportivos só conhecem “lateral-direito” e “lateral-esquerdo”. Ora, lateral é
uma palavra do gênero feminino e se tornou masculino, só mesmo os profissionais
do esporte ainda não sabem do “fato”.
Sendo, sem dúvida, feminina, não tem cabimento usar
“lateral-direito” e “lateral-esquerdo”, coisa que a gente do esporte ainda não
tem usado “ponta-direito ou “ponta-esquerdo”. Ex.: O melhor lateral-direita da
seleção brasileira foi, sem dúvida, o inesquecível Djalma Santos. E o melhor
lateral-esquerda da seleção brasileira foi, sem dúvida, o inesquecível Nílton
Santos, a Enciclopédia do Futebol. Não há meia-esquerdo, nem meia-direito. Um
dos melhores meias-esquerdas do futebol brasileiro foi Gérson. o Canhotinho de
Ouro.
Trave X Travessão
Traves são as partes laterais; Travessão, a parte horizontal. Ex.:
A bola bateu na trave; A bola bateu no travessão.
Torcer “para” o Vasco
Torcedor que se preza torce “por” seu
time, e não “para” seu time. Por isso, é melhor torcer pelo Vasco, pelo
Fluminense, pelo Cruzeiro, pela Seleção Brasileira, etc. Manchete de uma gazeta
paulistana: “Marcelo Teixeira diz que vai torcer ‘para’ o Japão no jogo de hoje
contra o Brasil. Como seria bom se todos torcêssemos ‘pelo’ Brasil!
(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.
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