sábado, 8 de setembro de 2012

De Olho na Língua – Antonio da Costa (*)


Dolo (ó) – Incesto (é)
A palavra dolo (ó), a qual significa ato consciente, ou intenção, com que se induz, mantém ou confirma outrem num erro, má-fé, tem o primeiro “ó” bem aberto. Ex.: Não houve dolo (ó) naquela atitude. Incesto (é) significa união ilícita... A pronúncia do ‘e’ aberta. Não tem nada a ver com cesto. No Português contemporâneo essas pronúncias não são seguidas à risca.

A poça (ô) d´água
A pronúncia normal é fechada. É como poço (ô), palavra da qual se deriva. Com efeito, poço, poça são cavidade de água: uma, grande, funda; a outra, pequena, com pouca profundidade. O povo, no entanto, fez analogia com a palavra “possa (ó)” do verbo poder: Que eu possa, que tu possas... e pronuncia uma poça (ó) d´água. Nota: Mas também se aceita a pronúncia aberta: poça (ó).

Inexorável (Palavra perigosa)
Poucos são os que pronunciam essa palavra corretamente (X = Z). O “X”, nessa palavra, tem o som de “z” e não de “cs” ou “ks”. Exs.: O juiz foi inexorável (= rígido, inflexível, implacável) na sentença. Pronuncie: “O juiz foi inezorável na sentença”. A palavra é derivada de exorar (z), que significa implorar com ânsia, com clemência, antecedida do prefixo –in (= não, que implica negação, falta). Lembre-se de exorbitar (z), exórdio (z), êxodo (z), exorcismo (z), todas com a letra “x” com som de “z”.

Ele acordou cedo...
No sentido de despertar, esse verbo não aceita o pronome reflexivo “se”. Não deveríamos dizer, por exemplo, “Ela acordou-se”, visto que ninguém acorda a si mesmo. Somos sempre acordados pelo barulho, pela luz, pelo despertador, pelo telefone ou até pelo fato de havermos dormido o suficiente.
Obs.: No Brasil, porém, é corrente dizer “acordou-se”, talvez por analogia com “levantou-se”. Inclusive escritores modernos, a exemplo de Mário de Andrade, Raul Bopp, Clarice Lispector e outros que assim o utilizaram.

Obcecado (cego)
É com “c”. A palavra deriva de cego (caecatus, em Latim). Ficar obcecado é ficar cego diante de um fato ou de uma pessoa. É só ver aquilo, não enxergar.

Deitar (Com ou sem pronome?)
Com pronome, se usado em frases semelhantes a estas: Deito-me tarde todos os dias; Ele se deitou no chão, e não na cama; Sempre nos deitamos cedo; A que horas vocês se deitam?; Deitamo-nos à meia-noite; Quando me deito já caio no sono; Deitei-me um pouco mais tarde ontem.

Levantar (Com ou sem pronome?)
Sempre com pronome, no sentido de pôr-se de pé (ao sair de cama, sofá, cadeira, etc.): Quando me levantei, minhas calças caíram; A que horas vocês se levantam todos os dias?; Levantamo-nos às cinco horas; Quando me levanto, já me ponho debaixo do chuveiro.  Obs.: A língua cotidiana mostra uma tendência de omitir o pronome. 


(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos: (088) 3611-4695 // (088) 9655-1801.


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