Em coletiva no Instituto Tomie Ohtake, onde
participava do 9.º Encontro do Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais, Sá
Leitão disse que as mudanças trazem regras mais claras, que visam promover
dinamismo e desburocratização ao processo, desde a aprovação do projeto até a
prestação de contas. A ideia é atrair mais investimentos para o setor cultural.
A Lei Rouanet é o principal mecanismo de fomento à cultura no país.
Entre os itens alterados, está a possibilidade de o
incentivador do projeto promover sua marca com ações de marketing e de reforço
na promoção dos projetos apoiados, o que antes era considerado vantagem
indevida. De acordo com o Ministério da Cultura, "não fazia sentido
restringir que as empresas fizessem essas ações relacionadas ao seu patrocínio,
usando recursos próprios".
"O mecanismo de fiscalização será a análise
rigorosa do orçamento dos projetos. Desta forma, teremos clareza de que não há
previsão de destinação de recurso incentivados para ações de marketing das
empresas", disse o ministro.
Atuação na área - De acordo com a norma anterior os interessados
precisavam comprovar atuação em área cultural relacionada ao projeto, exigência
que agora caiu, admitindo projetos de empreendedores recém inseridos no
mercado.
"Isso não propicia irregularidades nem
fraudes, porque todo o processo de habilitação e análise de orçamento e
fiscalização permanece. O que observamos é que essa exigência era barreira de
entrada para jovens. Queremos estimular que mais jovens pensem, criem e
produzam projetos de cultura".
A partir da nova instrução, os projetos de valor
superior a R$ 3 milhões devem apresentar estudo de impacto econômico, para que
a cultura seja reconhecida como geradora de valor econômico e social, além de
criar indicadores de melhores práticas para a execução de projetos culturais.
"Precisamos mudar a forma como encaramos as
atividades culturais e criativas no país. A cultura é um dos mais importantes
segmentos da economia brasileira, respondendo por 2,64% do Produto Interno
Bruto (PIB)".
Locais com poucos projetos culturais - As novas regras permitem ainda o incentivo ao
investimento em regiões estados com histórico de poucos projetos culturais.
Além das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que já estão contempladas na
norma anterior, passarão a ser contempladas a Região Sul e os estados de Minas
Gerais, que terão os valores aumentados em relação a São Paulo e Rio de
Janeiro.
"Criamos alguns indutores, porque
estabelecemos limites de números de projetos e valores que os proponentes podem
dispor de incentivos e, no caso das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e
Sul, além dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, o limite é mais amplo
para estimular os patrocinadores e os produtores culturais. "Por meio
dessa instrução normativa, há mais vantagens para projetos culturais nessas
regiões", disse o ministro
Foi feito também ajuste de teto da remuneração do
proponente, que antes era limitado a 20% do valor total do custo do projeto e
agora será limitado a 50%. Os serviços realizados por cônjuge, companheiro,
parentes em linha direta ou colateral até o segundo grau, parentes com vínculo
de afinidade com o proponente e em empresa coligada que tenha sócio em comum
estarão inseridos nesse teto.
Segundo Sá Leitão, também será reajustado o valor
do teto dos projetos, de acordo com o tipo de empresa. Isso ocorrerá porque nos
últimos anos o teto tem variado em torno de R$ 1,150 bilhão e a expectativa é a
de que haja manutenção desse patamar. "O fato é que esse teto não vem
sendo atingido e uma das metas com as quais nós estamos trabalhando e a de
buscar atingir a meta de 100% de utilização".
Projeto de lei - De acordo com Sá Leitão, até 2018 o ministério vai
enviar um projeto de lei ou medida provisória com sugestões de alterações na
Lei Rouanet que não podem ser feitas por meio de instrução normativa. O
objetivo é incluir na lei mecanismos de fomento como a criação de fundos
patrimoniais permanentes de financiamento de museus, companhias de dança,
teatro e orquestras (edownment) e o financiamento coletivo de projetos
realizados com incentivo fiscal (crowdfunding).
"Hoje, há uma excelente interlocução entre
Ministério e Congresso Nacional e nós temos muita clareza do que queremos. Ao
longo desse processo de elaboração da instrução normativa, chegamos a várias
medidas que não puderam ser incorporadas, porque necessitavam de amparo legal.
Será necessário fazer um debate e de pactuação para que haja um encontro de
vontades e visões, a fim de que possamos ter um projeto de lei de consenso.
Queremos modernizar a Lei Rouanet, mantendo suas características",
afirmou. (Jornal do Brasil)

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