sexta-feira, 21 de agosto de 2026

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa (DO JORNAL CORREIO DA SEMANA - SOBRAL-CE - SÁBADO - 22.08.26)

Pio X / Século I / Ano II / Capítulo III

Na sucessão de papas, séculos e anos de I a X lemos em ordinal; de XI em diante, em cardinal. Portanto: Século I (século primeiro); ano II (ano segundo); ano III (ano terceiro), Pio X (Pio décimo), século XI (século onze), ano XII (ano doze).

Não existe século um, século dois, século três, século quatro, século cinco, século seis, século sete, século oito, século nove nem século dez. Mas é justamente desse modo que dizem quase todos os repórteres. Alguns até fazem pior.  Escrevem: Papa elogia combate de Pio “10” ao modernismo; Dois barcos que datam do século “1” foram descobertos...

Notícia de uma revista famosa: Cientistas israelenses anunciaram a descoberta de uma pedra com inscrições do século “9” a.C., que pode ter sido do lendário Templo de Salomão, citado no Antigo Testamento. Ora, escrevendo em cardinais, obrigam o leitor a ler erradamente. Num grande telejornal se ouviu certa vez: Arquimedes viveu no século “três” antes de Cristo. Tudo mentira. 

Esteje/Seje (Existem?)

Não. Só existem as formas “esteja e seja”. Por isso, seja sempre atencioso, esteja sempre atento e não diga: “Anos noventa” e, sim, “Anos noventas”.  Muito pior do que usar “esteje/seje” é usar “teja” por “tenha”, como fez recentemente um locutor esportivo: Por mais experiente que você “teja”, antes de uma partida importante você sempre fica meio tonto.

Roraima (Pronúncia)

A pronúncia correta desse nome é “Rorãima” (o ditongo é fechado). O ditongo “ai”, quando antecede fonema nasal, soa fechado. Repare: Amaina (forma do verbo amainar), andaime, paina, faina, baima, sotaina, polainas, taino, Gislaine, Elaine (Todos esses ditongos têm som nasal - Rorãime, Jãime, andaime, Elãine, Gislãine). Nós, nordestinos, gostamos de pronunciar esses nomes com ditongos abertos (andáime, Roráima, Jáime, Eláine, Gisláine), que não representa a pronúncia correta.

É certo que as expressões “cerca de” e “aproximadamente” só se usam com números redondos?

É o lógico. Quando você diz que cerca de 10 pessoas estavam no ônibus, está querendo dizer que eram 8, 9, 11 ou 12, porque não pôde precisar o número exato de pessoas que estavam no veículo. Sem o número redondo, não há por que usar qualquer dessas expressões. Se fossem 8 as pessoas, bastaria construir: Estavam 8 pessoas no ônibus. Se fossem 12 as pessoas, bastaria dizer: Estavam 12 pessoas no ônibus. 

Plural dos nomes próprios

O plural dos nomes próprios segue as mesmas regras que o dos nomes comuns: Os Sousas, Os Ferreiras, Os Andradas, Os Peixotos, Os Meneses, Os Luízes, Os Queirozes, Os Rodrigues. Basta o caro leitor se lembrar do livro de Eça de Queirós: Os Maias. 

Morte e falecimento (Qual a diferença?)

Morte serve para todos, indistintamente, velhos e moços. Falecimento é próprio dos que já viveram o bastante, aos quais alguns chamam idosos; outros, senis. Mas a maior parte usa mesmo velhos (que não é um termo adequado). Só a morte pode ser violenta; o falecimento, ao contrário, exprime apenas um efeito natural. Por isso, ninguém “falece” num violento acidente de automóvel, assim como não há “falecimento” num assassinato. Há, em ambos os casos, morte. 

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.

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