O Supremo Tribunal Federal (STF)
condenou por gestão fraudulenta de instituição financeira três dos quatros réus
do núcleo financeiro, no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como processo
do mensalão. O presidente da Corte, ministro Carlos Ayres Britto foi o último a
proferir seu voto, condenando Kátia Rabelo, José Roberto Salgado e Vinícius
Samarane, todos ex-diretores do Banco Rural. “A materialidade dos fatos está
fartamente, robustamente provada", disse referindo-se à denúncia do Ministério
Público Federal (MPF).
O resultado final absolveu Ayanna
Tenório por 9 votos a 1. Samarane recebeu 8 votos pela condenação e 2 contra,
por ter omitido informações financeiras fraudulentas ao Banco Central. Kátia
Rabello, ex-presidenta do banco e Salgado, ex-vice-presidente, foram condenados
por unanimidade.
O presidente do STF iniciou anunciando
que seu voto seria longo, mas o resumiu fazendo apenas alguns comentários e
acompanhando o relator Joaquim Barbosa, nas condenações de Samarane, Kátia e
Salgado, e o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, na absolvição de Ayanna.
Ao iniciar seu voto, Ayres Britto expôs
sua discordância em relação ao que, segundo ele, tem lido na imprensa, sobre os
votos dos ministros do STF no processo do chamado mensalão estarem “em rota de
colisão” contra causas antigas e, alguma vezes, reinterpretando os fatos, sem
garantir os direitos da Constituição. “Creio, e digo isso com tranquilidade
intelectual, que o Supremo não inovou em nada”.
Outros ministros, como Celso de Mello, participaram
do debate e ressaltaram a transparência do processo de julgamento. O
ministro-relator, Joaquim Barbosa, disse que foram dadas oportunidades
suficientes, até generosas, aos réus para indicação de testemunhas, por
exemplo. “Não sou de dar satisfações, até porque acho que o Supremo não tem de
dar satisfação alguma. Mas esse processo foi feito com total transparência”,
disse Barbosa.
Após a proclamação do resultado, Ayres
Britto declarou encerrada a sessão. O julgamento será retomado na próxima segunda-feira
(10).
Veja como ficou o placar de votações
relativo ao quinto capítulo – gestão fraudulenta de instituição financeira:
a) Kátia Rabello: 10 votos pela
condenação
b) José Roberto Salgado: 10 votos pela condenação
c) Ayanna Tenório: 9 votos a 1 pela absolvição (Divergência: Joaquim Barbosa)
d) Vinícius Samarane: 8 votos a 2 pela condenação (Divergência: Ricardo
Lewandowski e Marco Aurélio Mello)
(Fonte: Ag. Brasil)

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