Dolo (ó) – Incesto (é)
A palavra dolo (ó), a qual significa ato consciente, ou intenção, com
que se induz, mantém ou confirma outrem num erro, má-fé, tem o primeiro “ó” bem
aberto. Ex.: Não houve dolo (ó) naquela atitude. Incesto (é) significa união
ilícita... A pronúncia do ‘e’ aberta. Não tem nada a ver com cesto. No
Português contemporâneo essas pronúncias não são seguidas à risca.
A poça (ô) d´água
A pronúncia normal é fechada. É como poço (ô), palavra da qual se
deriva. Com efeito, poço, poça são cavidade de água: uma, grande, funda; a
outra, pequena, com pouca profundidade. O povo, no entanto, fez analogia com a
palavra “possa (ó)” do verbo poder: Que eu possa, que tu possas... e pronuncia
uma poça (ó) d´água. Nota: Mas também se aceita a pronúncia aberta: poça
(ó).
Inexorável (Palavra
perigosa)
Poucos são os que pronunciam essa palavra corretamente (X = Z). O “X”,
nessa palavra, tem o som de “z” e não de “cs” ou “ks”. Exs.: O juiz foi
inexorável (= rígido, inflexível, implacável) na sentença. Pronuncie: “O juiz
foi inezorável na sentença”. A palavra é derivada de exorar (z), que significa
implorar com ânsia, com clemência, antecedida do prefixo –in (= não, que
implica negação, falta). Lembre-se de exorbitar (z), exórdio (z), êxodo (z), exorcismo
(z), todas com a letra “x” com som de “z”.
Ele acordou cedo...
No sentido de despertar, esse verbo não aceita o pronome reflexivo
“se”. Não deveríamos dizer, por exemplo, “Ela acordou-se”, visto que ninguém
acorda a si mesmo. Somos sempre acordados pelo barulho, pela luz, pelo
despertador, pelo telefone ou até pelo fato de havermos dormido o suficiente.
Obs.: No Brasil, porém, é corrente dizer “acordou-se”, talvez por analogia
com “levantou-se”. Inclusive escritores modernos, a exemplo de Mário de
Andrade, Raul Bopp, Clarice Lispector e outros que assim o utilizaram.
Obcecado (cego)
É com “c”. A palavra deriva de cego (caecatus, em Latim). Ficar
obcecado é ficar cego diante de um fato ou de uma pessoa. É só ver aquilo, não
enxergar.
Deitar (Com ou sem
pronome?)
Com pronome, se usado em frases semelhantes a estas: Deito-me tarde
todos os dias; Ele se deitou no chão, e não na cama; Sempre nos deitamos cedo;
A que horas vocês se deitam?; Deitamo-nos à meia-noite; Quando me deito já caio
no sono; Deitei-me um pouco mais tarde ontem.
Levantar (Com ou sem
pronome?)
Sempre com pronome, no sentido de pôr-se de pé (ao sair de cama, sofá,
cadeira, etc.): Quando me levantei, minhas calças caíram; A que horas vocês se
levantam todos os dias?; Levantamo-nos às cinco horas; Quando me levanto, já me
ponho debaixo do chuveiro. Obs.: A língua cotidiana mostra
uma tendência de omitir o pronome.

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