EVARISTO TRAJANO DE MESQUITA
A fé
constante em Deus, o trabalho duro no campo, a obediência e o respeito aos pais
e aos mais velhos e a luta incessante para poder levar uma vida digna e
honesta. Foi essa a filosofia de vida pela qual se norteou Evaristo Trajano de
Mesquita. Foi assim que ele conseguiu sobrepujar as dificuldades da sua época,
dar uma boa criação aos filhos e fazer somente o bem na sua passagem pela terra.
Evaristo
Trajano de Mesquita nasceu no dia 3 de abril 1896, em Olho D’água – Varjota
(Ce), sendo seus pais Quintina Laurinda de Mesquita e João Evaristo Trajano de
Mesquita. Dadas as circunstancias da época, teve pouca escolaridade, apenas o
suficiente apenas para ler e escrever. Desde cedo já na agricultura ajudando
seus pais. Adulto, Evaristo Trajano
continuou como agricultor em seu próprio Olho d’água.
Casou-se
com Romana Teles de Mesquita, filha de João Rodrigues de Mesquita e Prudência
Teles de Mesquita, com quem gerou quinze filhos: Francisca, Manoel, Ilza, João,
Odete, Anete, Francisco das Chagas, Raimundo, Edmundo, Maria do Carmo,
Sebastião, Gerardo, Donete, José Maria e Antônio. A esposa Romana faleceu em 28
de fevereiro de 1992, em Olho D’água, e foi sepultada em Macaraú, Santa
Quitéria (CE).
Para
sustentar a família teve várias ocupações, além da agricultura. Quando não
havia safra, atuava como caixeiro viajante pelo sertão. No lombo de burro e
jumento, saía a vender do chinelo ao guarda-chuva, percorrendo cidades como Quixeramobim,
Madalena, Monsenhor Tabosa, Cajazeira dos Timbó (hoje Hidrolândia). Por ocasião
da seca de 1932 teve de emigrar com a família para o Piauí, fazendo toda a viagem
em burros. Depois de três anos de trabalho duro naquele estado retornou à sua
terra natal.
Apesar
das dificuldades enfrentadas, esmerou-se com a esposa em dar o bom exemplo e
encaminhar os filhos na estrada do bem. Tido como bom esposo e pai dedicado,
sem necessitar aplicar castigos físicos criou os filhos primando pelo diálogo e
pela exigência da obediência, logo cedo os colocando para trabalhar. Por conta
desse costume fez-se respeitar, tanto é que quando os filhos queriam sair de
casa primeiramente tinham de obter autorização da mãe e esta falava com ele,
que concordava quando havia conveniência.
Apesar
de ser homem de poucas palavras, era detentor de muitos amigos, sendo prestativo
e querido por todos e sempre estava de prontidão para colaborar.
Evaristo
teve participação como cabo eleitoral, representando Olho D´Água. Como naquela
época não havia a figura dos atuais prefeitinhos, ele já agia como se o fosse,
mesmo sem nunca ter concorrer a cargo eletivo e sem receber nenhuma remuneração.
Em nome dos moradores, falava de suas necessidades destes e cobrava providências
dos candidatos. Quando eleitos, exigia principalmente deles a escolarização das
pessoas. Muitas vezes, chegou a ceder compartimento de sua casa de morada para
tal fim.
Evaristo
Trajano também pleiteava muito pelos agricultores, razão pela qual cobrava das
autoridades a doação de ferramentas e defensivos agrícolas. Atuou como
enfermeiro prático, aplicando injeção e cuidando de ferimentos, conhecimentos
que, aos poucos, ia repassando aos filhos. E, durante três anos, exerceu a função
de delegado civil na sua região.
Apesar
da pouca instrução, tinha sabedoria nata para bem orientar seus familiares e os
que a ele recorriam. Era amante do trabalho, não tinha vícios e seu lazer era
ler e atualizar-se das últimas notícias ouvindo radio.
Evaristo
Trajano de Mesquita faleceu de um ataque cardíaco, aos 74 anos, no dia 30 de
setembro 1970, em Olho D´água, e foi sepultado em Macaraú, no município de
Santa Quitéria (CE).
“UMA PRECE PELA ALMA DE EVARISTO TRAJANO DE MESQUITA”


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