O Ministério da
Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) lançou hoje (3) o projeto
Salve Uma Mulher, que consistirá em treinar servidores e empregados públicos
para dar suporte a mulheres vítimas de violência. Na primeira etapa do projeto,
476 mil pessoas receberão treinamento.
Desse total, 340 mil
são agentes do Ministério da Saúde, 106 mil funcionários dos Correios, 30 mil
conselheiros tutelares e 1.722 profissionais do quadro da Defensoria Pública da
União. A projeção, porém, é de que, em dez meses, 2 milhões de pessoas passem
pela capacitação, já que a expectativa é que abranja profissionais de beleza e
de academias esportivas e líderes religiosos. Além da capacitação de
funcionários da iniciativa privada através de uma plataforma EaD (estudo a
distância), estão previstas as criações de grupos de multiplicadores
voluntários e grupos de apoio.
Segundo a ministra
titular da pasta, Damares Alves, o ensinamento abrange a identificação de uma
situação abusiva, mas não se resume somente a isso. Ou seja, os instrutores
também ensinarão a orientar a buscar ajuda das autoridades competentes para
garantir sua segurança. Desse modo, os alunos terão condições de informar como
se presta uma queixa contra o agressor e como a mulher agredida pode acessar
serviços públicos.
"Se perguntar
aqui a vocês, sabem o que dizer a uma mulher quando percebem que está
machucada? Diriam para procurar antes a delegacia, o promotor, o delegado, o
IML [Instituto Médico Legal] ou para ligar para o Ligue 180 [Central de
Atendimento à Mulher em Situação de Violência]? As pessoas, às vezes, não sabem
o que dizer. É exatamente para isso que vem o programa: ensinar as pessoas sobre
como funciona a rede de proteção, para que divulguem e orientem mulheres
vítimas de violência", disse Damares Alves.
Segundo a ministra,
os instrutores do projeto, ao repassar as informações, também levarão em conta
as especificidades de cada local. "A rede é a mesma, mas tem lugar em que
não tem delegacia [especializada no atendimento] da mulher. Tem lugar que não
tem a Defensoria Pública. Então, o treinamento vai ser dado obedecendo a
especificidade de cada cidade ou região".
Uma questão
social - Também presente no
evento de lançamento, a atriz e modelo Luiza Brunet argumentou que a
mobilização de combate à violência de gênero deve partir de todos. "É
muito importante que a vítima faça a denúncia contra seu agressor", disse
a artista, que sofreu agressões em 2016. "A violência contra mulher deixou
de ser um problema de foro íntimo e passou a ser de toda a sociedade."
A ministra elogiou a
coragem da atriz, de tornar pública a sua experiência, para que pudesse mostrar
que a violência de gênero vitima mulheres de todos os perfis socioeconômicos e
étnico-raciais. "Ou vocês acham que mulheres lindas, da alta sociedade,
não apanham?", disse Damares.
Conforme mostra
o Atlas da Violência deste
ano, a taxa de homicídio de mulheres cresceu acima da média nacional em 2017.
Feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, o levantamento indica que a taxa geral de
homicídios no país aumentou 4,2% na comparação com o ano anterior, 2016. A taxa
que conta apenas as mortes de mulheres, por sua vez, cresceu 5,4%.
Os pesquisadores
também destacam que, em 28,5% dos homicídios de mulheres, as mortes foram
dentro de casa, o que relacionam a possíveis casos de feminicídio e violência
doméstica. Entre 2012 e 2017, a taxa de homicídios de mulheres fora da
residência caiu 3,3%, enquanto a dos crimes cometidos dentro das residências
aumentou 17,1%. Já entre 2007 e 2017, sobressai-se a taxa de homicídios de
mulheres por arma de fogo dentro das residências, que teve alta de 29,8%.
De acordo com
o 13ª Anuário
Brasileiro de Segurança Pública, registrou-se, no ano passado, o
mais alto índice violência sexual desde 2007, quando se iniciou a avaliação do
volume de ocorrências. Ao todo, foram 66 mil vítimas de estupro, sendo que a
maioria delas (53,8%) eram meninas de até 13 anos de idade.(Ag. Brasil)
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