Para Oliveira, é uma conjunção de fatores que tem
levado a esse quadro. A advogada, contudo, não acredita que se trate exatamente
de desinteresse, mas de falta de formação política e, nesse sentido, os
partidos políticos têm falhado na missão e deixado esse papel formativo para as
redes sociais, gerando resultados trágicos. “Os partidos têm um papel
fundamental nessa formação política e de base desses
jovens, e muitos deles não têm feito o dever de casa, ainda mais
com a ascensão das redes sociais, que eu digo que é uma faca de dois gumes. Ela
pode ser muito boa, mas também pode ser prejudicial. É aí que a gente tem
fenômenos de votação vindo das redes sociais, como Nikolas Ferreira, que fala
com o público massivamente jovem”, avalia em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.
Fernanda Cordeiro de Oliveira também destaca a
existência de um “gargalo dentro das próprias legendas”, que acabam não
realizando um trabalho de base com a juventude, que, por sua vez, não demonstra
engajamento para se implicar politicamente. “Eles acabam se acomodando, achando
que não é mais preciso ir para as ruas, como foi nas Diretas Já!, por exemplo”,
aponta.
Por outro lado, a participação de pessoas de mais
de 60 anos na eleição aumentou. Para a advogada, essa formação etária do eleitorado
pode impactar a composição dos quadros a serem formados no pleito. Oliveira
pondera que, se, por um lado, os mais jovens não têm uma memória de luta nas
ruas, do outro, as pessoas mais velhas, seja de qualquer campo político,
testemunharam outro contexto político e social do país. “Essas pessoas têm um
histórico, em regra, no movimento ou não também, mas elas, em regra, foram mais
beneficiadas por políticas públicas e elas pensam na melhora do país”, pondera.
(Brasil de Fato)

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