Pio X / Século I / Ano II / Capítulo III
Não existe século um, século dois,
século três, século quatro, século cinco, século seis, século sete, século
oito, século nove nem século dez. Mas é justamente desse modo que dizem quase
todos os repórteres. Alguns até fazem pior. Escrevem: Papa elogia combate
de Pio “10” ao modernismo; Dois barcos que datam do século “1” foram
descobertos...
Notícia de uma revista famosa: Cientistas israelenses anunciaram a descoberta de uma pedra com inscrições do século “9” a.C., que pode ter sido do lendário Templo de Salomão, citado no Antigo Testamento. Ora, escrevendo em cardinais, obrigam o leitor a ler erradamente. Num grande telejornal se ouviu certa vez: Arquimedes viveu no século “três” antes de Cristo. Tudo mentira.
Esteje/Seje (Existem?)
Não. Só existem as formas “esteja e seja”. Por isso, seja sempre atencioso, esteja sempre atento e não diga: “Anos noventa” e, sim, “Anos noventas”. Muito pior do que usar “esteje/seje” é usar “teja” por “tenha”, como fez recentemente um locutor esportivo: Por mais experiente que você “teja”, antes de uma partida importante você sempre fica meio tonto.
Roraima (Pronúncia)
A pronúncia correta desse nome é “Rorãima” (o ditongo é fechado). O ditongo “ai”, quando antecede fonema nasal, soa fechado. Repare: Amaina (forma do verbo amainar), andaime, paina, faina, baima, sotaina, polainas, taino, Gislaine, Elaine (Todos esses ditongos têm som nasal - Rorãime, Jãime, andaime, Elãine, Gislãine). Nós, nordestinos, gostamos de pronunciar esses nomes com ditongos abertos (andáime, Roráima, Jáime, Eláine, Gisláine), que não representa a pronúncia correta.
É certo que as expressões “cerca de” e “aproximadamente” só se usam com números
redondos?
É o lógico. Quando você diz que cerca de 10 pessoas estavam no ônibus, está querendo dizer que eram 8, 9, 11 ou 12, porque não pôde precisar o número exato de pessoas que estavam no veículo. Sem o número redondo, não há por que usar qualquer dessas expressões. Se fossem 8 as pessoas, bastaria construir: Estavam 8 pessoas no ônibus. Se fossem 12 as pessoas, bastaria dizer: Estavam 12 pessoas no ônibus.
Plural dos nomes próprios
O plural dos nomes próprios segue as mesmas regras que o dos nomes comuns: Os Sousas, Os Ferreiras, Os Andradas, Os Peixotos, Os Meneses, Os Luízes, Os Queirozes, Os Rodrigues. Basta o caro leitor se lembrar do livro de Eça de Queirós: Os Maias.
Morte e falecimento (Qual a diferença?)
Morte serve para todos, indistintamente, velhos e moços. Falecimento é próprio dos que já viveram o bastante, aos quais alguns chamam idosos; outros, senis. Mas a maior parte usa mesmo velhos (que não é um termo adequado). Só a morte pode ser violenta; o falecimento, ao contrário, exprime apenas um efeito natural. Por isso, ninguém “falece” num violento acidente de automóvel, assim como não há “falecimento” num assassinato. Há, em ambos os casos, morte.
(*) Professor
Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua
Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato:
(088) 99373-7724.

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