Junho de de
1954, em Sobral, na igrejinha de Santo Antônio realizavam-se as celebrações da
famosa Festa de Santo Antônio, comandadas pelo Pe. Gonçalo Eufrásio de Oliveira
(Ubajara-CE - 1903//Sobral-CE - 1963), e administradas por Dona Nazaré Hardy e
Dona Berenice Dias. Eu era o coroinha.
Para
abrilhantar as festividades, fazia-se presente a Banda de Música, A Furiosa,
regida pelo Maestro Sobralense, José Wilson Brasil (Sobral-CE – 1917-2009). Ele
residia na Rua Menino Deus, donde a banda saía para tocar.
Certa vez estavam os músicos dispersos, cada um com seu instrumento, e sem a presença do maestro, já quase no início da cerimônia. Pe. Gonçalo ao chegar indagou a razão, e a resposta foi que o maestro encontrava-se com febre alta e gripe, talvez nem pudesse vir. Então o padre me chamou e disse:
- Wilson, vai à casa do Zé da Macaca e pergunte-lhe se ele virá ou não reger a banda. Caso não venha, diga-lhe que chamarei o pai dele para reger.
Dirigi-me ao local e encontrei na porta da casa uma senhora: Quero falar com seu Zé da Macaca. E uma voz de dentro da casa respondeu:
- Zé da Macaca! Aqui não tem nenhuma macaca e nenhum Zé. Você deve está no lugar errado. O zoológico fica na Betânia, frente ao seminário e de Zé o mercado está cheio.
Respondeu em voz alta alguém que eu não tinha ainda visto, por se encontrar na penumbra de um canto da sala, numa cadeira de balanço, e continuou:
- Aqui não mora nenhum Zé da Macaca. Aqui é a residência do Maestro José Wilson Brasil.
Certa vez estavam os músicos dispersos, cada um com seu instrumento, e sem a presença do maestro, já quase no início da cerimônia. Pe. Gonçalo ao chegar indagou a razão, e a resposta foi que o maestro encontrava-se com febre alta e gripe, talvez nem pudesse vir. Então o padre me chamou e disse:
- Wilson, vai à casa do Zé da Macaca e pergunte-lhe se ele virá ou não reger a banda. Caso não venha, diga-lhe que chamarei o pai dele para reger.
Dirigi-me ao local e encontrei na porta da casa uma senhora: Quero falar com seu Zé da Macaca. E uma voz de dentro da casa respondeu:
- Zé da Macaca! Aqui não tem nenhuma macaca e nenhum Zé. Você deve está no lugar errado. O zoológico fica na Betânia, frente ao seminário e de Zé o mercado está cheio.
Respondeu em voz alta alguém que eu não tinha ainda visto, por se encontrar na penumbra de um canto da sala, numa cadeira de balanço, e continuou:
- Aqui não mora nenhum Zé da Macaca. Aqui é a residência do Maestro José Wilson Brasil.
Fui até seu
encontro e dei o recado: Seu Zé da Macaca, o Pe. Gonçalo mandou lhe
perguntar se o senhor irá ou não reger a banda.
- Menino, não me chame de Zé da Macaca. Meu nome é José Wilson Brasil. Eu já mandei avisar ao Pe. Gonçalo que estou doente e que, caso melhorasse, eu iria. Entretanto, estou me sentindo é pior. Creio que não irei.
Eu disse: Nesse caso o padre mandou dizer que iria chamar seu pai para reger a banda.
- Meu pai! Que pai? Eu nunca tive pai. Meu pai morreu faz muito tempo. Eu nem o conheci.
- Menino, não me chame de Zé da Macaca. Meu nome é José Wilson Brasil. Eu já mandei avisar ao Pe. Gonçalo que estou doente e que, caso melhorasse, eu iria. Entretanto, estou me sentindo é pior. Creio que não irei.
Eu disse: Nesse caso o padre mandou dizer que iria chamar seu pai para reger a banda.
- Meu pai! Que pai? Eu nunca tive pai. Meu pai morreu faz muito tempo. Eu nem o conheci.
Eu comecei a
rir e ele disse:
- Menino, tu te ajeita, toma gosto, senão eu irei falar com seu Otávio Belchior. Você pensa que eu não conheço teu pai?
- Confesso que fiquei preocupado por ter entrado nesse imbróglio graças ao Pe. Gonçalo, ao ver o doente ficar nervoso e começar a tirar o pijama que usava, entrar num quarto e aparecer fardado, com a batuta em sua mão, e dizer:
- Vamos!
- A passos largos o acompanhei. E logo chegamos à banda, onde o maestro, suando e com febre alta, começou a reger...
- Menino, tu te ajeita, toma gosto, senão eu irei falar com seu Otávio Belchior. Você pensa que eu não conheço teu pai?
- Confesso que fiquei preocupado por ter entrado nesse imbróglio graças ao Pe. Gonçalo, ao ver o doente ficar nervoso e começar a tirar o pijama que usava, entrar num quarto e aparecer fardado, com a batuta em sua mão, e dizer:
- Vamos!
- A passos largos o acompanhei. E logo chegamos à banda, onde o maestro, suando e com febre alta, começou a reger...
- O Pe.
Gonçalo era um bom professor e um excelente ser humano. Gostava de ajudar as
pessoas, principalmente os membros de sua família recém-chegados de Ubajara.
Mas, costumava falar com os sobralenses do jeito que vinha em sua mente, com linguajar
ferino, tratando-os por apelidos, sem pesar as consequências ou eventuais
retaliações.
Sofria de pressão alta, e uma vez o ouvi dizer ao Mons. Aloísio Pinto que adorava comer feijão de corda com bolinhos de carne, salgados e bem temperados. Porém, devido aos problemas de pressão, tinha que se contentar em comer feijão de corda, preparado na água sem sal, com bolinhos sem sal ou tempero, com gosto de bolinhos fabricados com aparas do Correio da Semana. Mons. Aloísio quase morreu de rir.
Seu José Wilson Brasil era um bom maestro, vaidoso como todo artista, não admitia que ninguém regesse sua banda e não tolerava ser chamado pelo apelido de Zé da Macaca. Achava uma ofensa a ele e à banda, além de considerava-se melhor do que o Maestro Gondim. Nós, meninos da Rua Santo Antônio, adorávamos ver o Zé da Macaca regendo. E até o imitávamos.
Quando ao pai do Zé da Macaca que o Pe. Gonçalo arranjou, tratava-se de um conhecido Vereador da UDN, puxador das quadrilhas das Festas Juninas no Clube Artístico Sobralense, que se chamava José da Mata e Silva. Na verdade, muito amigo do José Wilson Brasil, e não seu pai. Mas, para o Pe. Gonçalo, seguindo as circunstâncias, era pai. Fazer o quê?
Sofria de pressão alta, e uma vez o ouvi dizer ao Mons. Aloísio Pinto que adorava comer feijão de corda com bolinhos de carne, salgados e bem temperados. Porém, devido aos problemas de pressão, tinha que se contentar em comer feijão de corda, preparado na água sem sal, com bolinhos sem sal ou tempero, com gosto de bolinhos fabricados com aparas do Correio da Semana. Mons. Aloísio quase morreu de rir.
Seu José Wilson Brasil era um bom maestro, vaidoso como todo artista, não admitia que ninguém regesse sua banda e não tolerava ser chamado pelo apelido de Zé da Macaca. Achava uma ofensa a ele e à banda, além de considerava-se melhor do que o Maestro Gondim. Nós, meninos da Rua Santo Antônio, adorávamos ver o Zé da Macaca regendo. E até o imitávamos.
Quando ao pai do Zé da Macaca que o Pe. Gonçalo arranjou, tratava-se de um conhecido Vereador da UDN, puxador das quadrilhas das Festas Juninas no Clube Artístico Sobralense, que se chamava José da Mata e Silva. Na verdade, muito amigo do José Wilson Brasil, e não seu pai. Mas, para o Pe. Gonçalo, seguindo as circunstâncias, era pai. Fazer o quê?



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