sábado, 8 de agosto de 2015

CANTINHO DA SAUDADE - thiagoalvesobral@hotmail.com (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-Ce - 08.08.15)

EVARISTO TRAJANO DE MESQUITA
A fé constante em Deus, o trabalho duro no campo, a obediência e o respeito aos pais e aos mais velhos e a luta incessante para poder levar uma vida digna e honesta. Foi essa a filosofia de vida pela qual se norteou Evaristo Trajano de Mesquita. Foi assim que ele conseguiu sobrepujar as dificuldades da sua época, dar uma boa criação aos filhos e fazer somente o bem na sua passagem pela terra.

Evaristo Trajano de Mesquita nasceu no dia 3 de abril 1896, em Olho D’água – Varjota (Ce), sendo seus pais Quintina Laurinda de Mesquita e João Evaristo Trajano de Mesquita. Dadas as circunstancias da época, teve pouca escolaridade, apenas o suficiente apenas para ler e escrever. Desde cedo já na agricultura ajudando seus pais.  Adulto, Evaristo Trajano continuou como agricultor em seu próprio Olho d’água.

Casou-se com Romana Teles de Mesquita, filha de João Rodrigues de Mesquita e Prudência Teles de Mesquita, com quem gerou quinze filhos: Francisca, Manoel, Ilza, João, Odete, Anete, Francisco das Chagas, Raimundo, Edmundo, Maria do Carmo, Sebastião, Gerardo, Donete, José Maria e Antônio. A esposa Romana faleceu em 28 de fevereiro de 1992, em Olho D’água, e foi sepultada em Macaraú, Santa Quitéria (CE).

Para sustentar a família teve várias ocupações, além da agricultura. Quando não havia safra, atuava como caixeiro viajante pelo sertão. No lombo de burro e jumento, saía a vender do chinelo ao guarda-chuva, percorrendo cidades como Quixeramobim, Madalena, Monsenhor Tabosa, Cajazeira dos Timbó (hoje Hidrolândia). Por ocasião da seca de 1932 teve de emigrar com a família para o Piauí, fazendo toda a viagem em burros. Depois de três anos de trabalho duro naquele estado retornou à sua terra natal.

Apesar das dificuldades enfrentadas, esmerou-se com a esposa em dar o bom exemplo e encaminhar os filhos na estrada do bem. Tido como bom esposo e pai dedicado, sem necessitar aplicar castigos físicos criou os filhos primando pelo diálogo e pela exigência da obediência, logo cedo os colocando para trabalhar. Por conta desse costume fez-se respeitar, tanto é que quando os filhos queriam sair de casa primeiramente tinham de obter autorização da mãe e esta falava com ele, que concordava quando havia conveniência.

Apesar de ser homem de poucas palavras, era detentor de muitos amigos, sendo prestativo e querido por todos e sempre estava de prontidão para colaborar.

Evaristo teve participação como cabo eleitoral, representando Olho D´Água. Como naquela época não havia a figura dos atuais prefeitinhos, ele já agia como se o fosse, mesmo sem nunca ter concorrer a cargo eletivo e sem receber nenhuma remuneração. Em nome dos moradores, falava de suas necessidades destes e cobrava providências dos candidatos. Quando eleitos, exigia principalmente deles a escolarização das pessoas. Muitas vezes, chegou a ceder compartimento de sua casa de morada para tal fim.
Evaristo Trajano também pleiteava muito pelos agricultores, razão pela qual cobrava das autoridades a doação de ferramentas e defensivos agrícolas. Atuou como enfermeiro prático, aplicando injeção e cuidando de ferimentos, conhecimentos que, aos poucos, ia repassando aos filhos. E, durante três anos, exerceu a função de delegado civil na sua região.

Apesar da pouca instrução, tinha sabedoria nata para bem orientar seus familiares e os que a ele recorriam. Era amante do trabalho, não tinha vícios e seu lazer era ler e atualizar-se das últimas notícias ouvindo radio.
 
Evaristo Trajano de Mesquita faleceu de um ataque cardíaco, aos 74 anos, no dia 30 de setembro 1970, em Olho D´água, e foi sepultado em Macaraú, no município de Santa Quitéria (CE).

“UMA PRECE PELA ALMA DE EVARISTO TRAJANO DE MESQUITA”

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