Ao
final do julgamento, o relator André Mendonça reconsiderou parte de
seu voto e autorizou a publicação do humorista Antonio Tabet, que
havia sido retirada mesmo sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro. O ministro
afirmou que, diante de dúvida razoável sobre o enquadramento de uma publicação,
deve prevalecer a liberdade de expressão. Ao mesmo tempo, manteve a remoção de
conteúdos que vinculam diretamente Flávio à suposta tentativa de mudança do
título.
Antes
da decisão colegiada do TSE, o caso passou por uma sequência de decisões no
Supremo Tribunal Federal. Na sexta-feira (25), Mendonça havia determinado a
remoção dos conteúdos. No domingo (27), o ministro Flávio Dino derrubou a ordem
em relação à publicação de Tabet e encaminhou a questão para análise do
plenário do STF. Na segunda-feira (28), após recurso da defesa de Flávio
Bolsonaro, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu
provisoriamente a determinação de Mendonça.
O projeto que deu origem à controvérsia
A
polêmica ganhou força após a circulação de informações que associavam Flávio
Bolsonaro ao Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal
Professor Victório Galli. A proposta alterava a Lei nº 6.802/1980, que
estabelece o feriado nacional de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora
Aparecida. O texto substituía a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira
dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O
projeto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e arquivado
em agosto de 2008. Portanto, não se trata de uma proposta atualmente em
tramitação.
Flávio
Bolsonaro diz não ter apresentado ou articulado qualquer projeto para alterar o
título de Nossa Senhora Aparecida e afirma que as informações que o vinculam à
proposta são falsas. Foi a partir da circulação dessas publicações que sua
campanha acionou a Justiça Eleitoral para pedir a retirada dos conteúdos.
O
vínculo do episódio com o bolsonarismo se dá também pela trajetória posterior
de Victório Galli. Depois de apresentar o projeto, ainda pelo PMDB, Galli
passou por partidos da direita e integrou o governo Jair Bolsonaro como
assessor especial da Presidência. A proposta de 2007 voltou a circular em
setembro de 2026 em meio à campanha de Flávio Bolsonaro.
Ataques
da extrema direita à CNBB
Divulgado
nesta semana, um relatório elaborado pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz
(CBJP), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
reúne 58 episódios registrados desde 2018
contra a entidade, bispos e campanhas pastorais. O levantamento cita
acusações de associação ao PT e ao comunismo, ataques a religiosos e campanhas
de boicote à Campanha da Fraternidade.
Entre
os casos reunidos estão declarações de Jair Bolsonaro contra a CNBB em 2018,
ataques a dom Walmor Oliveira em 2019, uma publicação de Eduardo Bolsonaro no
mesmo ano acusando a esquerda de ter se infiltrado na Igreja Católica e
críticas a bispos após a divulgação, em 2020, da “Carta ao povo de Deus”, na
qual religiosos questionaram a atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia
de covid-19.
O
relatório também menciona o episódio em que 152 bispos teriam sido espionados
por uma estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) conhecida como
“Abin paralela”. O documento inclui ainda o episódio mais recente envolvendo
Flávio Bolsonaro.
Em
emio ao embate sobre Nossa Senhora Aparecida, o candidato afirmou que a
informação sobre uma suposta retirada do título teria sido disseminada com a
participação de pessoas “de dentro” da CNBB. A entidade negou a acusação e
declarou não ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou
divulgação de informações falsas relacionadas às eleições.
(Brasil de Fato)

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