sábado, 25 de julho de 2015

Autorizados pelo Vaticano, padres exorcistas desmistificam o ritual

A prática do exorcismo, que é um ritual de expulsão do demônio que está de posse do corpo de uma pessoa, sempre existiu na Igreja Católica. O ritual que ainda é um tabu para a própria igreja, é tratado pelo padre de Bauru (SP), Boaventura Barrón, com naturalidade. 


 

Aos 92 anos, ele diz ter enfrentado o demônio pelo menos quatro vezes desde que foi autorizado pelo bispo a realizar exorcismos, a maioria dos casos das pessoas que o procuram são por problemas e não espírito.


“99% dos casos não são nada espirituais, na maioria dos casos são distúrbios de personalidade, tristezas e frustrações, que não podemos creditar ao demônio. Às vezes a pessoa precisa apenas de uma confissão”, explica o padre.

 

Apenas depois de analisada a situação, que o padre realiza o exorcismo, como em um dos casos que mais o marcou. “Eu procurei de todas as formas explicar e convencer duas estudantes que tudo aquilo era inútil e não saía de sua angústia. Depois eu pensei: vou dar como hipótese possessão diabólica. Então eu segui o ritual e imediatamente depois de dar a benção, elas se transformaram em uma alegria, em paz, gratidão, realmente a presença de Deus se fez visível”, afirma.

 

Além do uso da água benta e de orações, Boaventura usa da fé para exorcizar. “O primeiro instrumento é a fé que a gente tem na Igreja Católica e a pessoa tem que ter autorização do bispo. Depois é a palavra de Deus e o amor.”

 

Para o bispo Caetano Ferrari o exorcista precisa ter prudência. “A orientação da igreja é que o padre tenha piedade, ciência, prudência e integridade de vida.” Boaventura concorda e ainda afirma que o demônio não tem poder sobre os homens. “O demônio é uma criatura burra, não tem poder nenhum. Para entender melhor, o demônio é um cachorro que está amarrado, que morde apenas aquele que quer brincar com ele. Se eu não quero, ele não tem poder sobre mim.”

 

Exorcismo volta ao uso - Há quem acredite que muitas das curas realizadas por Jesus Cristo foram feitas expulsando o demônio de quem se considerava doente. Mas o exorcismo praticamente caiu em desuso.

 

Por muitos anos o ritual ficou marginalizado dentro da própria igreja, porém nunca deixou de ser assunto, tanto no universo eclesiástico, quanto nas telas do cinema. Mas depois que o papa Francisco assumiu o comando, a igreja Católica busca novos rumos e trouxe de volta o exorcismo.

 

Em Bauru um padre estudou e está autorizado pela igreja a enfrentar o demônio.  Mas para o padre Rubens Miraglia Zani. “Essa história de que exorcismo pula, grita, esperneia, levita, vira a cabeça, vomita verde, coisa e tal é coisa de filme. Pode acontecer essas coisas no exorcismo, mas se você pega por exemplo um demônio mudo, o bichão faz nada, só te olha com um rancor, um ódio profundo, você sente o ódio do bicho, mas você não vê nenhuma dessas manifestações”, explica.

 

Para o padre Boaventura o melhor conselho que ele dá antes de tomar qualquer atitude é simples. “Normalmente dou três conselhos, primeiro conselho seja feliz, segundo, seja feliz, terceiro seja feliz.” (G1)


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