Em Sobral, o sr. Antônio Félix Ibiapina,
tido por todos como um homem de bem, era conhecido como juiz de partida do
velho Prado e como traumatologista de animais nas fazendas e nos meninos da
cidade. Foi, também, barbeiro durante um certo tempo, com salão na Rua Ernesto
Deocleciano, nas proximidades da tradicional loja do sr. Osvaldo Rangel.
Certa vez, fazendo a barba de um cliente, já
tendo rapado a mesma pela metade, necessitou ir ao banheiro. Avisou ao cliente,
ainda com a barba e bigode ensaboados pela metade, para o esperar por algum
tempo. Por não ter outra opção, restou ao cliente aquiescer.
De volta do banheiro, Antônio Félix ouviu:
- Mas Antônio Félix, você foi ao banheiro e
demorou mais de meia hora e eu aqui, a esperar com a barba ensaboada pela
metade. Isso não é correto!
Antônio Félix, com a sua
"gentileza" e "lhanesa" características, respondeu:
- E daí! O que é que tem? Isso não é nada
não! Eu como muito e tenho que demorar muito no banheiro. Isso é o normal, meu
amigo.
- Mas você pelo menos lavou as mãos, Antônio
Félix?
- Para que, se as posso limpar no resto da
barba e bigode que estão por fazer.
O cliente ao ver Antônio Félix pegar a
navalha para afiar apavorou-se. Levantou-se da cadeira com a barba e bigode
raspados pela metade. E saiu como estava pelas ruas de Sobral, sob a crítica de
muitos e a gozação dos seus amigos, em direção à sua casa, para ele mesmo
concluir os serviços.
(*) Wilson Belchior é engenheiro civil, articulista, poeta e memorialista.

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