sexta-feira, 1 de novembro de 2019

LITERATURA CEARENSE: BEBEDOURO X SALA DE AULA (Prof. Celso Holanda Lima*)

Ao longo de minhas atividades no magistério, com meu jeito observador de ser, percebi e percebo algumas ações, mediadas por alunos das turmas do Ensino Fundamental, que me fez levantar vários questionamentos. Por que razão os alunos frequentam tanto o bebedouro no pátio da escola? Será o cansaço que leva o aluno a se despir da aula e pedir para ir tomar água? A didática do professor não desperta a atenção do aluno tornando uma aula chata a ponto de o aluno pedir para ir tomar água?

Para buscar respostas para tantos questionamentos, intensificaram-se as observações em todos os fatores que poderiam levar aos alunos a se despirem das atividades interclasse. No entanto, em todos os professores que passavam pela turma, sendo escolhida para ser observada a turma do 9° do Ensino Fundamental. Para tantos questionamentos só observações não foram suficientes para nos dar as respostas necessárias.

Com o desejo de descobrir o que há de tão importante no bebedouro, capaz de tirar alunos de suas atividades de sala, aprofundamos ainda mais a pesquisa com questionamentos a serem aplicados em sala de aula. No entanto, os resultados foram bem convincentes no que já se esperava. Porém, era necessário ouvir uma outra versão, a dos professores os verdadeiros protagonista da sala de aula. Questionamentos relacionados ao assunto também foram direcionados a eles professores. Todavia, uma versão bem diferente surgiu em meio aos questionamentos e ao que queríamos compreender.

Percebe-se, por tanto, que são muitos os fatores que levam o bebedouro a ser mais atraente do que as atividades de sala. Fatores naturais, como alta temperatura, fazem com que o aluno busque se hidratar com frequência, fator esse que foi citado por minoria. Fatores como a disciplina e didática foram os pontos mais citados pela turma, tendo como resposta “o calor nos faz necessitar de estarmos sempre hidratados, mas, passar duas ou três aulas seguidas só lendo e ouvindo o professor falar, nos faz ficar desmotivado, cansados. E para aliviar a mente e o cansaço, pedimos para ir ao banheiro ou ao bebedouro, mesmo que sem vontade, a gente pede”.

Por tanto, com muito a ser observado e compreendido, conclui-se que é um problema a ser colocado em pauta e discutido no âmbito escolar, visto que situações como estas é de responsabilidade de toda a comunidade escolar, desde solucionar os fatores naturais, como o calor, até os pedagógicos, didáticos e profissionais.  Parece ser um problema mínimo, mas com um reflexo capaz de causar perdas no processo de ensino aprendizagem.

O presente texto surgiu da necessidade de compreender as saídas repentinas de alunos da sala de aula para ir ao bebedouro ou ao banheiro, mesmo sem vontade de satisfazer suas necessidades. No entanto, essa observação não tem objetivo de criticar colegas professores sobre o assunto aqui abordado, mas tem o objetivo refletirmos sobre nossa didática e sobre o que podemos fazer de melhor para atrairmos o aluno para as atividades de sala por mais tempo, regando o desejo de aprender com alegria.






(*) Prof. Celso Holanda Lima, de Ipueiras, concluiu o curso de História na UVA. Trabalha em Croatá.

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