Ao
ministrar a disciplina Filosofia da Educação, no curso de Pedagogia,
recentemente iniciado na cidade do Graça, propus algumas questões para
discussão em pequenos grupos. Como sempre, início as minhas aulas procurando
saber o que os alunos e alunas entendem do assunto. É uma forma de por em
prática aquele importante esquema que a Igreja criou em 1961, ao estruturar a
Ação Católica: Ver, Julgar e Agir.
As mesmas perguntas debatidas pelos grupos,
foram levadas aos professores em ação ou aposentados, residentes no município.
Era nossa intenção que os alunos pudessem comparar as suas respostas já
debatidas na sala de aula da graduação.
Foram seis perguntas feitas a mais de 150
professores do Graça. Colheram-se respostas muito importantes que mostram as
ideias que predominavam quando aqueles professores estavam nas salas de aula,
na condição de alunos.
Uma das perguntas que coube a um grupo foi
esta:
“Que
ideias, atitudes e comportamentos predominavam nas gestões das escolas que
tivemos a oportunidade de frequentar? Havia gestão democrática? Qual o papel da
família?”
Abaixo estão as respostas de dois
professores: A primeira é da professora Ednalda
Azevedo:
No final dos anos 80 e na década de 90,
vivenciei um ensino onde só o professor falava e o aluno recebia as informações
calados sem poder indagar uma dúvida sobre o assunto tratado e imagine
questionar o tema. Todos tinham o direito de permanecer calados. E o professor
o dono da razão (sua opinião era inquestionável).
O Diretor da Escola era visto e respeitado
como ser supremo, “O Mestre”. Onde e discente o obedecia, e que, muitas das
vezes não era por respeito, mas sim, medo. Um verdadeiro ditador. O aluno era
visto como indisciplinado e não como um questionador.
A família pobre, não tinha conhecimento, mas
tinha visão de que o conhecimento é adquirido na escola. Depositava na escola
confiança, credibilidade e esperança de um futuro melhor para seus filhos. Com
isso, apoiava as medidas e decisões da escola.
E assim, foram meus anos escolares nas séries
iniciais e finais do ensino Fundamental e Médio. E concluo com a citação de
Paulo Freire, “Importante na escola não é só estudar, é também criar laços de
amizade e convivência”.
PROFESSORA MARIA EDNALDA DE AZEVEDO, FORMADA PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE
DO ACARAÚ (UVA), NA ÁREA DE LINGUAGENS E CÓDIGOS. LECIONA HÁ 26(VINTE E SEIS) ANOS NO MUNICIPIO DE GRAÇA-CEARÁ.
A segunda é do professor Antônio Edson do Nascimento:
Em meados da década de 80 e 90, me deparei
com uma escola onde guardava resquícios da ditadura, com ideias onde o
professor era o dono da verdade e os alunos robores programados para absorver
conhecimentos sem nenhuma possibilidade de discordar do professor, pois esse
tipo de ação era um desaforo com “o mestre”. O(a) diretor(a) era aquele(a)
figura que sempre era seguido de ordem, criando um ar de temor nos discentes.
A gestão não tinha nada de democrático, como
citei acima, o(a) diretor(a) era a figura de respeito e medo ao mesmo tempo,
devendo aos alunos somente obedecer as ordens dada por ele(a).
A família pobre sem esclarecimentos procurava
sempre manter seus filhos na escola, pois até pouco tempo escola era só para
elite, e a única herança deixada por uma família pobre era os estudos, então
com essa ideia as ordens dadas pela direção da escola, também deviam ser
obedecidas em casa, desobedecendo às ordens na escola, sofria os castigos da
escola e em casa.
Foi assim minha trajetória escolar nas séries
iniciais e finais do ensino fundamental e médio, finalizo com a citação de
Aristóteles “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”.
PROFESSOR ANTONIO EDSON DO NASCIMENTO, FORMADO PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARÁU (UVA), EM GEOGRAFIA E HISTÓRIA. LECIONA HÁ 17(DEZESSETE) ANOS NO MUNICÍPIO DE GRAÇA-CEARÁ
(*) LEUNAM GOMES - Ex-aluno dos seminários de Sobral e Olinda, onde concluiu os cursos de Filosofia e Teologia. Professor aposentado da UVA, Mestre em Gestão e Modernização Pública, Radialista, autor dos livros: SEMINÁRIO DE SOBRAL-AD VITAM-65 DECLARAÇÕES DE AMOR, PROFESSOR COM PRAZER é UM HOMEM DE PALAVRA.
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