sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

LITERATURA CEARENSE: Educação e Mau Humor (Leunam Gomes*)

Em princípio, educação e mau humor parecem incompatíveis. Educação é mudança, criatividade, conhecimento, inovação, esperança.

O mau humor, normalmente, é o resultado de uma insatisfação consigo mesmo, com a rotina, com a falta de perspectiva. E, no entanto, no dia-a-dia parecem andar lado a lado.

Nos corredores das instituições de educação quase sempre nos deparamos com pessoas carrancudas, fechadas, mal humoradas, com ar de preocupadas como se daquelas expressões fisionômica fossem surgir as soluções para todos os problemas. É como se acreditassem que quanto mais “sérias” se apresentem, mais credibilidade despertam.

Isto, infelizmente, chega à sala de aula e já se tornou tão comum que as crianças e seus pais acham até normal ter medo de falar com o Diretor, com o Professor ou com qualquer autoridade da escola. E se conformam, dizendo: “A gente vem depois, quando ele tiver com a cara melhor

E há pessoas que quanto mais ascendem em cargos e, consequentemente, em salários, mais aborrecidas se apresentam. Pior ainda é quando assumem cargos de chefia. É aquela testa franzida de quem está sempre demonstrando não querer conversa E o pior é que isto contagia os menos esclarecidos e o mau humor vai descendo na escada hierárquica até chegar a atendentes, porteiros, serventes, que passam a adotar tais comportamentos como se aquilo devesse ser uma característica das instituições de educação.

O mau humor também se manifesta em palavras, através do rol de lamentações e queixas sobre tudo como se todos os interlocutores estivessem dispostos a dar ouvidos aos que se querem passar pôr “coitadinhos” ou que só têm palavras para ressaltar as falhas, quando se trata de falar sobre Educação.

É importante denunciar, reivindicar nos lugares certos e nos momentos oportunos. Mas há os que se comprazem em estar sempre se lamentando, destacando apenas os aspectos negativos. Poucos têm olhos para ver tantas coisas boas que estão acontecendo na Educação. Omitem-se em divulgar tantos êxitos que surgem como resultado de trabalhos de pessoas que vibram como o que fazem.

Há muitas coisas interessantes acontecendo na área da Educação em vários municípios cearenses e que são motivos de júbilo. Uma prova disto tem sido a redução do analfabetismo. De 1991 a 1995 quase todos os municípios reduziram os seus indicadores de analfabetismo de crianças e adolescentes de 11 a 14 anos, conforme podem ser comparados os dados do IBGE e do Censo Educacional Comunitário. Isto resultou de inúmeras iniciativas de municípios que estão fazendo coisas diferentes. Saindo da rotina. Experimentando formas novas e mais atraentes de conquistar os alunos.

Secretários municipais, diretores de Escolas, professores, nos mais distantes pontos do Estado, apesar das limitações, estão construindo algo novo. Há escolas alegres que cantam, que brincam, que fazem o aluno aprender com prazer. Não há nenhuma incompatibilidade entre educação e alegria. Aliás, os autênticos educadores são alegres, bem humorados e felizes porque estão seguros do que fazem e sentem prazer no que realizam.

A escola precisa ser alegre. Jamais mal humorada. É preciso retirar da mente aquela velha ideia de que estar alegre num momento significava sinal de tristeza mais tarde. Quem trabalha com Educação precisa ter sempre em mente a perspectiva da construção de um mundo novo. Mesmo quem está longe da sala de aula, mas dando algum tipo de contribuição para o andamento da Educação. É preciso ter e irradiar esperança. O mau humor é demonstração de infelicidade. Quem semeia alegria colhe alegria, receptividade. E o mau humor?








(*) Leunam Gomes é autor do livro PROFESSOR COM PRAZER, onde está este artigo, 
anteriormente publicado no Jornal O POVO, de Fortaleza.

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