A
expressão “a distância”, “à distância” é grande vítima da incompreensão
gramatical. Às vezes, o substantivo “distância”
anda na companhia do artigo; outras dispensa o acompanhante. Vale o exemplo do
aviso que aparece na traseira de ônibus e caminhões: “mantenha distância”. Daí,
“à distância” só tem vez se a distância for determinada: Vi o acidente à
distância de dez mil metros; Mantenha-se à distância de mil metros; Os
sem-terra marcharam à distância de um quilômetro.
“A
distância” (sem crase) usa-se quando a distância não for determinada. Exs.: A
UnB oferece curso a distância; Acompanhe-a discretamente, a distância.
OBS.: Alguns
gramáticos e escritores divergem muito sobre essa colocação do acento da crase
na locução “a distância”. O mais acertado é usar a crase quando houver
determinação da distância.
A partir; o começo
Mantenha
os olhos bem abertos. “A partir de” significa “a começar”: A partir de julho,
as passagens ficarão mais caras; Tratemos do assunto a partir de fevereiro; A
partir de agosto, viajaremos ao Rio, todas as semanas.
Misturar
“a partir de” com “começar” é baita pleonasmo. Exs.: Começaremos a pensar no
assunto a partir de março. O melhor é ficar com um ou outro: Começaremos a
pensar no assunto em março; Pensaremos no assunto a partir de março.
Senhores
diretores de Colégio, cuidado com o aviso: “No próximo ano, as aulas começarão a
partir de janeiro”. Cuidado!
Manter o mesmo
“O
técnico vai manter a mesma equipe no jogo contra Alemanha”. Atenção: “Manter”
só pode ser a mesma. Se não for a mesma, troque o verbo: O técnico vai manter a
equipe no jogo contra Alemanha. Cuidado, senhor jornalista!
Ou seja (Concordância verbal)
São onze metros, ou sejam, cinquenta palmos, como
se dizia antigamente. Faça a correção. Substitua “ou sejam” por “ou seja”,
porque se trata de uma locução invariável, portanto.
“Ou seja”, quando locução conjuntiva, equivale a
“isto é” e é invariável. Não se dirá: Dois alqueires, ou sejam, 48 mil metros
quadrados. Senão: Dois alqueires, ou
seja, 48 mil metros quadrados. (Gramática Metódica da Língua Portuguesa, pág.
575 - Conjunções explicativas).
Colocação do Infinitivo
Com
o infinitivo vale tudo. O pronome pode
ir antes ou depois do verbo. Não respeita nem as palavras que atraem o “atonozinho”
(pronome átono). Exs.: Saiu para preparar-se; Saiu para se preparar; Gostaria
de me apresentar já; Gostaria de apresentar-me já; Para que candidatar-se ao
Senado? Para que se candidatar ao Senado?
Entre mim e você
“Nada
existe entre mim e você” (e não: Nada existe entre eu e você); O caso de amor
entre mim e a Clara (e não: O caso de amor entre eu e a Clara). Certo? Certíssimo.
“Entre” é preposição. Acompanha sempre o pronome oblíquo “mim”, que nunca funciona
como sujeito. Nunca? Só na língua dos índios, que, aliás, não é Português: “Mim
trabalha”; ‘Mim caça”; “Mim quer comer”, etc.


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