Em coletiva de imprensa no Palácio
do Planalto, em dezembro de 2025, Lula manifestou, diante do ministro da
Fazenda, que gostaria que ele fosse candidato, embora o ministro resista em
aceitar a sugestão, e tem afirmado que deseja apenas contribuir com a campanha
pela reeleição do presidente.
“É
impossível você imaginar uma pessoa da envergadura do Haddad deixar o
Ministério da Fazenda e voltar para casa. Acho que nem eu, nem a Ana Estela
[esposa de Haddad] iríamos gostar”, brincou o presidente na ocasião. “Vou
conversar com o Haddad e com o Alckmin, porque são duas pessoas que eu tenho
profundo respeito, admiração. Eu vou querer saber se eles quiserem ser alguma
coisa, o que eles querem ser. Eu acho que nós precisamos de um candidato a
governador em São Paulo forte e precisamos de um candidato ao Senado forte. Nós
temos chance de fazer governador e fazer senador em São Paulo”, apontou.
Outros
ministros estão de olho em uma vaga no Senado Federal. É o caso de Rui Costa, da
Casa Civil, que irá disputar pela Bahia; Alexandre Silveira, de Minas e
Energia, por Minas Gerais; Carlos Fávaro, da
Agricultura, pelo Mato Grosso, e Waldez Góes, da
Integração, pelo Amapá. A ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, também avalia se disputará uma vaga no Senado
por São Paulo. Segundo interlocutores da ministra, ela já descartou concorrer à
reeleição do atual mandato de deputada federal.
Na
Câmara, atuais deputados e deputadas federais que devem retomar os mandatos e
buscar a reeleição, como Gleisi Hoffman, da
Secretaria de Relações Institucionais e Sonia Guajajara, dos
Povos Indígenas. Outros, como a ministra da Igualdade Racial,
Anielle Franco, e da Cultura, Margareth
Menezes, devem estrear nas urnas buscando um primeiro mandato na Câmara
federal. Luiz Marinho, ministro do Trabalho, vai permanecer no cargo e apoiar a
candidatura de Moisés Selerges a deputado federal.
A ministra dos Direitos
Humanos, Macaé Evaristo, deve buscar sua reeleição ao mandato de deputada
estadual do PT em Minas Gerais, cargo do qual está licenciada.
Existem
também baixas previstas por motivos alheios à disputa de votos. Sidônio
Palmeira sairá da Secretaria de Comunicação Social (Secom) para coordenar o
marketing da campanha de reeleição de Lula. Jorge Messias também
deve deixar o governo caso sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) seja
aprovada pelo Senado.
Apesar
da saída de todos esses ministros, dez titulares já confirmaram que seguem nos
cargos e não devem concorrer a nenhum cargo nas eleições, entre eles Alexandre
Padilha, da Saúde; Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Guilherme Boulos,
da Secretaria Geral da Presidência.
Segundo
fontes do Palácio do Planalto, as substituições serão feitas de maneira gradual
até a data limite estipulada pela lei eleitoral para não prejudicar a continuidade
dos trabalhos de cada uma das pastas.
Veja quem sai e quem fica no
governo
Candidatos a governos ou vice-governos estaduais:
Geraldo
Alckmin (São Paulo)
Renan
Filho, dos Transportes (Alagoas)
Camilo
Santana, da Educação (Ceará)
Márcio
França, do Empreendedorismo (São Paulo)
Candidatos ao Senado:
Fernando
Haddad, da Fazenda (São Paulo)
Simone
Tebet, do Planejamento (São Paulo ou Mato Grosso do Sul)
Rui
Costa, da Casa Civil (Bahia)
Marina
Silva, do Meio Ambiente (São Paulo)
Alexandre
Silveira, de Minas e Energia (Minas Gerais)
Carlos
Fávaro, da Agricultura (Mato Grosso)
Waldez
Góes, da Integração (Amapá)
André
Fufuca, do Esporte (Maranhão)
Silvio
Costa Filho, de Portos e Aeroportos (Pernambuco)
Candidatos à Câmara Federal:
Anielle
Franco, da Igualdade Racial (Rio de Janeiro)
Luiz
Marinho, do Trabalho (São Paulo)
Sonia
Guajajara, dos Povos Indígenas (São Paulo)
Paulo
Teixeira, do Desenvolvimento Agrário (São Paulo)
Gleisi
Hoffmann (Paraná)
Jader
Filho, das Cidades (Pará)
André
de Paula, da Pesca (Pernambuco)
Wolney
Queiroz, da Previdência (Pernambuco)
Margareth
Menezes, da Cultura (Bahia)
Ministros que permanecem no governo
Alexandre
Padilha (Saúde)
Mauro
Vieira, (Relações Exteriores)
Guilherme
Boulos (Secretaria Geral da Presidência)
Vinícius
Carvalho (Controladoria Geral da União)
José
Múcio (Defesa)
Esther
Dweck (Gestão e Inovação)
Márcia
Lopes (Mulheres)
General
Amaro (Gabinete de Segurança Institucional)
Frederico
de Siqueira Filho (Comunicações)
Gustavo
Feliciano (Turismo)
Entre o perfil técnico e político
A
cientista política Priscila Lapa considera com a saída de Haddad do Ministério
da Fazenda, o governo deve indicar alguém com perfil técnico, buscando de
alguma maneira agradar os agentes do mercado. No entanto, deve aproveitar as
vagas abertas pelas saídas dos demais ministros para fazer sinalizações à
classe política e à sociedade.
“A
ocupação de ministérios sempre será um elemento de barganha. Ao ocupar apenas
tecnicamente e com um perfil mais técnico, ele pode não contemplar as
expectativas desses partidos aliados. Ele [Lula] pode sim, em alguns casos,
como a Fazenda, fazer isso, mas eu acho que, na maior parte das vezes, ele
ainda seguirá um pouco mais a linha de agradar aqueles que podem compor uma
base visando a reeleição”, avalia.
“Quanto
mais partidos ele conseguir abrir a frente de diálogo para um processo
pragmático, mais efetivo será o resultado. Eu acho que ele tentará, sim, apesar
dos últimos embates, trazer partidos do Centrão mais fortemente como aliados
nessa reta final pré-eleição”, complementa Lapa.
O
cientista político Cláudio Couto concorda que “eventualmente o governo possa
colocar nesses cargos algumas figuras de perfil mais político que ele pretenda
projetar de alguma maneira ou até já fazer uma troca de guarda pensando em um
segundo mandato, no caso do Lula, em um quarto mandato”, no entanto, considera
que os perfis dos substitutos deve ser mais técnico.
“Normalmente,
nessas substituições do período de desincompatibilização, quem assume são
secretários executivos, que são pessoas que já estão no órgão, conhecem o
funcionamento dele, já estão acostumados à dinâmica do órgão e,
consequentemente, podem permitir que haja continuidade sem perturbar muito o
andamento do governo nesse período eleitoral. Eu imagino que esse deve ser o
perfil mais provável dos que venham a substituir”, avalia Couto.
O
cientista político argumenta que outra possibilidade é que a definição dos
palanques eleitorais tenham peso na reforma ministerial. “Eu não descartaria de
todo a formação da coligação eleitoral com a indicação de alguns ministros
vinculados a partidos ou a grupos políticos regionais que possam vir a ser
incluídos na coligação formal ou informalmente, e daí a indicação para os
ministérios pode obedecer a esse tipo de cálculo político”, pontua.
Claudio
Couto afirma ainda que não deve haver mudanças significativas ou sensíveis, a
não ser em relação à saída de Lewandowski do ministério da Justiça, que também
obedecerá a um cálculo eleitoral, já que foi uma promessa de campanha do
presidente Lula, em 2022, a criação do Ministério da Segurança Pública,
separado da Justiça.
“Com
a saída do [Ricardo] Lewandowski do Ministério da Justiça e a provável criação
de um Ministério de Segurança Pública, com alguns nomes de expressão para esses
dois cargos. Até porque sabemos que esse é um assunto que vai ser muito
tematizado pela oposição, sobretudo pela ultradireita”, considera Couto.
Relação
com o Congresso
Na
relação com o Congresso, Priscila Lapa espera uma acentuação dos embates no
Congresso, sobretudo porque, a partir da desincompatibilização, o parlamento
deve contar com a presença de figuras políticas de peso, que devem retomar seus
mandatos até o fim desta legislatura. É o caso das ministras Gleisi Hoffmann, Sonia
Guajajara e Marina Silva, que são deputadas federais eleitas.
“É
possível que os embates deles sejam muito acentuados, primeiro em razão do
próprio plano eleitoral, onde as coisas estão postas de uma forma mais tensa e
incisiva. O Congresso passou esses três anos em uma linha de não abrir mão de
suas pautas ou de suas perspectivas e, até agora, nesta reta final do ano,
tenta manter a sua inserção no processo orçamentário e na definição das
políticas públicas como um todo. Dificilmente eles recuarão se até agora
conseguiram manter essa linha, fazer suas conquistas e impor um certo ritmo da
agenda parlamentar diante da agenda do Executivo”, avalia Priscila.
“A
tendência com a vinda desses perfis hoje mais ligados ao governo, que têm esse
posicionamento mais ideológico, como a Gleisi [Hoffmann], a própria Marina
Silva e a Sonia Guajajara para o parlamento, é que ocorra uma acentuação ou uma
radicalização dos debates em alguns momentos”, agrega a especialista.
Já
Couto não vê grandes mudanças em relação ao parlamento, pelo curto período e
tempo que os ministros-parlamentares terão de mandato, além de estarem focados
em suas campanhas eleitorais.
“Isso não vai mudar o parlamento, pois muda mais o governo do que o parlamento. Porque são poucas pessoas e, mesmo nesse último ano, elas voltando após a desincompatibilização, nem é de se imaginar que sejam pessoas que, por exemplo, possam chegar no Legislativo e assumir cargos importantes em comissões ou eventualmente alguma substituição na mesa, coisas desse tipo. Então, eu acho que, quanto à liderança do partido, até pode ser, mas nem nisso eu apostaria. Ou seja, a meu ver, as mudanças tendem a ser marginais nesse caso”, avalia.
(Brasil de Fato)

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