Pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade
Federal do Ceará (UFC), identificaram que as caixas misteriosas que
apareceram em praias do Ceará e de outros estados do Nordeste são
provenientes de um navio alemão que naufragou no litoral nordestino em 1944. Os
materiais são grandes fardos de borracha, mas ainda não
se sabe para as caixas eram utilizadas. A descoberta ocorreu durante pesquisas
para tentar identificar a origem das manchas de óleo que surgiram no
litoral do Nordeste.
O mistério das caixas começou em outubro do ano passado,
após o primeiro aparecimento em Alagoas. No Ceará, os fardos apareceram nas
praias de Aracati, Camocim, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Trairi e Pecém,
além do Serviluz, em Fortaleza. De acordo com o professor Luís Ernesto Bezerra,
cerca de 200 caixas foram encontradas em todo litoral.
De acordo com Carlos Teixeira, oceanógrafo físico do Labomar, o navio
"SS Rio Grande" utilizava nome brasileiro para se disfarçar dos
inimigos de guerra e era carregado com esses fardos de borracha. Ele foi
afundado por forças aéreas dos Estados Unidos.
Segundo o professor, a descoberta ocorreu em meio a pesquisas sobre a
origem das manchas de óleo que vêm aparecendo no litoral de vários estados do
Nordeste.
"A gente sabia das caixas, mas nunca tínhamos conseguido desvendar
de onde elas vinham. Aí veio a problemática do óleo. Por coincidência, ou não,
a ocorrência desse óleo está acontecendo na mesma época do ano em que as caixas
começaram a aparecer no ano passado", relata.
A relação entre as manchas de óleo e as caixas, porém, está descartada
"por enquanto" pelos pesquisadores pelo fato de as manchas se
tratarem de petróleo cru relativamente recente. "Para ter relação o óleo
teria que ser muito velho. O naufrágio foi em 1944".
"Navios naufragados começam a sofrer corrosão, então décadas depois
começam a vazar as suas cargas. E por ter acontecido no Oceano Atlântico perto
do Nordeste elas chegaram até aqui", disse o professor Luís Ernesto
Bezerra.
Pesquisa histórica - Esta curiosidade levou o oceanógrafo a começar
uma pesquisa histórica juntamente com os professores de oceanografia do
Labomar, Luís Ernesto Arruda e Rivelino Cavalcante, do Curso de Ciências
Ambientais da UFC.
"Eu encontrei uma caixa em Itarema [Interior do Ceará], que tinha
uma inscrição pertencente à Indonésia Francesa, que ficou independente em 1953,
ou seja, é muito antiga. Então começamos a pesquisas e encontramos confirmações
desse naufrágio", conta Luís Ernesto.
O navio naufragou entre 1º e 4 de janeiro de 1944, mas só foi descoberto
mais de 50 anos depois, em 1996, a cerca de mil quilômetros do litoral. Carlos
Teixeira começou então um trabalho de simulação para confirmar que as caixas
poderiam chegar até a costa nordestina e obteve a confirmação nesta
quarta-feira (9): "Temos 99% de certeza dessa origem".
(G1, sob
supervisão de Valdir Almeida, do G1 Ceará)

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