Couto
também considera que o início da propaganda eleitoral, em agosto, poderá
impactar nas intenções de voto. “Há uma tendência a favorecer o candidato
incumbente, ou seja, o presidente Lula. Para o governo, é favorável ter
propaganda na TV porque ele consegue mostrar a que veio, o que fez”, afirma.
O
cientista político avalia que a campanha de Lula deve ser seletiva com relação
à presença em debates, mas defende que a ausência completa pode ser um erro
estratégico. “Parece que a pessoa está se evadindo, fugindo do debate. Não dá
para ir a todos, mas aos debates importantes, das grandes emissoras, os mais
tradicionais. Isso mostra um certo respeito com o eleitor e mostra que ele não
tem do que fugir”, pondera Cláudio Gonçalves Couto em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
A
pesquisa acontece dois dias depois que o PL
realizou a convenção para oficializar a candidatura
de Flávio, com exibição de um vídeo gerado por Inteligência
Artificial, em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, aparece enviando
uma mensagem aos correligionários. O episódio configura descumprimento da
proibição de presos se manifestarem politicamente e também pode indicar
irregularidade com relação às normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que
estabelecem uma série de regras para uso da tecnologia na política.
Para
o advogado criminalista José Carlos Portella Jr., o episódio foi um “pequeno
gesto” do que esperar da campanha bolsonarista. “Acho que veremos muita sujeira
por parte do bolsonarismo, que não se cansa de usar desse tipo de artimanha, da
mentira, daquele discurso dos bons contra os maus”, afirma.
Portella
Jr. lembra que as eleições de 2018 inauguraram o uso de forma mais massiva da
tecnologia, o que obrigou a própria Justiça Eleitoral a rever protocolos e
criar regras. “Nas eleições de 2022, houve um avanço da fiscalização, mas não
evitou o uso da tecnologia para difundir fake news, ganhar seguidores falsos,
para bombar certas publicações favoráveis”, destaca.
Sobre
isso, o advogado defende um pulso mais firme por parte da Justiça Eleitoral e
manifesta receio pelo fato de que a presidência do TSE é ocupada por Kassio
Nunes Marques. “Qual será a reação da Justiça diante disso? Aplicar multas para
campanhas milionárias? Vai se tomar uma atitude mais incisiva em relação a esse
tipo de expediente, inclusive com cassação da chapa, por exemplo? Tenho receio
da Justiça Eleitoral porque a presidência está nas mãos de um bolsonarista que
vem defendendo a liberdade de expressão, sendo que a gente sabe que eles querem
a liberdade para cometer crimes”, avalia José Carlos Portella Jr.
(Brasil
de Fato)

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