Se por descuido me for
Jogado no leito da sorte
Rolando no abismo da dor
Que eu dance abraçado à morte
Meu corpo então ofertado
Ao escuro do porão da terra
Espírito descido ou elevado
Vida que ora se encerra
Que chorem os que devem chorar
Perdoem-me meus muitos credores
Minhas filhas, luz de luar
Heranças de muitos amores
Desprendo-me do corpo infestado
De sombras por meu breve pisar
No fundo, um humano assombrado
Que clama por uma valsa a bailar.


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