sábado, 1 de agosto de 2015

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa - antoniodacosta53@hotmail.com(Do Jorna lCorreio da Semana - Sobral - Ce - 1º.08.15)

AS ARMADILHAS DA CONCORDÂNCIA
Em colunas anteriores já fiz o alerta sobre concordâncias perigosas. Veja agora uma série de situações nas quais o erro de concordância aparece com maior frequência. Muito comum, por exemplo, é manter invariável o verbo ou adjetivo que deve combinar com uma palavra ou expressão colocada depois dele. Os exemplos seguintes, todos reais, como os demais deste texto, servem de alerta para situações idênticas: Causou-me (o correto: é causaram-me) profunda alegria as palavras do orador; É uma nação que não sabe o que pensa (o correto é: pensam) setores importantes da população; Pouco importa (o correto é: importam) para a torcida os porquês da missão do time; Ficou acertado e assinado (o certo é: acertada e assinada) pelo técnico, sua permanência no clube.


O ouvido pode ter papel importante na consumação do erro. Assim, se o sujeito está no singular, mas se faz acompanhar de palavras no plural, o último som retido pela memória impõe erradamente muitas vezes a concordância no plural: A coincidência dos casos fazem (o certo é: faz) supor que nasceram um para o outro; O relato dos poucos sobreviventes causaram (o certo é: causou) emoção; A origem das críticas foram (o certo é: foi) identificadas (o certo é: identificada); A reunião dos parlamentares aprovaram (o correto é: aprovou) as decisões.

Pode verificar-se também o oposto, isto é, o verbo ficar do singular quando o sujeito está no plural e é acompanhado de palavra ou expressão no singular: Os diretores do Sindicato da construção civil pediu (o correto é: pediram) demissão; Os donos da empresa de material hospitalar deu (o certo é: deram) um golpe na praça; Os professores de ginástica aeróbica dez (o certo é: fizeram) uma exibição do clube.

Há, finalmente, exemplos em que nem é possível explicar a falha: A diretoria teme que os cortes nos investimentos afete (o correto é: afetem) a empresa; O casal saiu de Angra e fugiram (o certo é: fugiu) da Imprensa; O filme mostra confusões sem graça e pouco inteligente (o certo é: inteligentes); O título da música não podia ser mais apropriada (o certo é: apropriado); Pior (o certo é piores) são pessoas falsas como aquelas.

OBSTACULARIZAR E OBSTACULAR EXISTEM?
Não. Não existem tais formas verbais. O verbo é obstaculizar (criar obstáculo para): Os escândalos de corrupção obstaculizam o maior respeito à nação; Esse governo vai de tudo para obstaculizar as CPI´s que lhe podem trazer problemas.

OCTOGENÁRIO É A PALAVRA CORRETA?
É a palavra correta, mas não são raros os que querem chegar a ser “octagenário”. Não vão conseguir nunca.

OCTOGÉSIMO  (“OCTO”  E NÃO “OCTA”)
Exatamente. Mas não há cristão que faça alguns repórteres e jornalistas deixarem de usar “octagésimo”. O que fazer?


(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Escreve esta Coluna toda terça-feira. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.


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