
Tive a oportunidade,
recentemente, de orientar a produção de duas monografias de graduados que
concluíam especializações. Tive a satisfação de acompanhar o esforço que os
dois orientandos fizeram para produzir trabalhos sérios e originais.
Alguns dias
depois, uma surpresa. A Pro Reitoria de Educação Continuada, da UVA, detectara
que uma das monografias tinha muitas semelhanças com uma outra que também fora
apresentada no mesmo dia. Tive a curiosidade de fazer a comparação, página por
página, e constatei que não eram apenas semelhanças. Talvez oitenta por cento
do texto fossem exatamente iguais. Uma ou outra palavra estava substituída por
sinônimos.
Daquela a quem
tivera a oportunidade de orientar, eu tinha absoluta certeza da originalidade.
Conheço a sua autora desde quando se preparava para o vestibular. Sei de sua
seriedade e competência. Jamais faria uso de meios escusos para produzir uma
monografia. O mesmo pensamento têm os orientadores.
Buscando-se as
razões das coincidências, detecta-se que se trata de terceirização. Isto é,
alguém contrata alguém para fazer a sua monografia e este copia de outrem e
vende para o contratante. Em defesa própria o contratante diz que mandou,
apenas, fazer a digitação.
É profundamente
lamentável que isto venha acontecendo. É plágio sobre plágio. A pessoa que
teria a obrigação de produzir a monografia não se dá ao trabalho nem de estudar
o seu conteúdo. Simplesmente faz a encomenda e paga como se alguém pudesse
aprender por outra pessoa. É enganar-se a si mesma.
O orientador,
geralmente, acredita no que lhe é apresentado. Imagina que o seu orientando
esteja levando a sério a sua tarefa.
Por outro lado,
parece aumentar o número dos que se “especializam” na venda de textos. Como são
capazes de produzir textos sobre tantos assuntos? Como é que vendedores de
monografias explicam para os seus “clientes” os plágios detectados? Parecem
entender de tudo, mas, na prática retiram texto de monografias anteriores e
vendem para os que se querem enganar e que, ao mesmo tempo também pensam que
enganam a Universidade. É mais uma forma de pirataria. O que se pode esperar de
profissionais que adotam tais expedientes? No desempenho de suas atividades
normais será que também plagiam? O contratante e o contratado assinam o pacto
da mediocridade ou muito pior do que isto.
Princípios éticos
são rasgados. Quem compra e quem vende monografia hoje, com a mesma
tranquilidade, vende ou compra voto amanhã. Tudo é feito com as mesmas
características. Tudo às escondidas. Quando flagrados, vendedor e comprador têm
sempre uma desculpa que não convence. Há os que pensam sair-se, honrosamente,
dizendo que “todo mundo faz”. E isto
lhes basta. Já imaginaram o que significa para uma criança flagrar a mãe ou o
pai numa situação destas? Façam o que eu
digo, mas não façam o que eu faço é suficiente para convencer?
(*) Leunam Gomes,
betanista, guaraciabense, Texto Publicado em setembro de 2008, no jornal O Noroeste, de Sobral. Também está no livro PROFESSOR COM PRAZER – Vivencia e Convivência na Sala de Aula. Edições UVA 2015.
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