Em princípio,
educação e mau humor parecem incompatíveis. Educação é mudança, criatividade,
conhecimento, inovação, esperança.
O mau humor,
normalmente, é o resultado de uma insatisfação consigo mesmo, com a rotina, com
a falta de perspectiva. E, no entanto, no dia-a-dia parecem andar lado a lado.
Nos corredores das
instituições de educação quase sempre nos deparamos com pessoas carrancudas,
fechadas, mal humoradas, com ar de preocupadas como se daquelas expressões
fisionômica fossem surgir as soluções para todos os problemas. É como se
acreditassem que quanto mais “sérias” se apresentem, mais credibilidade
despertam.
Isto, infelizmente,
chega à sala de aula e já se tornou tão comum que as crianças e seus pais acham
até normal ter medo de falar com o Diretor, com o Professor ou com qualquer
autoridade da escola. E se conformam, dizendo: “A gente vem depois, quando ele tiver com a cara melhor”
E há pessoas que
quanto mais ascendem em cargos e, consequentemente, em salários, mais
aborrecidas se apresentam. Pior ainda é quando assumem cargos de chefia. É aquela
testa franzida de quem está sempre demonstrando não querer conversa E o pior é
que isto contagia os menos esclarecidos e o mau humor vai descendo na escada
hierárquica até chegar a atendentes, porteiros, serventes, que passam a adotar
tais comportamentos como se aquilo devesse ser uma característica das
instituições de educação.
O mau humor também
se manifesta em palavras, através do rol de lamentações e queixas sobre tudo
como se todos os interlocutores estivessem dispostos a dar ouvidos aos que se querem
passar pôr “coitadinhos” ou que só têm palavras para ressaltar as falhas,
quando se trata de falar sobre Educação.
É importante
denunciar, reivindicar nos lugares certos e nos momentos oportunos. Mas há os
que se comprazem em estar sempre se lamentando, destacando apenas os aspectos
negativos. Poucos têm olhos para ver tantas coisas boas que estão acontecendo
na Educação. Omitem-se em divulgar tantos êxitos que surgem como resultado de
trabalhos de pessoas que vibram como o que fazem.
Há muitas coisas
interessantes acontecendo na área da Educação em vários municípios cearenses e
que são motivos de júbilo. Uma prova disto tem sido a redução do analfabetismo.
De 1991 a 1995 quase todos os municípios reduziram os seus indicadores de
analfabetismo de crianças e adolescentes de 11 a 14 anos, conforme podem ser
comparados os dados do IBGE e do Censo Educacional Comunitário. Isto resultou
de inúmeras iniciativas de municípios que estão fazendo coisas diferentes.
Saindo da rotina. Experimentando formas novas e mais atraentes de conquistar os
alunos.
Secretários
municipais, diretores de Escolas, professores, nos mais distantes pontos do
Estado, apesar das limitações, estão construindo algo novo. Há escolas alegres
que cantam, que brincam, que fazem o aluno aprender com prazer. Não há nenhuma
incompatibilidade entre educação e alegria. Aliás, os autênticos educadores são
alegres, bem humorados e felizes porque estão seguros do que fazem e sentem
prazer no que realizam.
A escola precisa ser
alegre. Jamais mal humorada. É preciso retirar da mente aquela velha ideia de
que estar alegre num momento significava sinal de tristeza mais tarde. Quem
trabalha com Educação precisa ter sempre em mente a perspectiva da construção
de um mundo novo. Mesmo quem está longe da sala de aula, mas dando algum tipo
de contribuição para o andamento da Educação. É preciso ter e irradiar
esperança. O mau humor é demonstração de infelicidade. Quem semeia alegria
colhe alegria, receptividade. E o mau humor?
anteriormente publicado no Jornal O POVO, de Fortaleza.

Nenhum comentário:
Postar um comentário