E nem por isso ele virou bandido!
Sei que cada caso é um caso, mas discordo quando defendem que alguém ingressou
na marginalidade, tornou-se um fora-da-lei por injustiça cometida contra si ou contra
seus familiares, por falta de trabalho ou por ganhar salários baixos (já pensou
se quem ganha salário mínimo fosse virar bandido!).
Para mim, pode até ser um convite, um estímulo. Agora, tomar isso como
forma de viver dependerá de algo que já existe dentro de cada um.
Sustento minha tese citando um espetacular e
fascinante vulto nordestino, por sinal, sobralense. Só precisa ser mais
estudado, mais entendido e mais divulgado em sua terra. Nesta semana
completam-se 209 anos do seu nascimento. Trata-se do conterrâneo Pe. Ibiapina (foto),
cognominado o Missionário do Nordeste ou o Peregrino da Caridade. Vale destacar o gigantesco
esforço do Monsenhor Sadoc de Araújo na divulgação do Pe. Ibiapina e pelo
valioso trabalho realizado na primeira fase do processo de canonização do
missionário.
Nascido no dia 05 de agosto de 1806, em Sobral (CE),
ele recebeu o nome de José Antônio Pereira Ibiapina (ordenado, em 1853, José
Antônio de Maria Ibiapina, em homenagem à Mãe de Jesus). Faleceu aos 76 anos, na Casa de Caridade Santa Sé, em Solânea
(PB), em 19 de fevereiro de 1883.
Padre
Ibiapina teve o pai fuzilado em praça pública, em Fortaleza, no dia 7 de maio
de 1825, por participação na Confederação do Equador; Raimundo Alexandre, irmão
mais velho de Ibiapina, foi degredado para a Ilha de Fernando de Noronha e lá
assassinado; os poucos bens da família foram confiscados e até a moça com quem
Ibiapina estava de casamento marcado fugiu com um primo.
Apesar de todas essas adversidades, esse homem arranjou forças para
enveredar pelo caminho do Bem. Com muitos esforços, conseguiu terminar de criar
as irmãs, formou-se em advocacia (1832) e, posteriormente, atuou brilhantemente
em outras áreas: Professor Universitário, Juiz de Direito, Chefe de Polícia da Comarca de
Campo Maior (hoje, Quixeramobim-Ce) e Deputado Geral pelo Ceará (atualmente
diz-se deputado federal).
Depois
de acumular todas essas experiências, e decepcionado principalmente com a
política e com a justiça, o ilustre sobralense abandonou todos os cargos e
permaneceu durante quatro anos retraído e em reflexão. Aos 47 anos de idade
resolveu abraçar a antiga vocação: tornou-se padre católico, com opção por
trabalhar pelos pobres e desvalidos.
A
partir daí começou a colocar em prática seu belíssimo projeto de transformação
social, percorrendo, a pé e em animais, os sertões de vários estados
nordestinos. Por
onde passava anunciava o Evangelho, fazia celebrações, pregações, aconselhava,
orientava e apontava para esperança de dias melhores para o povo. Além disso,
com a colaboração apenas dos fiéis - nada de ajuda governamental, deu início a
um trabalho social que somente quase duzentos anos depois alguns governos
(federal, estaduais e municipais) passaram a realizar. Com seus seguidores construía
açudes, cemitérios, residências, escolas, igrejas e, principalmente, as Casas
de Caridade, que chegaram a 22 no nordeste. A de Sobral, que ficava na esquina
das Ruas Pe. Fialho e Frederico Hozanam, depois de desativada foi vendida para
ajudar na construção da Santa Casa de Misericórdia.
Essas Casas acolhiam as órfãs pobres e lhes dava o
ensino das primeiras letras, prendas domésticas, ensinavam a costurar e
cozinhar. As jovens só deixavam as Casas quanto encontravam um casamento ou já
podiam sustentar-se na maioridade. Detalhe: O trabalho do Pe. Ibiapina exerceu
forte influência em outras figuras históricas do Nordeste, como Antônio
Conselheiro, que o acompanhou em algumas pregações, e Pe. Cícero Romão Batista,
cujo pai recebeu a extrema-unção do Pe. Ibiapina, que encantou o então menino
Cícero e o estimulou ao sacerdócio.
Como se observa, essa síntese biográfica do Padre
Ibiapina atesta algo interessante: para se ter direito às honras de herói não
basta apenas desviar-se ou desviar alguém do caminho do mal. É preciso, sim,
também apresentar projetos de transformação que redirecionem as pessoas para o
caminho do Bem, tornando-as protagonistas responsáveis e conscientes dessa
própria transformação, a exemplo do que fez Padre Ibiapina.
******
Feliz aniversário!
Julinha, Alverne e Emanuela
Ontem (31/07), numa praia cearense, José Mendes Mont´Alverne Neto comemorou natalício. Além de competente e
dedicado servidor do Hospital Regional Norte (Sobral), em breve também será
Professor do Centec. Com Emanuela, nossa filha, presenteou a mim e Socorro com
a netinha Júlia. Felicidade e muito sucesso na sua trajetória pessoal e
profissional. Parabéns e que Deus os abençoe!
Atualíssima
Amanhã,
mais um ano sem Luiz Gonzaga (Exu-Pe, 13.12.1912 - Recife-Pe, 02.08.1989). Com Zé
Dantas - José de Sousa Dantas Filho (Carnaíba-Pe, 17.02.1921 - Rio de Janeiro-RJ, 11.03.1962),
médico e compositor, LG fez belíssimas canções. Uma delas é “Vozes da Seca”: (Mas doutô uma esmola a um homem qui é são/Ou lhe mata
de vergonha ou vicia o cidadão). Você identifica alguma ligação da letra com o que
Bolsa Família está fazendo com muitos brasileiros?
De lambuja
No final da música vem a receita para resolver o problema: “Dê serviço a
nosso povo, encha os rio de barrage/Dê cumida a preço bom, não esqueça a
açudage/Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage/Lhe pagamo inté os
juru sem gastar nossa corage”. Pergunto: O que faltará, então, para a doutora
Dilma adotar essa receita?
Pérolas
do Rádio
Irritado com o “sistema”, um companheiro disse:
“Vivo às custas do meu suor e sem criar rincha com ninguém”. AVISO: É bom saber
que quem “rincha” é jumento, e o correto é “à custa”. FRASE CORRIGIDA:
“Vivo À CUSTA do meu suor e sem criar RIXA com ninguém”.
Domingo
na Educadora (www.radioeducadora950.com.br)
Até
amanhã (10h), no Programa Artemísio da Costa na Educadora AM 950. Notícias,
reportagens, curiosidades e um especial sobre LUIZ GONZAGA, na data (02/08) em que se completam 26 anos de sua "triste partida". Participe:
3611-1550 // 3611-2496.
LEIA, CRITIQUE, SUGIRA E DIVULGE
www.artemisiodacosta.blogspot.com


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